Nesta última semana, uma iniciativa cultural promissora renovou os ânimos de parte significativa da direita brasileira. Dia 8, em Brasília, ocorreu o lançamento do Instituto Conservador-Liberal (I.C.L.). Presidido por Eduardo Bolsonaro e administrado por Sérgio Sant’Ana, o I.C.L. pretende suprir uma lacuna nas esferas política, cultural e acadêmica do Brasil.

Hoje, a Direita brasileira carece de tudo: auto-compreensão; identidade; organização; base; instituições; e até de partido político. Por um afortunado acidente, tem o Executivo federal – o que não é pouco. Mas sem o resto, o próprio exercício de governo acaba visivelmente prejudicado.

O Brasil ainda não tem uma Direita consolidada e forte, capaz de participar da política nacional e disputar os poderes eletivos em pé de igualdade com a Esquerda. Visando responder a esta necessidade que se estabeleceu o I.C.L.  

A tarefa é hercúlea e não será concretizada da noite para o dia. Contudo, o instituto tem em vista liderar um processo, e não realizá-lo sozinho. O I.C.L. não foi criado sobre respostas, mas principalmente sobre perguntas; e espera-se que iniciativas semelhantes – novas e já existentes – possam colaborar com o sucesso da empreitada.

A inspiração do instituto é abertamente americana. No próprio lançamento, falou-se em “copiar e colar” o Heritage Foundation. Contudo, não parece se tratar de cópia. Caso fosse, seria de se esperar que o instituto brasileiro fosse chamado de Fundação Herança e que seus documentos fossem uma tradução direta dos da fundação americana. Não há nada disso.

O I.C.L. é, antes de tudo, brasileiro. Os seus fundadores passaram um longo período preparando seus documentos constitucionais, partindo do zero, e buscando colaborações aptas a agregar opiniões divergentes. Ainda, fez-se questão de que o instituto carregasse “liberal” no seu nome – algo impensável para a Direita americana, porém fundamental para a congênere brasileira.

A influência americana transparece na preocupação do instituto com excelência. Em sua relação de valores, lê-se: “Formação de paradigmas de excelência”.

O Heritage tem 50 anos de existência e é o mais influente think tank dos Estados Unidos. A sua longevidade e influência são os traços que o I.C.L. pretende “copiar e colar” com sua atuação no Brasil. Ademais, tampouco se nega haver no instituto outros modelos, como, por exemplo: a A.C.U.; o Leadership Institute; a PragerU; e a Philadelphia Society.

Apoiado em bases sólidas, o instituto é fruto do esforço de várias pessoas e resultado de um delicado arranjo entre diversas posições distintas. A balança das divergências políticas não pára em equilíbrio. É preciso estar sempre ajustando-a; seja dentro da Direita, seja na comunidade como um todo. De fato, isso é válido para toda e qualquer associação de pessoas.

O I.C.L., portanto, se revela como iniciativa em permanente construção: nunca pronto; jamais perfeito e acabado. A pretenção de que seja sempre assim foi afirmada no lançamento. Essa condição de incompletude, aliás, é o único jeito para que o instituto possa ser, concomitantemente, conservador e liberal.

Não há, pois, por que se falar em “instituto bolsonarista”. O I.C.L. se apresenta como uma iniciativa maior do que isso:

Nossa atuação não está restrita ao momento atual, pois carrega obrigações com as gerações que nos antecederam, e igualmente dirigidas às que nos sucederão…

Eduardo Bolsonaro, presidente do ICL, também se expressou a esse respeito:

Não é para eleger o Eduardo Bolsonaro, não; é para nós fazemos uma base. Porque o Jair Bolsonaro não é perene. Um dia ele vai morrer, e este movimento tem que continuar“.

Se o I.C.L. vai conseguir se tornar o que almeja, se vai atingir os objetivos propostos, não são questões passíveis de repsosta imediata. Neste momento, o ponto relevante é a necessidade premente de organizações dessa ordem.

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