21.9 C
São Paulo
domingo, 28 novembro, 2021

OBESIDADE | Mais peso, menos sobrevida

Revista Mensal
Emmanuel Emídio Maciel de Castro
Emmanuel Emídio Maciel de Castro é apaixonado pela medicina, em todos os aspectos bioquímicos e fisiológicos. Desde criança sempre gostou da E astronomia, música e medicina. As duas primeiras escolheu para hobbies e a última como profissão, um sacerdócio para toda a vida.

Entenda o que é e quais são os malefícios e riscos que a obesidade pode nos causar

Esse assunto é – atualmente – delicado, mas, tecnicamente falando, a obesidade por si só é uma condição fisiopatológica que trás inúmeras outras doenças e fatores de risco à vida humana. Entendo aqueles a argumentarem que “se aceitam” dessa forma, ou mesmo que romantizam tal situação. Entretanto, um profissional ou estudante da saúde tem o dever ético e moral de não ignorar situações que ponham a saúde pública em risco em nome de ideologias.

Ideologias se sustentam de pensamentos abstratos, em nome de algum anseio coletivo, já a ciência se faz de evidências, conforme o método científico e demais normativas e padrões técnicos.

Uma pessoa é considerada obesa quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m2, pois, a faixa de peso normal varia entre 18,5 e 24,9 kg/m2. Os indivíduos que possuem IMC entre 25 e 29,9 kg/m2 são diagnosticados com sobrepeso e já podem ter alguns prejuízos com o excesso de gordura (IMC não é o método indicado para atletas, pois boa parte do peso de um(a) atleta advém de músculos, podendo gerar um diagnóstico inadequado).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é uma doença crônica (ou seja, uma doença de longa duração e de progressão lenta), que se tornou um problema de saúde pública por quase todos os países. Cada vez mais pessoas se tornam obesas.

Conforme as projeções da OMS, até 2055 teremos uma população de 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso e 700 milhões de obesos. No Brasil, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) afirma que a somatória de pessoas com sobrepeso e obesos já formam uma parcela de aproximadamente 50% da população – 15% delas são crianças.

A obesidade trás problemas diversos, sejam os de locomoção e movimentação, ou dificuldade de respirar, ou sobrecargas cardíacas e dislipidemia, ou sobrecarga estrutural (principalmente nos joelhos), devido ao peso excessivo. Somado a isso, caso não seja tratada e remediada, diversos outros problemas de naturezas metabólica, psicológica, respiratória e cardiovasculares podem acometer o obeso.

Doenças que a obesidade pode casuar

Problemas cardíacos como Hipertensão, arritmia cardíaca, doenças arterial coronária, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) são comuns. Isso ocorre, principalmente, pela formação de placas de ateroma. Lembrando que o aumento nas taxas de colesterol, triglicérides e LDL (HDL baixo) sempre antevêem essas doenças e também são marcadores de risco.

Créditos da Imagem | Shutterstock

Doenças respiratórias – Asma, apneia do sono e hipertensão pulmonar – são alguns dos problemas que podem surgir. Essas condições acontecem devido ao excesso de gordura na região do pescoço, pois, as vias aéreas podem ficar mais comprimidas e, consequentemente, a respiração ficar comprometida. Essas situações além de causar inconvenientes sociais, geram problemas de produtividade social, já que os episódios de apneia (e roncos altos) reduzem bastante a qualidade do sono, fazendo o indivíduo acordar ainda afadigado e sonolento.

Doenças estruturais – Ossos, músculos e tendões – podem sofrer diretamente as consequências, devido ao peso excessivo. O que pode gerar sobrecargas na coluna, quadris, joelhos tornozelos, podendo ocorrer também a síndrome do túnel do carpo e gota.

Depressão

Os problemas não são apenas físicos. A obesidade, pela carga de complicações que acarreta, também pode gerar problemas de autoestima, insegurança, desânimo e tristeza. A saúde mental do indivíduo fica bastante afetada, podendo desenvolver nele um quadro severo de depressão.

Créditos da Imagem | Foto de Dương Nhân | Via Pexels

Vale salientar que é necessário avaliar a necessidade de consulta com psicólogo ou psiquiatra, posto que um quadro de obesidade pode surgir ou se agravar com crises e problemas emocionais de várias naturezas, que levam o sujeito a buscar na alimentação rica em sabores (ricas em sal, açúcar e gordura) um conforto psicólogo.

Isso ocorre devido ao fato de que os alimentos com altas concentrações de açúcar geram um grande estímulo de serotonina no cérebro, e isso, a longo prazo, gera vício e dependência de alimentos com elevada quantidade de carboidrato (que viram açúcar ao serem metabolizados por nosso sistema digestório).

Diabetes Mellitus | Tipo 2

A diabetes tipo 2 é uma doença ocasionada pelos altos níveis de glicose no sangue, podendo, ainda, ocasionar outras doenças no pâncreas, coração, rins e até cegueira.

Ela é bastante comum em pessoas com excesso de peso e, geralmente, surge em indivíduos que estão com obesidade.

Causas da obesidade

A obesidade é uma doença multifatorial, podendo ter causas comportamentais, genéticas, ambientais ou ser causada pela interação desses fatores. O fator genético deve ser observado desde a infância, pois pais obesos aumentam em 80% os riscos da criança também desenvolver obesidade. Quando apenas um dos pais tem essa condição, o risco cai para 40%.

No entanto, o principal fator causador de obesidade é o aumento do consumo de calorias, principalmente pela ingestão de uma dieta inadequada, com alimentos muito calóricos, ricos em açúcares e gorduras, e pela falta de atividades físicas, ou seja, consumimos mais calorias do que gastamos.

Problemas metabólicos e hormonais que induzem a obesidade

Hipotireoidismo: a prevalência de obesidade em pacientes com hipotireoidismo é, em média, de 14%. Sabe-se que uma das manifestações clínicas do hipotireoidismo clínico é o ganho de peso, que costuma ser modesto. Uma das hipóteses é que o déficit hormonal reduz a taxa metabólica basal – a TMB – que é o quanto o nosso corpo gasta de energia em repouso.

Créditos da Imagem | Hospital das Clínicas de Botucatu

Contudo, não se pode dizer que esta alteração seja a única responsável, pois, estudos em animais mostram que baixa TMB não implica necessariamente em ganho de peso. A outra possibilidade é o ganho de peso por retenção hídrica e salina pelos rins. De qualquer forma, ambas as alterações são reversíveis com o tratamento e, portanto, não são causas permanentes de obesidade.

Hipercortisolismo: a síndrome de Cushing, condição caracterizada pelo excesso de cortisol, seja por doença hipofisária ou adrenal comumente, leva a ganho de peso. Por outro lado, a obesidade está relacionada ao aumento da atividade do eixo hipotálamo-hipófise adrenal, levando a um estado de hipercortisolismo chamado de “pseudo-Cushing”.

Créditos da Imagem | Dra. Daniela Arakaki

Hipogonadismo masculino: a redução na síntese de testosterona promove alterações na composição corporal, com ganho de massa gorda. Porém, a própria obesidade pode levar à disfunção gonadal, tanto que, quando há perda ponderal, pode haver reversão do quadro. Contudo, naqueles de fato com hipogonadismo (clínico e laboratorial) a reposição de testosterona, não havendo contra-indicações, pode ser feita.

Créditos da Imagem | Mundo Boa Forma

Síndrome dos ovários policísticos (SOP): esta condição afeta entre 9 e 25% das mulheres com obesidade, tendo como um dos mecanismos fisiopatológicos a resistência à ação da insulina. Inclusive, a perda ponderal faz parte do tratamento. Entretanto, não se deve rastrear SOP, a não ser que existam sinais e sintomas clínicos como hirsutismo, acne, irregularidade menstrual ou infertilidade.

Créditos da Imagem | Tua Saúde

Deficiência de GH (hormônio do crescimento): não se recomenda o rastreio em pacientes obesos, uma vez que na obesidade severa a secreção deste hormônio é reduzida e se restabelece com a perda de peso.

Créditos da Imagem | Newslab

O tratamento da obesidade | Nem tudo está perdido!

O tratamento da obesidade é realizado levando-se em consideração o tipo apresentado pelo paciente. O tratamento tem como objetivo levar o paciente a alcançar um peso saudável, em que não haja mais riscos devido à obesidade, ou, se eles existirem, que sejam mínimos. Para isso, o médico e o nutricionista avaliam cada caso individualmente.

Créditos da Imagem | Karolina Grabowska | Via Pexels

O tratamento consiste em educação ou reeducação alimentar, na qual o indivíduo aprende ou reaprende a comer de forma saudável, mudando os hábitos que o levaram a desenvolver a obesidade.

Em alguns casos, pode ser feito uso de medicação, no entanto, isso deve ser avaliado e indicado pelo médico. Pode ser necessária também a realização de cirurgia, o que é avaliado pelo profissional responsável. Quando se envolve fatores comportamentais, pode ser adicionado o acompanhamento de um psiquiatra ou psicólogo

Como evitar a obesidade?

Embora a obesidade envolva também fatores genéticos, algumas atitudes podem auxiliar na sua prevenção. Dentre elas, podemos destacar: dormir bem, de maneira suficiente, pois nesse momento ocorre a liberação do hormônio do crescimento, a somatotrofina, que auxilia na melhora da massa muscular e redução da gordura no corpo; manter uma alimentação saudável desde a infância, com alimentos naturais, evitando alimentos industrializados, principalmente os ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras; e realizar atividades físicas regularmente.

Referências

Das A, Mukhopadhyay S. The evil axis of obesity, inflammation and type-2 diabetes. Endocr Metab Immune Disord Drug Targets. 2011 Mar;11(1):23-31. doi: 10.2174/187153011794982086. PMID: 21348821.

Greenfield JR, Campbell LV. Relationship between inflammation, insulin resistance and type 2 diabetes: ’cause or effect’? Curr Diabetes Rev. 2006 May;2(2):195-211. doi: 10.2174/157339906776818532. PMID: 18220627.

Adler EM. Focus issue: diabetes–fighting fat on multiple fronts. Sci STKE. 2005 Jan 25;2005(268):eg2. doi: 10.1126/stke.2682005eg2. PMID: 15671478.

Ishikawa K, Yokote K. Is obesity an absolute evil? Increase in adipose tissue does not always decrease insulin sensitivity. J Diabetes Investig. 2014;5(3):278-280. doi:10.1111/jdi.12205

https://www.bullfrag.com/obesity-is-a-social-evil/

https://abeso.org.br/obesidade-e-sindrome-metabolica/mapa-da-obesidade/


Cuidado com todas as atividades que requeiram roupas novas

— Henry David Thoreau

Gosta de nosso conteúdo? Assine Esmeril, tenha acesso a uma revista de alta cultura e ajude a manter o Esmeril News no ar!

Esmeril Editora e Cultura. Todos os direitos reservados. 2021
- Advertisement -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais do Autor

Sódio | Herói ou Bandido?

Uma questão de bom senso tão importante quanto o sabor
- Advertisement -spot_img

Artigos Relacionados

- Advertisement -spot_img