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domingo, 5 dezembro, 2021

O Desfile Soviético da Revolução em 1941: mesmo com as Tropas Alemãs em direção a Moscou

Revista Mensal
Jonas Buccinihttp://www.revistaesmeril.com.br
Patriota, Conservador e Entusiasta da História Militar!

Sem se intimidar com o avanço alemão rumo à sua capital, Stalin organiza um desfile militar

Contexto

Em 22 de Junho de 1941 se iniciava a invasão da União Soviética pela Alemanha (Operação Barbarossa), a maior campanha militar de todos os tempos. Uma invasão com um número de homens sem precedentes (4 milhões), e, uma frente de 2.900 quilômetros de extensão. Acerca dessa invasão inicial, há artigo em minha coluna, que você pode acessar clicando aqui.

Adolf Hitler e membros do Alto Comando Alemão. Créditos: https://wallhere.com/da/wallpaper/1620005

Em 02 de outubro de 1941, Hitler lança a Operação Typhoon, a tentativa alemã de alcançar Moscou. Que também já abordamos em nossa coluna.

Hitler, então, dirigiu 75 divisões alemãs, quase dois milhões de homens e três dos quatro grupos panzer para a ofensiva, resultando em diversas vitórias iniciais em cidades que estavam no caminho antes do objetivo principal. Mas apesar do sucesso no campo de batalha, o esforço de guerra alemão, na visão mais ampla, estava em grande risco devido a problemas logísticos (falta de combustíveis, armas, munições e demais equipamentos).

batalha de moscou
Mais de 100.000 moscovitas trabalharam de meados de outubro até o final de novembro de 1941 para cavar trincheiras e enormes armadilhas para tanques ao redor da cidade para impedir a entrada dos alemães. Créditos: https://warfarehistorynetwork.com/2021/04/11/battle-of-moscow-wwiis-first-critical-turning-point/

Desfile Soviético da Revolução de 1941

Em 7 de novembro de 1917, o Partido Bolchevique Russo, liderado por Vladimir Lenin, assumiu o controle de Petrogrado (hoje São Petersburgo), a capital da Rússia Imperial, e derrubou o Governo Provisório. Os eventos iniciariam a Guerra Civil Russa e, com a vitória comunista, a formação da União Soviética.

As forças armadas alemãs se reagruparam em setembro, após a destruição das forças militares soviéticas ao redor de Kiev, com a intenção de lançar uma ofensiva final contra Moscou (Operação Tufão) antes do inverno. O ataque começou promissor, mas as chuvas de outono impossibilitaram a continuação da operação até a chegada da geada de inverno. A essa altura, as unidades militares alemãs estavam exauridas e os defensores soviéticos demonstravam resistência crescente. Créditos: https://www.onwar.com/wwii/maps/efront/06efront.html

Com a consolidação da revolução, continuaram a celebrar a data com um desfile na Praça Vermelha de Moscou. Sendo um dos principais feriados na URSS. A mais famosa celebração ocorreu em 1941, no 24º aniversário, quando as forças alemãs estavam rumando em sua direção.

Líderes do partido e do governo no pódio do Mausoléu de Lenin durante o desfile militar dedicado à celebração do 24º aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro. 
Foto de V. Malyshev. 7 de novembro de 1941. Departamento de Arquivo Principal de Moscou

Os militares presentes no desfile foram diretamente direcionamos para o front de batalha, após o encerramento do evento, para defender a cidade do avanço de Hitler. Esse desfile militar teve um grande significado político, sendo uma enorme demonstração de coragem e resiliência do exército soviético e de seu povo diante da invasão, descartando os rumores de que Stalin e membros do Politiburo haviam deixado à cidade.

Uma coluna de tanques percorre a Praça Vermelha durante o desfile militar dedicado à celebração do 24º aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro. Foto de V. Malyshev. 7 de novembro de 1941. Departamento de Arquivo Principal de Moscou.

As tropas alemãs estavam há apenas 70 quilômetros de Moscou, e, apesar das tentativas de impedir o desfile com um ataque aéreo, nem uma única bomba caiu sobre a cidade, as aeronaves foram abatidas pela defesa antiaérea. Com o fim da União Soviética, o desfile seguiu ocorrendo, não mais com um foco exclusivo na revolução bolchevique, mas sim, com esse episódio histórico de 1941. Como o Dia da Honra Militar.

Militares participam de uma passeata na Praça Vermelha para marcar o 78º aniversário da Parada da Revolução de Outubro de 1941. Créditos na imagem.

Camaradas, homens do Exército Vermelho e da Marinha Vermelha, comandantes e instrutores políticos, homens e mulheres operárias, agricultores-homens e mulheres coletivos, trabalhadores em profissões intelectuais, irmãos e irmãs na retaguarda de nosso inimigo que temporariamente caíram sob o jugo dos bandidos alemães, e nossos valentes homens e mulheres guerrilheiros que estão destruindo a retaguarda dos invasores alemães!

Em nome do Governo Soviético e do nosso Partido Bolchevique, saúdo-o e felicito-o pelo vigésimo quarto aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro.

Camaradas, é em circunstâncias difíceis que celebramos hoje o vigésimo quarto aniversário da Revolução de Outubro. O pérfido ataque dos bandidos alemães e a guerra que nos foi imposta criaram uma ameaça ao nosso país. Perdemos temporariamente várias regiões, o inimigo apareceu às portas de Leningrado e Moscou. O inimigo calculou que, após o primeiro golpe, nosso exército seria dispersado e nosso país seria forçado a se ajoelhar. Mas o inimigo calculou gravemente mal. Apesar de reveses temporários, nosso Exército e Marinha estão heroicamente repelindo os ataques do inimigo ao longo de toda a frente e infligindo pesadas perdas sobre ele, enquanto nosso país – nosso país inteiro – se organizou em um campo de combate em ordem, junto com nosso Exército e nossa Marinha, para abranger a derrota dos invasores alemães.

Houve momentos em que nosso país se encontrava em uma posição ainda mais difícil. Lembre-se do ano de 1918, quando comemoramos o primeiro aniversário da Revolução de Outubro. Naquela época, três quartos do nosso país estavam nas mãos de intervencionistas estrangeiros. A Ucrânia, o Cáucaso, a Ásia Central, os Urais, a Sibéria e o Extremo Oriente foram temporariamente perdidos para nós. Não tínhamos aliados, não tínhamos Exército Vermelho – tínhamos apenas começado a criá-lo; faltavam alimentos, armamentos e roupas para o Exército. Quatorze estados pressionavam contra nosso país. Mas não nos desanimamos, não desanimamos. No fogo da guerra, forjamos o Exército Vermelho e convertemos nosso país em um acampamento militar. O espírito do grande Lênin animou-nos naquela época para a guerra contra os intervencionistas. E o que aconteceu? Nós encaminhamos os intervencionistas.

Hoje, a posição de nosso país é muito melhor do que há vinte e três anos. Nosso país está agora muito mais rico do que há vinte e três anos em termos de indústria, alimentos e matérias-primas. Agora temos aliados que, junto conosco, mantêm uma frente única contra os invasores alemães. Agora contamos com a simpatia e o apoio de todas as nações da Europa que caíram sob o jugo da tirania de Hitler. Temos agora um esplêndido Exército e uma esplêndida Marinha, que defendem com suas vidas a liberdade e a independência de nosso país. Não experimentamos nenhuma escassez séria de alimentos, armamentos ou roupas militares. Nosso país inteiro, todos os povos de nosso país, apóiam nosso Exército e nossa Marinha, ajudando-os a esmagar as hordas invasoras de fascistas alemães. Nossas reservas de mão de obra são inesgotáveis.

Pode haver alguma dúvida de que podemos, e devemos, derrotar os invasores alemães?

O inimigo não é tão forte como alguns intelectuais assustados o imaginam. O diabo não é tão terrível quanto é pintado. Quem pode negar que nosso Exército Vermelho mais de uma vez colocou as alardeadas tropas alemãs em pânico? Se alguém julgar, não pelas afirmações arrogantes dos propagandistas alemães, mas pela posição real da Alemanha, não será difícil entender que os invasores fascistas alemães estão enfrentando um desastre. A fome e o empobrecimento reinam na Alemanha hoje; em quatro meses de guerra, a Alemanha perdeu quatro milhões e meio de homens; A Alemanha está sangrando, suas reservas de força de trabalho estão se esgotando, o espírito de indignação está se espalhando não só entre os povos da Europa que caíram sob o jugo dos invasores alemães, mas também entre o próprio povo alemão, que não vê fim para guerra. Os invasores alemães estão fazendo seus últimos esforços. Não há dúvida de que a Alemanha não pode suportar tal tensão por muito tempo. Mais alguns meses, mais meio ano, talvez mais um ano, e a Alemanha hitlerista deve explodir sob a pressão de seus crimes.

Camaradas, homens do Exército Vermelho e da Marinha Vermelha, comandantes e instrutores políticos, homens e mulheres guerrilheiros, o mundo inteiro os vê como a força capaz de destruir as hordas de saqueadores dos invasores alemães. Os povos escravizados da Europa que caíram sob o jugo dos invasores alemães olham para vocês como seus libertadores. Uma grande missão libertadora caiu sobre você. Seja digno desta missão! A guerra que você está travando é uma guerra de libertação, uma guerra justa. Deixe que as imagens viris de nossos grandes ancestrais – Alexander Nevsky, Dimitry Donskoy, Kuzma Minin, Dimitry Pozharsky, Alexander Suvorov e Mikhail Kutuzov – inspirem você nesta guerra! Que a bandeira vitoriosa do grande Lênin seja sua estrela-guia!

Pela destruição completa dos invasores alemães! Morte aos invasores alemães! Viva nossa gloriosa Pátria, sua liberdade e sua independência! Sob a bandeira de Lenin, avance para a vitória!

— Josef Stalin, Secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e Presidente do Conselho de Ministros da União Soviética, Discurso no Desfile do Exército Vermelho na Praça Vermelha, Moscou, 7 de novembro de 1941. Créditos: https://www.marxists.org/reference/archive/stalin/works/1941/11/07.htm

Referência

A parade on the Red Square in Moscow during the Great Patriotic War took place, Boris Yeltsin Presidential Library, acessado pela última vez em 16 de Novembro de 2021 – https://www.prlib.ru/en/history/619695


Dia da Vitória, parece-nos tão longe, como no fogo, uma brasa derretida. Milhas passavam, queimadas na poeira, fizemos tudo o que podíamos por esse dia!

— Den Pobedy, famosa canção soviética acerca do dia em que o Exército Vermelho conquistou Berlim

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