Com o propósito de “purificar a literatura alemã’, montanhas de livros viraram cinzas. Escritores laureados com o Nobel de Literatura, como Thomas Mann, tiveram suas obras queimadas

Recentemente, um youtuber de talento questionável e popularidade relativa, publicou um vídeo no seu canal na plataforma no qual, depois de se esforçar para desacreditar a imagem do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, lança, um a um, os livros do intelectual ao fogo. O youtuber que aparenta ser um músico já gozou de considerável popularidade no YouTube. Quando apoiou o Governo Bolsonaro seu canal atraiu milhões de inscritos, mas depois que passou a criticar o governo que apoiara seu canal foi à mingua. O filósofo e escritor Olavo de Carvalho, intelectual reconhecido internacionalmente, tem sido saudado por significativa parcela da crítica por seu estilo que domina a didática filosófica mas, sobretudo, pelo sucesso das suas análises no âmbito da política. Desde, pelo menos, os anos 1990 Olavo de Carvalho faz previsões acertadas sobre o delineamento da conjuntura política. A relevância do seu trabalho intelectual prova a injustiça que o youtuber cometeu ao queimar os seus livros.

Maio de 1933: multidão se aglomera na praça Bebelplatz, em Berlim, para assistir à queima de livros

Mas não é de hoje que intelectuais têm seus livros queimados. A História é testemunha das inúmeras ocasiões em que, valendo-se da trapaça da propaganda negativa, da calúnia e da difamação — ou simplesmente da mais pura violência física — os representantes desta ou daquela ideologia incrementaram monstruosas campanhas para a queima das obras que julgavam “ameaçadoras” para os seus regimes. Naquele 10 de maio de 1933 os Nazistas, crentes que estavam favorecendo a literatura “pura” do Terceiro Reich, atearam fogo em montanhas de livros nas praças públicas de toda a Alemanha. Literatos de importância significativa, como Thomas Mann, que ganhara o Nobel de Literatura em 1929, tiveram suas obras queimadas. Mas não somente ele. Stefan Zweig, que viveu no Brasil e escreveu, dentre outras obras, “Brasil, país do futuro“, também teve seus livros queimados. Sigmund Freud, Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch, também.

Tudo que aos olhos dos nazistas pudesse despertar a crítica ao regime era queimado. A literatura que, portanto, desaprovasse a condução da nação sob a batuta de Hitler era alvo de ferrenha retaliação. Para que o regime vingasse era necessário que todo o aparato da cultura estivesse submetido à causa nazista. Os meios de expressão, a mídia, os jornais, as editoras, os círculos literários, em suma, os meios através dos quais as ideias pudessem circular passavam pelo crivo do juízo nazista. Como se vê, é velha a história de que antes de derrotar o inimigo no campo de batalha tem-se que subjugá-lo no campo cultural.

Garoto membro da juventude hitlerista lançando um livro ao fogo

Com informações da agência de notícias alemã DW.

“Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”.

Heinrich Heine

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