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terça-feira, 28 junho, 2022

Resenha: “Discurso sobre a História Universal” — Jacques Bossuet

Revista Mensal
Vitor Marcolin
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Conhecido pela defesa enérgica da monarquia absolutista e, exatamente por isso, alvo das mais viscerais críticas por parte dos pensadores modernos, Bossuet revela toda a medida da sua genialidade nos seus “Discursos

Publicado originalmente em 1681, o Discurso sobre a História Universal fora redigido com o propósito de servir à educação do Delfim — primogênito do rei — da França. Nesta obra, Bossuet apresenta, através de um conjunto de coerentes concatenações, todos os períodos da história humana. O evidente crivo religioso — objeto do mais completo desprezo da crítica moderna — estabelece, contra a tendência superficial e enviesada das análises niilistas, uma interpretação lúcida da história do homem em face do nascimento e morte dos impérios e das civilizações.

A lucidez de Bossuet é produto do seu entendimento da força motriz, da causa das realizações humanas: a realidade da religião. Qualquer análise histórica que suprimisse, em nome de uma escola de pensamento materialista, a direta — e permanente — implicância da religião no surgimento e consolidação das sociedades humanas, com toda a complexidade inerente a elas, não alcançaria uma compreensão razoável dos fatos. A religião é o substrato mesmo sobre o qual a existência acontece. O clérigo francês, escrevendo para o filho do rei, delineia os períodos, as épocas, as fases; as conquistas, os sacrifícios e os triunfos desta existência.

O pecado original, os profetas, juízes e reis do Antigo Testamento; a encarnação do Verbo, a vida, morte e ressurreição de Christo; os primeiros cristãos, as perseguições, os mártires; a progressiva aceitação e, finalmente, a oficialização do Cristianismo nos âmbitos político e cultural do Império Romano; as lutas contras as heresias; a queda do Império Romano; a conversão dos bárbaros e, por último, a consolidação do Sacro Império Romano Germânico sob Carlos Magno. Bossuet concatena todos esses fatos históricos com a história profana também: Hermes Trismegisto, contemporâneo de Moisés; as civilizações que se desenvolveram às margens dos rios Tigre e Eufrates; a Babilônia; o Egito; a Grécia.

Jacques Bossuet discorre sobre como a Providência Divina conduz todas as coisas, todos os apetites políticos, todos os movimentos filosóficos e culturais, em suma, todo o engenho humano com a finalidade de cumprir com o plano da salvação das almas. O filho de Luiz XIV, para quem Bossuet originalmente escrevera os discursos, fora assim instruído sobre a História. E é desta instrução, portanto, que nós, leitores de Bossuet, somos convidados a participar.

O livro foi publicado pelo Centro Dom Bosco graças a uma campanha de financiamento coletivo.

“La sagesse humaine apprend beaucoup, si elle apprend à se taire”. “A sabedoria humana aprende muito se aprender a calar-se”.

Jacques Bossuet

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