Sindicalista mais relevante de sua era. Nascido no Brazil. Voz rouca. Carisma quase imbatível. Popularidade comparada a de Elvis nos anos 50 e a dos Beatles nos anos 60. Condenado a 13 anos de prisão por fraude e suborno.

Quem sabe, por um momento, quem passou os olhos pelas três primeiras linhas desse texto pode ter imaginado ter caído num desses sites bancados pelo finado governo Dilma Rousseff.

Muita hora nessa calma.

Data venia, posso explicar. A descrição acima é de James Riddle Hoffa, mais conhecido como Jimmy Hoffa, um dos personagens centrais de O Irlandês – a nova superprodução de 3h20 de Martin Scorsese que passou brevemente pelas salas de cinema e agora é exclusiva da Netflix.

Em O Irlandês, aliás, o sindicalista americano Jimmy Hoffa (interpretado por Al Pacino) desponta como um dos protegidos de Frank Sheeran (Robert De Niro), o protagonista do primeiro longa de Scorsese tendo a máfia como sistema nervoso – algo que não acontecia desde Casino (1995) e Os Bons Companheiros (1990).

Aquela antiga fascinação progressista…

Nesta primeira semana de dezembro, muita gente já deve ter lido sobre o luminar desempenho do trio Robert De Niro – Al Pacino – Joe Pesci (este último, como o líder mafioso na Filadélfia, Russel Bufalino, e padrinho de Sheeran).  

Para não tropeçarmos no lugar comum, resolvi apontar alguns motivos para conferir o filme, além dos óbvios. Entre essas obviedades, a de que poucos cineastas são tão capazes de prender a atenção do público como Scorsese. Afinal, são quase 3h30 de duração e muitos diálogos.

Portanto, encare o tempo.

Já em minha tentativa de prender sua atenção, caro leitor, digo que não dá para sair ileso de O Irlandês sem cair na tentação de apontar o dedo para a fascinação que parte da sociedade tem pelas peripécias das ligações mafiosas, seja ela qual for: italiana, russa, chinesa, judia, ou até mesmo as máfias caseiras, sem etnia definida, como as que detonaram os fundos de pensão, Correios ou a Petrobras.

Crime e castigo?

Para dirigir sua primeira produção desde 2016 (sem contar o documentário Rolling Thunder Revue) Martin Scorsese tomou como GPS uma obra real: O Irlandês: Os Crimes de Frank Sheeran a Serviço da Máfia.

A obra de Charles Brandt (roteirizada por Steven Zaillian, de A Lista de Schindler) atravessa duas décadas de história americana pelo olhar de Sheeran, desde seu tempo na Segunda Guerra, passando pelo trabalho como caminhoneiro até ser apadrinhado pela máfia italiana.

Além da fascinação pelo crime (algo muito comum entre os progressistas), O Irlandês também nos faz refletir, indiretamente, como o Brasil certamente “importou” com sucesso técnicas ilícitas praticadas pelos mafiosos – só que com um bônus interessantíssimo: o das relações nada republicanas entre os poderes.

Sim. Em O Irlandês, testemunhamos crime e algum castigo, ainda que em doses homeopáticas. No Brasil… bom, nunca foi bem assim, embora haja mudança. O melhor exemplo dessa carência tivemos no início de 2019, com a tardia extradição do terrorista italiano Cesare Battisti, depois de muita choradeira da esquerda.

Nos minutos finais de O Irlandês, não arrisco acusar Scorsese de ter pena de meliantes. Frank Sheeran morreu de causas naturais em 2003. Mas que existe aquela fascinação, um certo desejo oculto e romântico de mitificar os poderosos chefões.,.. ah, isso existe!

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