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quinta-feira, 27 janeiro, 2022

Ouro na tumba: arqueólogos descobrem um verdadeiro tesouro na Ilha de Chipre

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Mais de 150 esqueletos humanos e 500 joias de ouro requintadas foram descobertas em túmulos da Idade do Bronze

A Ilha de Chipre localiza-se na porção oriental do Mar Mediterrâneo, ao Sul da costa da Turquia e a Leste da costa da Síria e do Líbano. A presença humana no local é tão antiga quanto as primeiras civilizações que despontaram no vale da Mesopotâmia; assim, os sinais mais antigos da presença humana na Ilha remontam a milhares de anos antes da Era Christã. Dada a relevância do local para as prospecções arqueológicas, há décadas os pesquisadores realizam escavações no local a fim de encontrar registros do passado. E eles têm encontrado.

Recentemente, uma equipe de arqueólogos da Universidade de Gotemburgo — Suécia — concluiu os trabalhos de escavação de dois túmulos datados do período pré-histórico conhecido como Idade do Bronze (c. 3300 a.C. — c. 1200 a.C.) na região de Hala Sultan Tekke, na Ilha de Chipre. Para além dos restos mortais — estimados em mais de 150 esqueletos — os pesquisadores encontraram uma quantidade formidável de mais de 500 artefatos de ouro, pedras preciosas e objetos de cerâmica que datam aproximadamente de 1350 a.C.

(Direita) Joalharia egípcia com pedras, datada de cerca de 1350 a.C. (Esquerda) colar que pertencia à criança de 5 anos (Foto: Peter Fischer, Teresa Bürge)

As pesquisas desta equipe sueca de arqueólogos acontecem no país insular desde o ano de 2010. Desde então os especialistas têm obtido sucesso em encontrar antiguidades de valor inestimável. Em 2018, eles descobriram duas tumbas na forma de câmaras subterrâneas que abrigavam uma enormidade de esqueletos humanos. No transcurso de quatro anos, os especialistas têm se deparado com o desafio de manejar os ossos; visto que, em função dos restos mortais terem permanecido por mais de 3000 anos sob o solo salino, eles se tornaram extremamente frágeis.

“As descobertas indicam que estes são túmulos de família da elite dominante da cidade. Por exemplo, encontramos o esqueleto de uma criança de cinco anos com um colar de ouro, brincos de ouro e uma tiara de ouro. Esta era uma criança provavelmente de uma família rica e poderosa”.

Peter Fischer, responsável pelas escavações

O fato de os objetos funerários rituais e os esqueletos estarem dispostos em camadas nas tumbas milenares indica que os locais de sepultamento foram utilizados pelos habitantes do local por várias gerações. Joias e outros objetos de ouro, prata, bronze e marfim encheram os olhos dos arqueólogos; vasos ricamente ornamentados, decorados com tipos de várias culturas, fizeram a alegria dos escavadores.

Estatuetas de deusas com rostos de pássaros foram encontradas pelos especialistas (Foto: Peter Fischer, Teresa Bürge)

Dentre os artefatos encontrados, um em especial revelou-se particularmente importante: trata-se de um selo sob a forma de cilindro fabricado a partir do mineral hematita e que contém, em baixo-relevo, uma inscrição cuneiforme da Mesopotâmia — o Iraque atual — cuja decifração os arqueólogos realizaram com sucesso. “O texto consiste em três linhas e menciona três nomes. Um é Amurru, um deus venerado na Mesopotâmia. Os outros dois são reis históricos, pai e filho, que recentemente conseguimos rastrear em outros textos em tábuas de barro do mesmo período, ou seja, do século XVIII a.C. Atualmente estamos tentando determinar como o selo foi parar no Chipre a mais de 1.000 km do local aonde fora feito”, disse Peter Fischer.

“As comparações mostram que a maioria dos objetos são da época de Nefertiti e seu marido Aquenáton, que remonta a 1350 a.C. Como pingente de ouro encontramos uma flor de lótus com pedras preciosas incrustadas. Nefertiti usava joias semelhantes”.

Peter Fischer

Com informações da agência de notícias Sputnik e da Revista Galileu.

“O passado é um prólogo”.

William Shakespeare
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