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domingo, 5 dezembro, 2021

Quais foram as implicações geopolíticas e militares do assassinato de Kennedy?

Revista Mensal
Jonas Buccinihttp://www.revistaesmeril.com.br
Patriota, Conservador e Entusiasta da História Militar!

Em 22 de Novembro de 1963, o Presidente Kennedy foi assassinado em Dallas (Texas)

Contexto Geopolítico

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a rendição incondicional dos alemães em maio de 1945 e dos japoneses em setembro daquele mesmo ano – após o lançamento de duas bombas atômicas em duas de suas cidades, em agosto – o mundo foi jogado em um contexto geopolítico de suspense.

The Cold War - Michelot | History - Quizizz
Guerra Fria durou de 1945 até 1991 | Créditos | https://quizizz.com/admin/quiz/60b8f0d204d3c4001b15ed6f/the-cold-war-michelot

Era o início da Guerra Fria, com a divisão dos países entre as forças alinhadas aos Estados Unidos (OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte) e aos países alinhados a União Soviética (Pacto de Varsóvia).

Experiência “Trinity”, primeiro teste nuclear da história. Créditos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Trinity_Detonation_T%26B.jpg

Ambos os blocos começaram a criar um arsenal de armas nucleares e demais equipamentos, para proteger seus interesses nessa nova rodada na busca pela hegemonia global.

Fator ”Eisenhower

Presidente Dwight D. Eisenhower em seu último discurso na Casa Branca. Créditos: https://www.npr.org/2011/01/17/132942244/ikes-warning-of-military-expansion-50-years-later

Dwight D. Eisenhower (1890-1969), de apelido “Ike”, foi o 34º Presidente dos EUA (1953-61) e também um General Cinco Estrelas do Exército Americano, sendo o Comandante Supremo das Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Mais do que ninguém, tinha amplo conhecimento do setor militar nos EUA. Sendo conhecido – entre outros inúmeros feitos – como o Presidente que alertou sobre uma crescente influência do ”Complexo Militar-Industrial” na política do país.


Essa conjunção de um imenso estabelecimento militar e uma grande indústria de armamentos é nova na experiência americana. A influência total – econômica, política e até espiritual – é sentida em cada cidade, cada casa de estado, cada escritório do governo federal. (…) Nos conselhos de governo, devemos nos precaver contra a aquisição de influência indevida, desejada ou não, pelo complexo militar-industrial.

O potencial para o aumento desastroso de poder mal colocado existe e vai persistir. Jamais devemos permitir que o peso dessa combinação coloque em risco nossas liberdades ou processos democráticos. Não devemos tomar nada como garantido, apenas um cidadão alerta e bem informado pode compelir o adequado entrosamento de enorme maquinário industrial e militar de defesa com nossos métodos e objetivos pacíficos, para que a segurança e a liberdade possam prosperar juntas

— Presidente Dwight D. Eisenhower, Discurso de Despedida, 17 de Janeiro de 1961. Créditos: https://www.ourdocuments.gov/doc.php?flash=false&doc=90&page=transcript

JFK entra em ação

Congressista John F. Kennedy sentado à máquina de escrever. Créditos: Encyclopædia Britannica, Inc.

John F. Kennedy, por extenso John Fitzgerald Kennedy, apelidado ”JFK”, nasceu em 29 de Maio de 1917, Brookline, Massachusetts, EUA. Antes de se tornar o 35º Presidente dos Estados Unidos (1961–63), já se destacava brilhantemente na política, como um jovem promissor.

Na posição de Senador (1953-1960), John F. Kennedy (Democrata) sempre apoiou a proibição de testes de armas nucleares. Ele acreditava que com essa pressão outros países desistiriam de entrar na perigosa corrida nuclear. Na campanha presidencial de 1960 se manteve firme nessa proposta, que gerava polêmica principalmente entre setores do Complexo Militar-Industrial.

Clientes na seção de eletrônicos de uma loja de departamentos assistem JFK se dirigir à nação em 22 de Outubro de 1962.  Créditos: (Ralph Crane / Time-Life Pictures / Getty)

Após a Crise dos Mísseis de Cuba (em outubro de 1962), os líderes dos EUA e da URSS procuraram reduzir as tensões entre suas nações, possibilitando a reabertura de um diálogo sobre a proibição de testes nucleares.

Em 25 de julho de 1963, após apenas 12 dias de negociações, as duas nações concordaram em proibir os testes na atmosfera, no espaço e debaixo d’água. No dia seguinte, em um discurso na televisão anunciando o acordo, Kennedy afirmou que uma proibição limitada de testes “é de longe mais segura para os Estados Unidos do que uma corrida armamentista nuclear ilimitada”.

FILE - In this Oct. 7, 1963, file photo, President John F. Kennedy signs the Limited Test Ban Treaty during a ratification ceremony in the White House Treaty Room in Washington. Critics of the Iran nuclear deal claim it is flawed, among many reasons, because it does not demand that Tehran also change its behavior at home and abroad. That complaint ignores the United States’ long history of striking arms control agreements with the Soviet Union, a far more dangerous enemy. Dating as far back as the Limited Test Ban Treaty in 1963, U.S. administrations engaged the Soviet Union in agreements to limit nuclear threats while not linking deals to Soviet human rights abuses and the active arming and funding of leftist, anti-American revolutionary movements around the world. Watching from left are, Sen. John A. Pastore, D-R.I.; Undersecretary of State W. Averell Harriman; Sen. William Fulbright, D-Ark.; Sen. George Smathers, D-Fla.; Sen. George D. Aiken, R-Vt. (AP Photo/File)
O Presidente Kennedy assina o tratado de proibição de testes nucleares para os Estados Unidos, observado por um comitê de Senadores, o Vice-Presidente Lyndon Baines Johnson e o Secretário do Exterior, Dean Rusk. Créditos: (AP Photo/File)(The Associated Press)

O Tratado de Proibição Limitada de Testes Nucleares foi assinado em Moscou, em 5 de agosto de 1963, pelo Secretário dos Estados Unidos Dean Rusk, o Ministro das Relações Exteriores Soviético Andrei Gromyko e o Secretário de Relações Exteriores britânico Lord Home – um dia antes do 18º aniversário do lançamento de uma bomba atômica em Hiroshima.

O Infame Assassinato

John F. Kennedy riding through the streets of Dallas, Texas moments before he was shot on November 22, 1963.
John F. Kennedy em carreata pelas ruas de Dallas, Texas, momentos antes de ser baleado em 22 de Novembro de 1963. Créditos: Corbis via Getty Images

Em 22 de Novembro de 1963, o 35º Presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, foi morto a tiros por Lee Harvey Oswald, na cidade de Dallas, Texas. Um atentado brutal contra o ”Líder do Mundo Livre”. Não me aprofundarei com questionamentos sobre; como Lee Harvey Oswald pode ter retornado aos EUA tão facilmente, mesmo após ter desertado para a União Soviética. Suas visitas a Embaixada Soviética e Cubana na Cidade do México, pouco antes do assassinato. Visita ao escritório do FBI em Dallas (Texas), cidade em que ocorreria o assassinato, também antes do assassinato.

Feds warned Dallas police Oswald's life was in danger | News | The Times
Ilustração do mapa do cenário do incidente. Créditos: https://www.thetimes.co.uk/article/feds-warned-dallas-police-oswald-s-life-was-in-danger-kmb39s82g

Teoria de mais que um atirador na cena do crime; pois, um dos tiros forçou a cabeça para trás e para a esquerda (Lee Harvey Oswald estava em uma posição atrás da carreata), e, na contagem oficial, um dos disparos incrivelmente teria resultado em 7 ferimentos nas pessoas do carro (2 em Kennedy e 5 no Governador do Texas).

Lee Harvey Oswald's mug shot, taken on November 23, 1963.
Foto policial de Lee Harvey Oswald, tirada em 23 de Novembro de 1963. Créditos: Alamy Stock Photo

Suas relações com o milionário russo-americano George De Mohrenschildt, homem com alegadas relações com a OSS/CIA, que era amigo dos pais da Primeira-Dama Jacqueline Kennedy e que enviava cartas a George H. W. Bush (futuro diretor da CIA, Vice-Presidente de Reagan, 41º Presidente e pai do 43º Presidente George W. Bush). E como George De Mohrenschildt cometeu suicídio após ser entrevistado pelo jornalista Edward Jay Epstein (e o que o mesmo falou na entrevista), não será o foco do artigo.

Resultado Geopolítico e Militar

Helicópteros do Exército dos EUA lançam tiros de metralhadora na linha de árvores para cobrir o avanço das tropas terrestres sul-vietnamitas enquanto eles atacam um acampamento vietcongue 18 milhas ao norte de Tay Ninh, perto da fronteira com o Camboja, em março de 1965. Fotografia: Horst Faas / AP

Apenas vinte meses depois de Lyndon B. Johnson (Vice-Presidente de Kennedy) assumir a 36º presidência dos Estados Unidos, uma guerra terrestre em grande escala se iniciou no Vietnã. Naquilo que se tornara um enorme desastre político, militar e geopolítico.

A visão de Kennedy sobre um conflito no Vietnã era clara e transparente.


Em última análise, é a guerra deles. Eles são os que precisam vencê-la ou perdê-la. Podemos ajudá-los, podemos dar-lhes equipamentos, nós podemos enviar nossos homens como conselheiros, mas eles precisam vencê-lo – o povo do Vietnã contra os comunistas… Mas não concordo com aqueles que dizem que devemos nos retirar. Isso seria um grande erro… [Os Estados Unidos] fizeram esse esforço para defender a Europa. Agora a Europa está bastante segura. Também devemos participar – talvez não gostemos – da defesa da Ásia

— JFK

Um paraquedista americano, ferido na batalha por Hamburger Hill, faz uma careta de dor enquanto aguarda a evacuação médica no acampamento base perto da fronteira com o Laos em 19 de maio de 1969. Fotografia: Hugh Van Es / AP

Sem ignorar a ”Teoria do Dominó”, a linha de ação geopolítica que levou os EUA a atuarem de forma bélica no sudeste asiático, porém, sem defender uma guerra de grandes proporções.

JFK tinha uma política ponderada sobre qual deveria ser o papel dos EUA naquela região.

Enquanto outros soldados ajudam camaradas feridos, um pára-quedista da Companhia A, 101ª Divisão Aerotransportada, guia um helicóptero de evacuação médica através da folhagem da selva para recolher vítimas sofridas durante uma patrulha de cinco dias perto de Hue em abril de 1968. Fotografia: Art Greenspon / AP

Isso era John F. Kennedy, um homem que passou sua juventude na Europa do final da década de 30, com seu pai diplomata, assistindo as instabilidades internacionais causadas por Adolf Hitler. Observando como as potências ocidentais se curvaram facilmente ao bufão austríaco. Desenvolvendo um profundo interesse por política internacional.

Aprendendo no clímax do pré-guerra, com quais armas se devem atuar no cenário mundial. Um político dotado das virtudes dos ideais, com uma fantástica bagagem intelectual, porém, sem abrir mão da sua espada.

Gen Nguyen Ngoc Loan, chefe da polícia nacional do Vietnã do Sul, dispara sua pistola na cabeça do suposto oficial vietcongue Nguyen Van Lem em uma rua de Saigon no início da ofensiva do Tet, em 1 de fevereiro de 1968. O fotógrafo Eddie Adams relatou isso após o tiroteio , Loan se aproximou dele e disse: “Eles mataram muitos dos meus, e o seu também”, e foi embora. Esta fotografia recebeu o prêmio Pulitzer de 1969 por fotografia especial de notícias. Fotografia: Eddie Adams / AP

Em discurso proferido na ”American University”, Washington, DC, em 10 de Junho de 1963, poucos meses antes de sua morte, ficou claro qual seria sua postura na Guerra Fria para o restante do mandato e até mesmo após uma eventual reeleição.


Portanto, não sejamos cegos às nossas diferenças – mas voltemos também a atenção para os nossos interesses comuns e para os meios pelos quais essas diferenças podem ser resolvidas. E se não podemos acabar agora com nossas diferenças, pelo menos podemos ajudar a tornar o mundo seguro para a diversidade. Pois, em última análise, nosso elo comum mais básico é que todos nós habitamos este pequeno planeta. Todos nós respiramos o mesmo ar. Todos nós valorizamos o futuro de nossos filhos. E todos nós somos mortais.

(…) vamos reexaminar nossa atitude em relação à guerra fria, lembrando que não estamos engajados em um debate, procurando acumular pontos em debate. Não estamos aqui distribuindo culpas ou apontando o dedo para o julgamento (…)

Devemos conduzir nossos negócios de maneira que seja do interesse dos comunistas chegar a um acordo sobre uma paz genuína. Acima de tudo, enquanto defendem nossos próprios interesses vitais, as potências nucleares devem evitar os confrontos que levam o adversário a escolher entre uma retirada humilhante ou uma guerra nuclear. Adotar esse tipo de curso na era nuclear seria apenas uma evidência da falência de nossa política – ou de um desejo coletivo de morte para o mundo.

Para garantir esses fins, as armas da América são não-provocativas, cuidadosamente controladas, projetadas para dissuadir e capazes de uso seletivo. Nossas forças militares estão comprometidas com a paz e disciplinadas em autocontenção. Nossos diplomatas são instruídos a evitar irritantes desnecessários e hostilidade puramente retórica.

Pois podemos buscar um relaxamento da tensão sem relaxar nossa guarda. E, da nossa parte, não precisamos de fazer ameaças para provar que estamos decididos. (…) Não queremos impor nosso sistema a qualquer pessoa que não queira – mas estamos dispostos e somos capazes de nos envolver em uma competição pacífica com qualquer pessoa na Terra.”

— Presidente John F. Kennedy, Washington, DC, 10 de Junho de 1963. Créditos: https://www.jfklibrary.org/archives/other-resources/john-f-kennedy-speeches/american-university-19630610

Referência

John F Kennedy, Encyclopædia Britannica, acessado pela última vez em 22 de Novembro de 2021 – https://www.britannica.com/biography/John-F-Kennedy

THE COLD WAR, John F. Kennedy Presidential Library and Museum, acessado pela última vez em 22 de Novembro de 2021 – https://www.jfklibrary.org/learn/about-jfk/jfk-in-history/the-cold-war

Russian-born oilman, a real international man of mystery, a vivid presence in JFK files, USA TODAY, acessado pela última vez em 22 de Novembro de 2021 – https://www.usatoday.com/story/news/politics/2017/10/27/russian-born-oilman-real-international-man-mystery-vivid-presence-jfk-files/807303001/

Edward Jay Epstein , Spartacus Educational, acessado pela última vez em 22 de Novembro de 2021 – https://spartacus-educational.com/JFKepstein.htm

What Is the Single-Bullet Theory?, LiveScience, acessado pela última vez em 22 de Novembro de 2021 – https://www.livescience.com/41369-single-bullet-theory-jfk-assassination.html


A década de 1930 nos ensinou uma lição clara: a conduta agressiva, se não for controlada e contestada, acaba levando à guerra. Esta nação se opõe à guerra. (…) Nosso objetivo não é a vitória do poder, mas a reivindicação do direito – não a paz às custas da liberdade, mas a paz e a liberdade, aqui neste hemisfério e, esperamos, em todo o mundo. Se Deus quiser, esse objetivo será alcançado

— Presidente John F. Kennedy. 22 de Outubro de 1962

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1 COMENTÁRIO

  1. Deçpois do assassinato de JFK, depois da guerra do Vietnam, depois da tempestade no deserto, depois da implosão do World Trade Center, depois da “guerra contra o terrorismo, o complexo industrial militar, os banqueiros e as elites satânicas inventaram e desenvolvem a guerra do virus que aterroriza e mata. Qual será a próxima onda?

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