A equipe Esmeril costura fatos, áudios, fotos e acordos inconfessos em busca de explicações para o retumbante fracasso dos conservadores nas eleições municipais em São Paulo

Para quem gosta de política, a Série norte-americana “House of Cards” foi um prato cheio! As 6 temporadas de intrigas, corrupção e traição produzidas pela Netflix, contudo, nunca conseguiram competir com os noticiários brasileiros.

Em 2017, a série fez tanto sucesso no Brasil que as pessoas insistiam em perguntar se haveria uma versão baseada em nossa realidade. A resposta do perfil oficial da empresa no Twitter foi sincera:

“Eu até tentaria, mas se eu reunisse 20 roteiristas premiados, não conseguiria chegar numa história a essa altura…

A última temporada da série saiu em 2018, antes de que os roteiristas pudessem presenciar as eleições municipais deste ano. Sorte deles, pois se em 2017 já se sentiam incapazes de reproduzir nosso ambiente político, este ano entrariam em completa depressão! Tramas televisivas à parte, o universo nacional de teorias conspiratórias, conchavos políticos e campanhas eleitorais é muito mais interessante!

Conspiração tucana ronda São Paulo

No início deste ano, correu o “boato” de que o PSDB teria reunido todos os partidos com o objetivo de estabelecer um acordo que garantisse a reeleição do atual Prefeito de São Paulo, Bruno Covas. Para tanto, nenhum partido deveria lançar à disputa pela prefeitura candidatos aptos a fazer frente ao pleiteante à reeleição. Os mesmos “boatos” sugeriam que os partidos interessados em aderir tinham duas opções:

  1. Entrar na coligação e receber em troca cargos, secretarias e subprefeituras, além de contribuição financeira para campanha de seus vereadores;
  2. Lançar candidatos inexpressivos para dividir votos na direita bolsonarista, com a promessa de futura participação no governo e recursos para campanha de vereadores recebido “por fora”.

Apesar de isso não passar de “boato”, a conformação do cenário eleitoral na capital paulista deu contornos de realidade a esse diz-que-diz-que. Vejamos de que forma.

Em torno da candidatura de Bruno Covas, criou-se uma poderosa aliança de 11 partidos: PSDB, PP, PODEMOS, MDB, PSC, PL, CIDADANIA, DEM, PTC, PV e PRO.

No espectro da “direita”, o REPUBLICANOS, tradicional aliado do PSDB, de início tentou emplacar Celso Russomano como vice de Bruno Covas. Diante do insucesso, acabou lançando-o como candidato próprio. Curiosamente, o partido, mesmo fazendo “oposição”, manteve seus cargos e secretarias tanto no Governo do Estado como na Prefeitura.

Aliados ou concorrentes?

O PSL insistiu na candidatura de Joice Hasselmann, conhecida aliada do Governador João Doria. O PATRIOTA, por sua vez, ,entrou na Disputa com Arthur do Val, integrante do MBL cujas ligações com o PSDB são de conhecimento público e notório. O NOVO lançou Felipe Sabará e o PSD, Andrea Matarazzo, ambos ex-integrantes da gestão João Dória.

O PRTB merece capítulo à parte. O partido nanico insistiu em lançar o caricato Levy Fidelix, mesmo tendo em seus quadros nomes de peso da direita bolsonarista. No mínimo, curioso… Retrocedamos um pouquinho.

O papel do PRTB no jogo

No início do ano, ativistas e militantes bolsonaristas buscavam uma legenda para candidatar-se. A maioria dos partidos, fechados com a atual gestão PSDBista, ou recusou a legenda ou não agradou aos pretensos candidatos. O PRTB, aproveitando-se do fato, abriu as portas para todos e se apresentou como “único partido de direita”, o partido do vice-presidente General Mourão, e o único que seria apoiado pelo Presidente Bolsonaro. Por inocência, pragmatismo ou oportunismo, muitos caíram no conto do vigário. Alguns passaram até mesmo a defender Levy Fidélix como melhor candidato a prefeito na atual eleição.

A direita tem memória curta. Levy foi intenso apoiador do PT na era Lula e Dilma, até bandear-se para o lado do PSDB em 2014, quando parecia que Aécio Neves venceria o pleito para Presidência da República no segundo turno. Virada ideológica, oportunismo ou escolha do menos ruim, jamais saberemos, não é?

No ano passado, a revolta dos conservadores bolsonaristas com o PRTB, e com a figura de Levy Fidélix, fervia nas manifestações da Avenida Paulista. As acusações de traição eram comuns nos grupos da Direita. Levy Fidélix chegou a sugerir que o General Mourão poderia concorrer à Presidência contra Jair Bolsonaro. O partido foi, inclusive, procurado por deputados do PSL que se distanciaram do presidente, em busca de uma aliança.

Em 2018, no último debate entre os candidatos a Governador, o PRTB deu sinais de seu alinhamento com o PSDB quando o candidato-genro do Levy Fidelix fez dobradinha com João Doria. Uma troca de elogios e afagos que arrancou risos da plateia e dos demais candidatos.

No segundo turno, o PRTB foi o único partido a apoiar João Doria, intermediando, inclusive, a aproximação do mesmo com o General Mourão, desde aquela época pronto a contrariar, aqui e ali, as orientações do Presidente.

O apoio poderia se justificar como decisão ideológica, corroborando o discurso atual. Mas vamos aos fatos. Rodrigo Tavares, genro de Levy Fidelix, é funcionário público concursado da Prefeitura de Guarulhos, onde exerceria o cargo de Agente de Serviço de Saúde. Exerceria, pois sempre ocupou cargos comissionados, fruto de acordos políticos estabelecidos pelo PRTB com as administrações eleitas naquela cidade.

Em 2013, foi nomeado Procurador-chefe do Município pelo então prefeito Sebastião Almeida, do PT, conforme se lê no Diário Municipal de 23/04/2013. O vínculo do PRTB com a esquerda, porém, prossegue mesmo depois de 2014, quando o próprio Levy afirmou ter se afastado do PT. Em 2017, o afilhado político do Marcio França, eleito prefeito de Guarulhos pelo PSB, beneficia mais uma vez o genro do Levy Fidelix, nomeando-o Chefe de Departamento, conforme Portaria nº 1.604/2017, sendo exonerado apenas em maio de 2018, a fim de cumprir a legislação eleitoral para concorrer a Governador naquele ano.

Os conchavos não param por aí e comprovam o não é segredo entre os mais avisados: o PRTB não é, nunca foi, um partido ideológico, e sim fisiológico e oportunista. O apoio ao então candidato ao Governo de São Paulo, João Dória, não foi motivado por razões ideológicas. O preço daquele apoio foi cobrado insistentemente, culminando na nomeação de Rodrigo Tavares ao cargo de vice-superintendente de gestão do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo, cargo de que se desvinculou em fins de 2019 para concorrer à Prefeitura de Guarulhos sem deixar transparecer a proximidade com o atual governador.

Jogos, ciladas e ameaças fumegantes

Comprovada a história do PRTB e seus conchavos (ops, alianças), acrescida do “boato” a que aludimos, não é preciso muita inteligência para notar o protagonismo do partido em neutralizar o bolsonarismo na eleição municipal de São Paulo. Quanto às proporcionais, atrair os conservadores a uma chapa fadada ao insucesso foi, convenhamos, o golpe de mestre. Mesmo com ativistas renomados que alcançaram votação expressiva, o PRTB não elegeu ninguém.

Mas a sanha aniquiladora do PRTB não parou por aí. Apesar da controversa candidatura de Celso Russomano, foi ele o candidato escolhido pelo Presidente. O natural seria um partido de direita, com candidatos conservadores, fazer oposição forte aos candidatos da esquerda. Mas não foi o que ocorreu! Nenhuma crítica aos candidatos da esquerda; silêncio sepulcral quanto aos atos nefastos do PSDB; ataques diretos a Celso Russomano e outros conservadores que não cederam aos “encantos” do profeta do Aerotrem.

Levy Fidélix e sua horda de asseclas deram início a uma campanha difamatória contra o candidato do presidente e candidatos conservadores que recusaram filiar-se ao malfadado PRTB. Sonaira Fernandes e Caique Mafra, no Republicanos, e Major Costa e Silva, no PTB, foram amplamente criticados por candidatos do PRTB. O PTBista, considerado à época como favorito na eleição, foi alvo de ações diretas da chapa majoritária.

Como publicado anteriormente nesta revista, Levy Fidélix entrou com duas desastradas ações de direito de resposta contra o Major Costa e Silva, vindo à público que uma das articuladoras dos ataques era… a namorada de seu vice, Jairo Glikson. A revelação deixou os dirigentes do PRTB muito incomodados. A partir dali, surgiram ameaças de passar ao jogo sujo para implodir a campanha do Major Costa e Silva, como revela este áudio:

A ameaça foi cumprida. Na última semana de campanha, deram início a um trabalho difamatório contra o Major Costa e Silva, espalhando meias verdades, distorcendo fatos e tentando denegrir a imagem do candidato. De mensagens padronizadas em grupos de Whatsapp a publicações no Facebook, toda tática valia na tentativa desesperada de quem não teve competência para buscar votos, mas mostrou proatividade em dissipar a candidatura alheia.

Embora seja inviável avaliar o efeito do ataque na campanha do PTBista, é possível avaliar as consequências das ações coordenadas e/ou desastradas do PRTB para o conservadorismo e o bolsonarismo. Apenas uma candidata, Sonaira Fernandes, diretamente apoiada pelo Presidente e com campanha constante nas redes dos Deputados Gil Diniz e Eduardo Bolsonaro logrou êxito.

Não por acaso, começamos a matéria afirmando que, no cenário brasileiro, a baixeza de “House of Cards” é coisa de amadores…

fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

5 Comments

  1. Nesta foto são todos traidores da pátria, da terra e povo brasileiro. GENTALHA DA PIOR ESPÉCIE NO PODER DE NOSSAS VIDAS.

    Para mim eleições é tudo fraude é como professor Loryel Rocha diz o brasileiro nunca votou em ninguém todos os candidatos que são eleitos eles são escolhidos e pré-designados para seus cargos pelos poderes supranacionais que governam tiranicamente nosso país desde a proclamação da independência.

    Eu particularmente sempre vi o movimento de esquerda, muito inteligente, mas de extremo mau caráter, onde gente muito canalha ou muito ignorante se associa, mas sempre vi o movimento de direita, uma gente muito bem intencionada, mas muito burra…
    E isso não mudou, ficou ainda pior com a corrupção cultural, pois agora a direita, se torna uma falsa direita, por levar adiante a bandeira de esquerda mesmo sem perceber, como se fosse sua própria bandeira.

    Lembro sempre da lei de Darwin, que os fortes prevalecem.

    https://revistaesmeril.com.br/especial-eleicoes-por-que-a-direita-nao-teve-chance-em-sao-paulo/

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