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domingo, 5 dezembro, 2021

Descoberta comprada: fóssil de dinossauro africano intriga cientistas

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Os paleontólogos compraram os restos mortais da criatura de um colecionador particular do Marrocos

A menos que o cãozinho da casa encontre um fêmur de Tyrannosaurus Rex enterrado no quintal, as descobertas paleontológicas demandam imenso trabalho de pessoal qualificado. Antes das escavações, os pesquisadores prospectam o terreno, analisam a topografia e, o mais importante, o histórico geológico da região. Tudo em busca dos restos mortais daquelas maravilhosas criaturas. Contudo, às vezes, a musa Fortuna sorri e o paleontólogo pode comprar ao invés de escavar uma descoberta.

O periódico científico Nature Ecology & Evolution noticiara, no dia 23 de setembro, uma descoberta científica intrigante: o primeiro anquilossauro africano dotado com uma armadura dérmica fundida aos ossos das costelas. No entanto, os pesquisadores não tiveram de escavá-lo; tudo o que foi preciso fazer para ter a posse dos restos mortais do anquilossauro foi desembolsar uma quantia em dinheiro — que não foi divulgada. Os pesquisadores o compraram de um colecionador particular do Marrocos.

Inicialmente, acreditaram tratar-se de um estegossauro, porque em 2019 restos mortais desta criatura foram descobertos no Norte da África; estes foram, aliás, os primeiros fósseis de estegossauro descobertos na região. No entanto, depois de análises mais aprofundadas, valendo-se, inclusive, de tomografias — pois eles temiam uma possível adulteração nos ossos comprados –, os paleontólogos descobriram que os vestígios eram verdadeiramente do anquilossauro.

A nova espécie data, segundo o artigo, de 167-163 milhões de anos, o que é suficiente para fazer deste anquilossauro o mais antigo já encontrado. Embora restos mortais desses herbívoros gigantes e blindados já tivessem sido descobertos no Hemisfério Norte, esta é a primeira vez que um deles é encontrado na África. Contudo, o que intriga os cientistas são as características únicas do esqueleto: para além da blindagem com espinhos pontiagudos, o achado apresenta vestígios de osteodermas, depósitos ósseos, conectados diretamente com as costelas.

Ilustração mostra como seria o Anquilossauro. Fonte: N. Tamura/Wikimedia Commons/Reprodução

“Essa característica é totalmente diferente de qualquer vertebrado existente ou extinto que conhecemos”.

Susannah Maidment, Pesquisadora do Museu de História Natural de Londres

Spicomellus afer

Batizado de Spicomellus afer, o fóssil descoberto (leia-se “comprado“) data do período geológico conhecido como Jurássico Médio, isso o categoriza como um dos primeiros anquilossauros a habitar o planeta, segundo os cientistas.

“Os anquilossauros eram pequenos dinossauros com armadura que se assemelhavam a mesinhas de centro ambulantes. Eram muito massudos e largos, mas tinham pernas curtas”.

Susannah Maldment

O fóssil, como é o esperado, está totalmente fragmentado, com inúmeros pedaços faltantes e seções inteiras ausentes. E, como também é o esperado, será dificílimo descobrir a forma exata do animal. Contudo, suposições sempre podem ser feitas. Susannah Maldment acredita que os tais espinhos não ficavam expostos, mas “provavelmente estariam cobertos por uma espécie de bainha de queratina, à semelhança dos chifres das vacas”.

Finalmente, o fóssil do Spicomellus afer agora é parte integrante do acervo do Museu de História Natural, onde os pesquisadores darão sequência nos estudos da estrutura animal comprada daquele anônimo — e provavelmente excêntrico — colecionador marroquino de ossos de dinossauros.

Com informações do portal TecMundo e do periódico científico Nature Ecology & Evolution.

“Estou sempre disposto a aprender, mas nem sempre gosto que me ensinem”.

Winston Churchill

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