Homem do século XVIII, Casanova, o libertino, contribuiu ativamente para os registros do comportamento humano naquele período histórico

No longínquo 4 de junho de 1798, na Boêmia, República Checa, a morte finalmente alcançara o homem que fora símbolo do vício e da busca pela liberdade sob o lema do hedonismo. Giacomo Casanova, entretanto, se alimentara os referentes de maus exemplos durante os sermões de Padres e Reverendos, ou se fora inspiração para a juventude ingênua e iludida do século do Iluminismo, fora também um escritor de talento. Suas memórias, um compilado valiosíssimo sobre os costumes e comportamento do século XVIII, foram redigidas num estilo elegante e espirituoso — um espelho do autor.

O filósofo Olavo de Carvalho, durante a aula 24 do seu Curso Online de Filosofia (COF), comenta, a partir dos 59min. e 40s., que Casanova fora “um escritor absolutamente maravilhoso, um dos maiores de todos os tempos; um homem que, além de ser um conquistador compulsivo, fora um grande intelecto, um grande matemático, um filósofo, um sábio, uma pessoa fantástica”. No trecho da aula, o professor Olavo discorria sobre a natureza do eu, sobre a estruturação da psique com base em elementos de linguagem e de simbolização. O professor, ainda usando Casanova como exemplo para a sua exposição, lembrou de um trecho das Memórias do escritor no qual ele afirma que sua lembrança mais longínqua, mais ancestral, remontava aos seus oito anos.

No transcurso dos seus 73 anos de vida, Casanova fez de tudo: da extraordinária conquista de centenas de amantes a proxeneta do rei da França, de amante dos livros e escritor notável à criação da loteria francesa. O homem fora um devasso, mas fora também um dos maiores colaboradores dos registros da natureza humana no período histórico em que viveu. Porque muito experienciou os vícios, Casanova pôde escrever sobre eles e assim favorecer a compreensão sobre a natureza humana.

Retrato de Louise O’Murphy encomendado por Casanova ao famoso pintor François Boucher, em 1753. Louise, que na época tinha 13 anos de idade, foi apresentada por Casanova ao rei da França Luíz XV.

“Seus lugares favoritos no mundo eram os bordéis e as bibliotecas”.

Laurence Bergreen, biógrafo e historiador.

Com informações do portal History UOL, da Revista ISTOÉ e do Seminário de Filosofia Olavo de Carvalho.

“Fácil é ter um sonho, difícil é reproduzi-lo na realidade”.

Giacomo Casanova.

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