Por uma bibliotecária de direita

“Mas os moldadores de homens da nova era estarão armados com o poder competente do Estado e a tecnologia científica. Nós teremos, ao menos, uma raça de manipuladores realmente capazes de moldar toda a posteridade segundo o que lhes aprouver”.

C.S Lewis. “A Abolição do Homem

É com tal máxima que abro esta carta, repleta de satisfação em dar as boas vindas ao caro Rafael Nogueira, novo Diretor da Fundação Biblioteca Nacional. As motivações são diversas.

Ingressei no curso de Biblioteconomia em 2009. Durante minha estadia na Universidade Federal do Ceará, pude perceber meras reproduções de textos datados de 1970, somados a práticas pedagógicas e informacionais falhas, todas protegidas pela égide de títulos de Mestre ou Doutor, coisa que, por muito tempo, ingenuamente julguei sinônimos de “inteligência” ou “intelectual”. Erro crasso.

Um dos princípios da Biblioteconomia é o trato correto e honesto da informação, para que esta chegue sem ruído ao receptor, de modo que, depois, ele possa filtrar o que lhe convém. Infelizmente, não é este o cenário que temos. Diariamente, observo professores e colegas de trabalho atentando contra este princípio fundamental, e me vejo bombardeada de publicações falsas e tendenciosas, das quais tenho certeza que apenas o título foi lido por parte dos responsáveis em salvaguardar a transparência informacional.

A desinformação impera e quem ousa ir contra as grandes mentes pensantes da área é um rebelde, um dissidente; caminha sozinho por entre o vale do analfabetismo funcionalㅡpelo menos assim eu pensei durante algum tempo. Dados e relatórios oficiais não são suficientes. Aliás, sequer são validados pelos colegas histéricos que, do alto de sua vaidade acadêmica, fecham as portas para outras correntes culturais e informacionais circularem dentro das Bibliotecas que administram. É um cenário triste e uma batalha silenciosa.

Em meio a esta realidade, em 2018 eu tive uma generosa surpresa: descobri, por meio de redes sociais, que havia outros profissionais partilhando deste pensamento, os quais prezam debater sob o viés clássico temas como arte, cultura e ciência da informaçãoㅡjá tão desprezados pela maioria dos colegas.

Estes profissionais anseiam por mudanças através de recursos tecnológicos e inovações. Buscamos evolução pessoal e informacional sem interesses; sem almejar um cargo público ou qualquer espécie de exercício de poder. Nossos valores são outros: o resgate das liberdades intelectuais, visto que todos nós atuamos longe das vistas dos demais colegas de trabalho e dos Conselhos Regionais locais.

A nomeação de Rafael Nogueira inspira alívio e alegria em profissionais que vivem acuados e cansados da enxurrada progressista difundida pelo “outro lado”. Para nós, a figura de Rafael representa um sopro de sensatez e sabedoria que outros nomes da área nem de longe possuem, dando início a uma era que há muito esperávamos: a quebra da hegemonia da esquerda nos campos culturais e informacionais.

Será um trabalho árduo, porém compensador. Saiba, Rafael, que somos muitos e estamos aqui para prestar-lhe apoio, assim como os mais sinceros desejos de êxito nesta jornada.



4 Comments

  1. Com a eleição de Bolsonaro o mínimo que se espera é que o seu governo seja composto por uma equipe que reflita as idéias do seu projeto político que, aliás, o povo também escolheu. Para a esquerda a democracia é só uma palavra oca que é usada para trapacear o povo e avançar o seu plano totalitário, eternizando-se no poder.
    Sobre o texto: ficou muito bom! O Rafael Nogueira, mais do que representar um sopro de novas idéias num ambiente já esclerosado pela ideologia comunista, é também um sopro de erudição e conhecimento. Já tive oportunidade de ver suas aulas, ele tem uma memória absurda, memoriza poemas gregos, conhece de cor e salteado a mitologia grega, e mais importante ainda, conhece vários pormenores da história monárquica do Brasil. Acho engraçado a esquerdalha ficar chocada com o fato de ele ser monarquista, se a própria Biblioteca Nacional foi criada por Dom João VI.

    • Excelente comentário, Caio. Conheci o Rafael Nogueira por meio dos vídeos do Brasil Paralelo. Fiquei tão animada ao ouvi-lo! Hoje vejo o quão certa era a minha primeira impressão só de ter conhecimento hoje das matérias veiculadas sobre sua nomeação. Folhas, Bergamos, Caetanos… é certo que estamos no caminho certo!

    • Texto maravilhoso!
      Palavras seguidas por sentimentos verdadeiros de muitos colegas da área informacional e de frentes educacionais e culturais como um todo, vozes silenciosas até então, mas creio que não por muito tempo.
      Sim, somos muito cara Larissa C. B. e sim, estamos felizes e cada dia mais unidos no propósito de evolução pessoal e profissional de maneira digna e respeitosa com as diferenças.
      Viva!

  2. Parabéns!
    É extremamente pertinente as observações feitas ao nosso mestre Prof Rafael Nogueira, um dos intelectuais mais respeitados da nossa geração, e que mais que informar, ele ensina a se informar.
    O Brasil tem jeito!

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