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terça-feira, 28 junho, 2022

LITERATURA | Acadêmico brasileiro fala sobre a importância da língua portuguesa

Revista Mensal
Vitor Marcolin
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

O escritor Marco Lucchesi discursou na sede da Unesco em Paris

No último dia 5 de maio comemorou-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa. O escritor brasileiro Marco Lucchesi esteve em Paris a fim de participar de uma conferência na sede da Unesco cujo objetivo era a celebração da Comunidade Lusófona. Lucchesi falou sobre as belezas e características do nosso idioma. O escritor, que também é ensaísta e tradutor, presidiu a Academia Brasileira de Letras entre os anos de 2018 e 2020.

“O português tem uma razão profunda de ser. De um grande império das palavras, que não tem mais um instinto colonial, mas de uma comunidade. As possibilidades de se ver no espelho e de encontrar uma parte de mim que está na África, em Portugal e nas Ilhas, tudo isso faz com que a compreensão de uma língua como a nossa seja uma língua de fronteira. O que significa dizer pátria de poetas, escritores, uma língua que se abre para as diferenças”.

Marco Lucchesi

O português é o quinto idioma mais falado do mundo, com 280 milhões de falantes em todo o planeta; é o principal idioma do Hemisfério Sul. No período histórico conhecido como Renascimento, Portugal, um pequeno país localizado no extremo oeste da Europa, empreendeu um dos maiores projetos de expansão da História: da América à África e Ásia, todo o mundo conhecido foi influenciado pela língua portuguesa.

Marco Lucchesi em entrevista à RFI/Reprodução

É um objeto de interesse permanente para muitos leitores sérios: os principais idiomas modernos tiveram, cada qual, o seu maior representante. Shakespeare deu forma ao inglês; Molière, ao francês; Dante consagrou o italiano; Cervantes, o espanhol. A língua portuguesa foi consolidada por Luís Vaz de Camões que, nos versos d”Os Lusíadas”, exaltou a formação da nação portuguesa e a sua influência permanente no mundo.

“Obviamente, Camões é o grande pai desta língua. Ele nos deu uma embarcação, um mar falado em língua portuguesa. E o trabalho de Fernando Pessoa foi partir desta grande metáfora da navegação. A língua que se navega, a língua que nos navega, a abertura de uma língua para todos os continentes, e que trouxe não somente produtos, mas a maneira de nomear esses produtos”.

Marco Lucchesi

Lucchesi falou também sobre a importância fundamental de estratégias para a valorização da literatura. O escritor ressaltou que há idiomas muito mais complexos do que o português mas que, não obstante, colocam-se no mundo em função de “políticas de Estado fortíssimas” que os divulga e afirma.

“Há línguas muito mais complexas do que a língua portuguesa e que hoje se colocam no mundo porque existem políticas de Estado fortíssimas que decidem que a literatura é um valor. Os valores simbólicos da cultura são essenciais. O que falta é um trabalho forte de Estado, intergeracional, em que a literatura ocupe o lugar que merece”.

Marco Lucchesi

Em Paris, o acadêmico brasileiro falou também sobre a importância dos idiomas dos indígenas, dos negros e dos imigrantes para a formação do português meridional, o português brasileiro. O escritor não economizou nos elogios à sua língua materna, expressou com entusiasmo o seu amor ao idioma de Camões; e citou Eduardo Lourenço, filósofo e escritor português.

“A língua portuguesa é um perfume, um condensado, uma forma de compreender, uma filosofia de interpretação do mundo. Eu me lembro que o grande Eduardo Lourenço dizia que Portugal e Brasil tinham dois defeitos: Portugal estava preso ao labirinto da saudade, e o Brasil é como se não tivesse um pai. Esses dois elementos eram aquilo que deveríamos enfrentar. Portugal abandonar o labirinto e o Brasil reconhecer que teve um pai”.

Marco Lucchesi

Com informações do portal RFI.


“A minha pátria é a língua portuguesa”.

Fernando Pessoa

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