Como a Alemanha poderia ter Vencido a Segunda Guerra Mundial? Conheça a Linha do Tempo Alternativa onde o Conflito teria tido um Desfecho Diferente

A Segunda Guerra Mundial começou em 1° de Setembro de 1939, com a invasão da Polônia por parte dos alemães. No ano seguinte (1940), de Abril a Junho, seria a vez da Europa Ocidental ser varrida pela Blitzkrieg (guerra-rêlampago) alemã. Caindo perante o poderio militar da Wehrmacht: Dinamarca, Noruega, Luxemburgo, Holanda, Bélgica e a França. Restando apenas a Inglaterra.

Soldados alemães marchando em um Desfile.

Mas em Junho de 1941, ao voltar os olhos para a imensa URSS, a Alemanha passaria pelas maiores dificuldades estratégicas e logísticas possíveis por terem que lutar em duas frentes. Sendo decisivo para ambos os lados a Batalha de Stalingrado (1943), o ponto de virada do conflito na Europa. De onde começaram a recuar até que, em Maio de 1945, os soviéticos finalmente conquistaram Berlim, a capital alemã.

A Segunda Guerra Mundial terminaria somente em 02 de Setembro de 1945, com a rendição das forças do Império Japonês na Ásia. Mas essa região do conflito não será o foco desse artigo.

Famosa foto do beijo entre um marinheiro e uma enfermeira na Times Square (New York-USA) nas comemorações do término do conflito em Setembro de 1945.

Tudo isso ocorreu por conta do objetivo nazista de que um ”Großgermanisches Reich” (Grande Reich Germânico) fosse concretizado. O anseio predador por novos territórios na visão geopolítica Nacional-Socialista Alemã, que ia além de simplesmente reconquistar os antigos territórios germânicos perdidos ao fim da Primeira Guerra Mundial, tinha raízes no antigo conceito do antropogeográfico Friedrich Ratzel. De um ”Lebensraum” (Espaço Vital) para o povo alemão, da ”Drang nach Osten” (Necessidade de Ir para o Leste).

Mapa teórico do ‘Großgermanisches Reich” (Grande Reich Germânico) e seu ”Lebensraum” (Espaço Vital).

Com o início do conflito, esse plano saiu do papel e ganhou corpo técnico-administrativo. O Generalplan Ost (Plano Geral do Leste), para limpeza étnica e colonização do Leste Europeu por parte do Governo Nazista, via sua Schutzstaffel (SS) em seus Reichskommissariate (Territórios Ocupados).

Mapa real dos territórios que a Alemanha Nazista conquistou em seu ápice de expansão durante o conflito.

Em inúmeros momentos o Mundo realmente correu o enorme risco de uma Vitória Alemã, que pareceu inevitável. Mas por conta de alguns problemas estratégicos, logísticos, de inteligência e uma pitada de azar, a maré virou e quem conquistou uma Vitória decisiva foram os Aliados.

Segue alguns momentos, projetos e estratégias que poderiam ter colaborado para uma vitória alemã

(a) Dunkirk

Montagem baseada na propaganda alemã demonstrando os ingleses e franceses cercados em Dunkirk (França).

Em 26 de Maio de 1940, durante a Batalha de Dunkirk, se iniciava a Operação Dínamo, com o intuito de retirar das praias da Franca aproximadamente meio milhão de soldados ingleses e franceses, que tinham batido em retirada devido ao avanço esmagador da Wehrmacht alemã. Inúmeras embarcações civis de passeio e militares foram deslocadas para tal. Como resultado, 85% dos homens foram salvos. Hitler tinha perfeitas condições de destruí-los na praia, mas permitiu que as tropas britânicas voltassem para casa somada a inúmeros soldados franceses que retornariam no Dia-D (1944). Ao acreditar que um diálogo e acordo com a Inglaterra ainda era possível, Hitler perdeu uma chance de esmagar completamente, com um golpe, grande parte do último bastião de resistência que existia contra ele na Europa até então.

(b) Operação Leão Marinho

Plano estratégico da invasão do Reino Unido pelas Forças Alemãs (1940).

A Operação Leão Marinho foi o plano dos alemães para a invasão do Reino Unido, após terem conquistado a Dinamarca, Noruega, Luxemburgo, Holanda, Bélgica e a França. A invasão acabou não se concretizando, pois sua fase inicial necessitava da fragilização logística militar do Reino Unido, através de ataques aéreos feitos pela Luftwaffe (Força Aérea Alemã). O que não foi possível devido a brilhante defesa da RAF (Força Aérea Real) durante a Batalha da Grã-Bretanha.

Mas se os alemães tivessem focado totalmente nos seus submarinos U-Boats na Batalha do Atlântico – para isolar os britânicos de suprimentos enviados pelos navios americanos -, ao invés de focar na Luftwaffe nos céus de Londres, um resultado diferente do conhecido seria possível.

Se os alemães tivessem iniciado o conflito com a mesma quantidade de submarinos que dispunham quando ele terminou (463), e não com os 26 operacionais de que dispunham em 1939, realmente poderiam ter conseguido sufocar e fragilizar a logística dos britânicos para uma invasão.

(c) Atraso na Invasão da URSS

Avanço alemão na URSS (1941).

Em 22 de Junho de 1941, se iniciava a invasão da União Soviética pela Wehrmacht (Operação Barbarossa), uma das maiores campanhas militares de todos os tempos.

A operação era para ter sido iniciada em 15 de Maio, mas por inúmeros fatores – entre eles que Mussolini necessitou de apoio alemão em sua batalha contra a Grécia – o fizeram atrasar cinco semanas. Ao alocarem equipamentos logísticos em outra região, fragilizaram suas forças de invasão. Além de perder um tempo que seria crucial em momentos futuros, como na chegada do inverno em Dezembro.

(d) Batalha de Moscou

Situação estratégica às portas de Moscou em 5 de Dezembro de 1941.

Em 1° de Dezembro de 1941, as principais forças alemãs chegaram a 17 quilômetros dos portões de Moscou e 27 quilômetros do Kremlin e da Praça Vermelha. Mas não conseguiram se aproximar devido à feroz resistência soviética.

Em 5 de Dezembro de 1941, ocorre a primeira nevasca do mais severo inverno que chegara antecipadamente, o inicio do inverno europeu mais frio do século XX. Na frente de batalha a temperatura cai para incríveis -38°C. Apesar de todos os esforços realizados, a Wehrmacht não estava equipada para uma guerra de inverno tão severa. Paralisadas, as tropas alemãs tomam então uma simples posição defensiva. A ofensiva do Eixo a Moscou parou.

Em choque, Hitler substitui diversos Generais e Marechais do Comando e assume o controle pessoal do Exército Alemão em 19 de Dezembro de 1941. No fim da contraofensiva soviética, em 7 de Janeiro de 1942, os alemães foram empurrados de volta a Rzhev, a 160 quilômetros de Moscou.

Com grandes baixas para ambos os lados, o contra-ataque livrou os soviéticos da ameaça de perder Moscou. Apesar do motivo mais comum da derrota alemã nessa batalha seja atribuída somente ao inverno severo e precoce, na verdade, se trata da falta de logística militar alemã. A guerra não estava definida ainda, os alemães poderiam ter tido apenas um contratempo e os soviéticos poderiam ter ganhado apenas uma batalha.

(e) Batalha de Stalingrado

Mapa do avanço alemão na Frente Oriental em direção ao Cáucaso em 1942.

Com a derrota alemã na Batalha de Moscou, em Dezembro de 1941, por conta de problemas logísticos e o inverno precoce. O próximo alvo da maquina de guerra alemã, em Agosto de 1942, seriam os campos petrolíferos e os minérios do Cáucaso ao sul, para alimentar seu exército que não detinha a capacidade para uma guerra de longo período, para a dominação total da URSS. Uma ótima jogada estratégica. Mas antes de chegar lá, teriam que passar por Stalingrado.

A conquista inicial da cidade foi relativamente muito bem sucedida. Os alemães conseguiram empurrar os soviéticos para a margem oeste do rio Volga. Mas em Novembro de 1942, o Exército Vermelho lançou a Operação Urano, um ataque em duas frentes, um movimento de pinça semelhante a ”Blitzkrieg” (Guerra-Relâmpago) utilizada pelos alemães, visando às forças do Eixo formadas por soldados romenos e húngaros, que protegiam os flancos do 6º Exército alemão. As forças do Eixo nos flancos foram então invadidas e o 6º Exército cercado.

Em vez disso, foram feitas tentativas más elaboradas para suprir o exército por via aérea e quebrar o cerco do lado de fora. Algo que foi impossibilitado, tanto pelo mau tempo tanto pelo fato de que as necessidades básicas eram de 800 toneladas diárias e a frota aérea alemã só seria capaz de abastecê-los com menos de ¼ disso.

Hitler ordenou que o seu 6º Exército ficasse em Stalingrado, resistisse e não tentasse fugir. Se tivessem recuado taticamente, um resultado diferente do conhecido era totalmente possível. Pois poderiam se reorganizar e recuperar forças para uma nova ofensiva futuramente.

(f) O Bloco do Eixo não era estrategicamente alinhado

Propaganda do Eixo com Hitler, Hirohito e Mussolini.

O Bloco das forças do Eixo formado pela Alemanha, Itália e Japão, surgiu para assegurar mutualmente os seus interesses expansionistas em suas áreas de atuação geopolítica. Mas apesar do imaginário popular que existe acerca do bloco, eles não detinham seus esforços coordenados e falharam em trocas básicas de informações e equipamentos. Se existisse uma coordenação militar de fato entre essas nações, episódios como o ataque japonês aos norte-americanos em Pearl Harbor (Hawaii), a invasão de Mussolini na Grécia e a invasão da URSS apenas pelos alemães, teriam sido repensados e melhor coordenados.

(g) Programa Nuclear Alemão, Programa de Mísseis e Caças a Jato

Experiência “Trinity”, o primeiro teste nuclear da história, realizado pelo Projeto Manhattan (que contava com inúmeros cientistas alemães refugiados). Em 16 de julho de 1945 no Novo México (EUA).

Com uma bomba atômica antes dos Aliados, Hitler poderia ter mudado totalmente o resultado do conflito que nós conhecemos. Alguns físicos e demais cientistas foram convocados pelo governo nazista para esse intuito e disseram que não seria viável naquele momento, por falta de recursos e tempo, a construção de armamentos com base naquela nova ciência. Imaginando que seus inimigos também pensariam assim. Continuaram a investir em física atômica e a terem pequenos avanços, mas nada comparado ao empenho e recursos que os Americanos, por exemplo, aplicaram nessa área.

Esse grupo intelectual contava com poucos cientistas, já que muitos dos gênios brilhantes formados nessa pasta na Alemanha eram das ”raças inferiores” – segundo a estúpida cartilha ideológica nazista – e que pela ironia do destino, ao saírem do país, foram participar do Programa Nuclear Americano (Projeto Manhattan), responsável pela construção das bombas utilizadas em Hiroshima e Nagasaki. Se os alemães tivessem concentrado tempo e recursos (como os americanos no Projeto Manhattan), ao invés de mantê-los separados em pequenos grupos dispersos, talvez tivessem conseguido obter essa arma apocalíptica.

Um desbravamento nos armamentos nucleares por parte dos alemães é um cenário hipotético, mas absurdamente avançado, foi o seu Programa de ”Bombas V”. Essas Bombas Voadoras não tiveram todo o empenho que poderiam ter tido. O programa foi suspenso em Novembro de 1939, por conta da rápida vitória na Polônia. Sendo reativado somente em Setembro de 1941 e tendo alta prioridade somente em Julho de 1943.

Bomba Voadora ”V-1” (que foi o primeiro míssil moderno guiado).
Bomba Voadora ”V-2” (que foi o primeiro míssil balístico).

Outro pioneiro que sofreu igualmente foi o ”Messerschmitt Me 262”, o primeiro caça a jato para uso operacional da história. Anos à frente em termos de projeto e desempenho quando comparado aos equipamentos dos Aliados, mas não teve a devida prioridade, chegando tarde demais para mudar o curso da guerra. Se tivessem começado mais cedo a produção em grande escala desse caça, seriam capazes de proteger os seus grandes centros industriais, impedindo que os bombardeiros aliados o destruíssem.

”Messerschmitt Me 262”, o primeiro caça a jato para uso operacional da história).

(h) Indústria de Guerra

Entre as penalidades que a Alemanha sofreu com o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a partir do Tratado de Versalhes, foi uma redução no quadro de seus soldados e dos equipamentos militares à disposição. A indústria bélica alemã foi impedida de fabricar novos armamentos pesados e de grosso calibre.

Linha de produção de tanques alemães.

Com a ascensão de Hitler ao poder (1933), foi iniciado um programa secreto de rearmamento, que estava previsto para ser concluído a partir de 1943. Pois não contava com adesão em massa de toda indústria disponível.

O Alto Comando Alemão alertara Hitler que o país ainda não estava preparado para uma guerra de grandes proporções em 1939. Apesar da vitória rápida sobre a Polônia, sofreram diversos reflexos desse despreparo. Um terço das divisões alemãs não possuía equipamentos suficientes e sofriam de uma severa escassez de oficiais e de carros de combate para sua Blitzkrieg (guerra-relâmpago).

Maior exemplo disso, foi o desempenho dos alemães em seu avanço pela URSS, a partir de 1941. Principalmente na Batalha de Moscou e Stalingrado. Onde cada vez mais a Wehrmacht dava graves sinais de problemas logísticos. Ainda mais em um território com carência de estradas (muitas em situação de lamaçal devido à neve que derretia) e de ferrovias em boas condições (muitas eram sabotadas pelos soviéticos e tinham bitolas diferentes dos trens alemães). Passavam por uma imensa dificuldade de reposição rápida de equipamentos, que iam da Alemanha para o Campo de Batalha. As tropas começaram a então sofrer uma falta de armamentos, munições, combustíveis, provisões, suprimentos, remédios e equipamentos (principalmente para o inverno). O complexo industrial-militar alemão não conseguia compensar as perdas em um tempo hábil.

Somente em 1943, precisamente em 18 de Fevereiro, o Governo Alemão – em um discurso inflamado de Joseph Goebbels (Ministro da Propaganda) – anuncia que todos os recursos do país serão integralmente utilizados para a guerra. Uma ”Totaler Krieg” (Guerra-Total) industrializada. Esse episódio ocorreu dezesseis dias após a derrota alemã em Stalingrado.

Ao adiarem uma produção em massa de guerra (de armamentos e equipamentos) perderam um tempo precioso que dificilmente poderia ser recuperado. Se tivessem preparados logisticamente, mesmo com os erros estratégicos no campo de batalha, poderiam ter superado as adversidades.

O Mundo com uma Vitória Alemã

Em um Universo Paralelo onde os alemães fossem vitoriosos no conflito, os papeis dos atores geopolíticos seriam totalmente redesenhados.

Maquete representando a ”Welthauptstadt Germania” (Germânia, a Capital do Mundo), capital alemã planejada para ser construída após a vitória
da Alemanha no conflito.

Com o sucesso do Bloco do Eixo em seus objetivos; a Alemanha teria em suas mãos a Europa, a Itália teria o mediterrâneo e o norte do continente africano, Japão teria a Ásia e a Oceania.

Cidade de New York sob domínio Nacional-Socialista na série “The Man in the High Castle” (Amazon Prime Video). A série se passa em um universo em que o Bloco do Eixo foi vitorioso.

Uma segunda escalada para assegurar o restante dos demais continentes, e principalmente, as Américas, seria inevitável.

Mapa Mundi do Ano de 1962 na série “The Man in the High Castle” (Amazon Prime Video). A série se passa em um universo em que o Bloco do Eixo foi vitorioso.

Os grupos de resistência aliados teriam que se reagrupar, modernizar e inovar novos modos de luta contra esse enorme império que se assentava sobre o globo.

Referência

THE NAZI PARTY, United States Holocaust Memorial Museum, acessado pela última vez em 11 de Maio de 2021 – https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/the-nazi-party-1

AXIS ALLIANCE IN WORLD WAR II, United States Holocaust Memorial Museum, acessado pela última vez em 11 de Maio de 2021 – https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/axis-alliance-in-world-war-ii

THE SOVIET UNION AND THE EASTERN FRONT, United States Holocaust Memorial Museum, acessado pela última vez em 11 de Maio de 2021 – https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/the-soviet-union-and-the-eastern-front


“Iremos até o fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com confiança crescente e força crescente no ar, defenderemos nossa ilha, qualquer que seja o custo. Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos (…)”

– Primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, trecho do discurso “We Shall Fight on the Beaches“(Lutaremos nas Praias). Câmara dos Comuns, Parlamento do Reino Unido, 4 de Junho de 1940.

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