Quem disse que tradição e beleza são antagônicos?

A beleza é um conceito intrinsecamente ligado à ideia de bem-estar e realização consigo mesmo. Desde os primórdios da civilização, os indivíduos sempre procuraram maneiras de estarem belos e bem cuidados. Questões referentes à estética sempre tiveram relações com os padrões filosóficos e culturais de cada época e ritos de beleza foram elaborados levando em consideração os recursos disponíveis, inclusive movidos por misticismo e religião.

A manutenção da beleza de forma mais efetiva teve início com os egípcios, que elaboraram cosméticos para o cuidado pessoal, para embelezar seus mortos para os enterros e para cerimônia religiosas.

Historicamente, a beleza é uma ideia relacionada à aceitação social, fertilidade e habilidade social e que tem impacto direto na autoestima das pessoas, em especial as mulheres. Quem de nós, ao longo de nosso desenvolvimento, nunca sonhou em tomar posse dos cosméticos e maquiagens da mãe, da irmã mais velha, da avó ou daquela tia legal que sempre viajava e trazia as últimas novidades do mercado da beleza?

Pequenos ritos de beleza são uma tradição, geralmente oral, passada de mãe para filha, e atravessam as décadas, auxiliando a consolidar certos produtos como milagrosos ou, pelo menos, com bastante eficácia. Felizmente, grande parte deles ainda pode ser encontrado nas prateleiras da farmácia e supermercados, com a fórmula original e promessas maravilhosas de nos manter lindas.

Em tempos de desconstrução de padrões sobre a beleza, parece que cuidar de si virou um ato tanto de amor próprio como de resistência aos novos tempos, onde o “ser mulher” ganha novas roupagens, que nem sempre são agradáveis.

Por isso, neste ensaio, traremos um apanhado de produtos de beleza que com certeza as mulheres mais velhas utilizaram e ainda estão vivos em suas memórias. Alguns produtos estão há mais de 100 anos do mercado e permanecem inalteráveis. Isso nos mostra que a sua permanência no mercado depende também da feminilidade, que há tanto tempo vem sendo atacada.

1. Yamasterol

Sem dúvidas, o produto para cabelo mais multifuncional que existe no mercado. À base de babosa, foi projeto para dar brilho e promover hidratação aos cabelos, seu uso pode ser associado a outros produtos como óleos de argan e coco e pode ser usado antes e depois da aplicação do shampoo. Criado em 1967, o Yamasterol ainda é um produto facilmente encontrado, muito querido e que rende muito bem. Atualmente, pode ser achado na versão com queratina e argan.

2. Shampoo Darling

O cheiro mais peculiar do mercado dos shampoos.

O Darling foi uma sensação nas décadas de 80 e 90 e, desde meados de 2017, voltou a fazer parte da rotina de beleza graças ao seu preço extremamente baixo e aos resultados que ele entrega: cabelos hidratados, alinhados e perfumados. Criado e fabricado pela Colgate, o Darling possui atualmente três versões: Ceramidas, Tília e o 2×1, com shampoo e condicionador no mesmo produto.

3. Creme Rugol

O primeiro centenário da lista. O Rugol foi criado em 1919 pelo laboratório Alvim & Freitas, que leva o nome de seus dois criadores.

Tradicionalíssimo no mercado, o Rugol é rico em vitamina E e promete hidratação e viço para o rosto, pescoço e mãos. Atualmente, o produto ainda é facilmente encontrado e produzido pelo Laboratório Aclimação, o sucessor do Alvim e Freitas. Na página da marca, ainda é possível encontrar outros produtos de seu catálogo, como óleos, perfumes e sabonetes.

4. Rímel Ultra Lash Maybelline

A história da Maybelline começou em 1913, com os irmãos Thomas e Maybel. Thomas era químico e junto de sua irmã, promoveram uma revolução na indústria da beleza desenvolvendo a primeira máscara de cílios da história. O contexto para a criação do produto é o mais improvável possível: Thomas descobriu que sua irmã estava apaixonada por um homem que não estava interessado nela. Tentando chamar a atenção do rapaz, Maybel resolveu realçar seu olhar, aplicando vaselina em seus cílios.

Ao ver a cena, Thomas teve a ideia de acrescentar carbono em pó na vaselina, o que rendeu a Maybel um olhar realçado e charmoso. A produção do produto começou de fato em 1915. Na década de 60, a Maybelline lança a máscara Ultra Lash, à prova d’água e vendida na embalagem icônica nas cores verde rosa, que ainda possui milhares de adeptas, principalmente nos Estados Unidos.

5. Creme Nivea

Latinha azul com letras brancas. Só em falar essas características, sabemos do que se trata: Creme Facial Nivea, produto ainda presente de forma massiva nas prateleiras (inclusive a minha). Lançado em 1911, o creme possui propriedades hidratantes, porém, parte dos usuários não sabe, seu uso não é recomendado para o rosto, mas sim para partes do corpo como cotovelos, mãos e pés.

Em sua composição, leva parafina e outros componentes para o tratamento de áreas de extremo ressecamento, o que não se aplica à face. Logo, a Nivea lançou produtos exclusivos para a face, como o Creme Nutritivo e o Antissinais, mas a latinha azul centenária ainda é amplamente utilizada, inclusive na hidratação da pele com tatuagens recentes.

6. Hidratante Colágeno e Elastina St. Ives

O hidratante St. Ives é um daqueles produtos que incita nossa memória olfativa. Agora mesmo consigo sentir seu cheirinho, que vem acompanhado de uma bela palmada que levei da minha mãe por ter usado o frasco inteiro.

A marca argentina St. Ives é uma incógnita no mercado, pois nem em seu próprio site é possível achar o ano de fundação. O que se sabe é que ela produz hidratantes, protetores solares e produtos faciais.


Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece.

– Franz Kafka

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