Por que todos os conservadores deveriam ver e rever o documentário Por que a beleza importa?

O sereno e sofisticado pensador inglês Roger Scruton deixa uma obra notável pela coerência interna, integridade moral e elevação de espírito. Ele não era um homem comum. Homens comuns reduzem a ordem do mundo à extensão diminuta de suas impressões. Homens incomuns leem em suas impressões sinais da ordem do mundo.

A generosidade com que versou as inconsistências do pensamento de esquerda foi inversamente proporcional à mesquinhez com que foi tratado, por muito tempo, em nossa oca e tediosa academia. Cristão na prática, não condenou ao suplício o pensamento adversário; mas o submeteu a um exame criterioso e honesto, convertendo-o, com beleza, em palavra.

É este traço de sua obra, o apreço ao belo, que eu gostaria de registrar.

Até mesmo em Pensadores da Nova Esquerda (É Realizações, 2014), a elegância predomina. A cada capítulo, Scruton realça os elementos genuínos ou aproveitáveis dos intelectuais cuja inconsistência, ou vínculo peculiar à matriz marxista, ele demonstra. Reconhece a genialidade (vazia) de uns; os méritos intelectuais de outros; o interesse específico de outros tantos.

Breve, incapaz de não colher beleza mesmo ao contemplar a escória, é sempre de sua busca que se trata.

Um pensador consistente não se aborrece tanto assim com o entorno. Ele sabe que as mazelas existem. Reconhece as sombras que ladeiam as veredas claras que ama percorrer. Contudo, é na luminosidade de seu caminho que permanece concentrado.

Foi desta maneira que Scruton combateu o pensamento progressista ao longo de sua jornada. O documentário que o tornou conhecido do grande público, Por que a beleza importa?, não apenas representa uma síntese de seu contributo à estética, como também de seu método de trabalho.

Por isso é absolutamente necessário conferi-lo.

O que os conservadores puderam (e ainda podem) aprender com Scruton? Prestar mais atenção naquilo que amam, vivendo conforme os valores que os animam do que naquilo que rejeitam, mantendo em visão periférica sombras às margens do caminho.

Em outras palavras, fazer da luz interna um farol: do amor, ao que realmente importa, o antídoto perfeito para mitigar a mesquinharia que tudo enfeia num esforço infinito e altaneiro de suprimi-la cada dia um pouco mais…

Quem brinda os semelhantes com tal espírito se torna permanente na cultura. A vida no tempo é passageira. A elevação da alma, contudo, sempre a eterniza em nossos corações.


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