Defensor ferrenho do libertarianismo, o ativista anarcocapitalista acredita que Bolsonaro seja a alternativa para frear o avanço do Partido Comunista Chinês no uso político do COVID-19

Ser anarcocapitalista pode ser ainda mais complexo em momentos críticos como o atual atravessado pelo Brasil, onde políticos usam de forma descarada a pandemia de COVID-19 para ampliar seu domínio sobre a população. Tudo isso, com a benção do PCC – o Partido Comunista Chinês.

Apesar de os fantasmas que assombram a sociedade, Paulo Kogos se mantém fortalecido. Melhor do que isso. Ele parece estar ainda mais alerta e convicto de seus ideais para combater os efeitos colaterais do vírus chinês – muito mais ameaçadores a longo prazo que os efeitos sanitários.

Em entrevista exclusiva à Esmeril, o estudante de filosofia no Mosteiro São Bento escancara sua visão sobre o desastre iminente da economia, mas não fica apenas nas teorias. Para Kogos, a solução emergencial seria uma intervenção militar imediata para “evitar o pior que está por vir”.

Revista Esmeril – Como você vê a atuação dos governadores em muitos estados – e de prefeitos como Bruno Covas – que agora decidiram fechar ruas e avenidas para impedir a circulação popular dando como justificativa o “controle da pandemia de COVID-19”?

Paulo Kogos –  Esses governadores, principalmente o João Dória, mostraram toda sua vocação totalitária, ao defender a estatização, o aumento de impostos, a prisão de trabalhadores inocentes – ao mesmo tempo em que ele solta bandidos facínoras da cadeia, (promove) o rastreamento de celulares e a contratação de agências para monitorar as redes sociais.

Se o Dória tivesse hoje o poder do Getúlio Vargas, seria o pior ditador da humanidade, até então.

Revista Esmeril – Evidente que já teríamos muitas perdas humanas e prejuízos econômicos com o avanço do coronavírus no Brasil. Porém, você acredita que as atitudes dos políticos pioraram o quadro, visto que o número de casos não parou de subir mesmo com a quarentena horizontal?

Paulo Kogos – Eu diria que o governador João Dória e seus asseclas, como o prefeito Bruno Covas, representam as maiores ameaças e inimigos que temos no momento. Devemos combate-los com todos os meios que pudermos, porque o que eles estão fazendo é um ataque com consequências inimagináveis contra o povo que irá destruir empresas, matar pessoas de fome… É uma ameaça militar – tudo isso, sob o comando do Partido Comunista Chinês num ataque violento contra a soberania nacional.

Revista Esmeril – Sendo um anarcocapitalista, qual seria sua receita para retomar a normalidade – e, principalmente, zelar pela liberdade?

Paulo Kogos – Mesmo sendo um anarcocapitalista, (devemos atuar) nessa situação, contra esses governadores, contra o STF, contra todos esses esquerdistas abomináveis a mando da China.  Eu defendo uma intervenção militar.  Não que eu goste dos militares e confie nas Forças Armadas, cujo alto comando são um bando de positivistas maçônicos. Mas quanto maior for o caos, maior será o poder concentrando na mão de quem estiver daquele que vier quando a poeira baixar. É melhor que as forças armadas façam seu serviço, destruam seu inimigo, e no dia seguinte voltem para os quartéis e todo mundo vá trabalhar, com o Bolsonaro no poder. É isso que eu defendo.  

Revista Esmeril – Fale agora um pouco de sua formação. Como o anarcocapitalismo fez parte de sua vida?

Paulo Kogos – Tudo começou no escritório de meu avô, onde tive a felicidade de ser home schooled – antes de ser vítima do crime que é a escola exigida pelo MEC. Meu avô gostava muito de história e despertou em mim a paixão pelas ciências humanas. Sempre gostava de ir ao escritório dele depois da escola e comentar diversos assuntos. Meu avô também gostava muito de mitologia. Então, aos 10 anos, comecei a me interessar pelas eleições, pela política local… Certo dia, cheguei para meu avô, todo entusiasmado para falar sobre eleições. Ele, que sempre ria do que eu falava, daquela vez ficou sério. Ele me chamou e disse: “Paulinho, todos os políticos são uns prostitutos”. Eu não virei anarquista naquela hora, mas aquilo me calou fundo.

Meu avô era um libertário intuitivo. Ele tinha uma sabedoria prática e uma inteligência aguçada, o que o levava a ser um anarcocapitalista intuitivo.

Revista Esmeril – Você também é um estudioso de táticas militares e defensor ferrenho do armamentismo. Como foi a origem dessa influência?

Paulo Kogos – Sempre gostei muito de armas, de táticas e de história militar – e fui servir o exército no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo). Chegando lá, vi como o exército é mal administrado. Tem boas coisas, mas é como uma repartição pública. Isso me lembrou uma frase de George Clemenceau (primeiro-ministro francês na 1ª Guerra Mundial): “A guerra é importante demais pra ser deixada na mão dos militares”. Mas o problema não são os militares. O problema é que fica na mão de burocratas, de políticos. Os militares são reduzidos nas condições de funcionários públicos.

Revista Esmeril – Você acredita que essa passagem pelo serviço militar foi crucial para seu ativismo como ancap?

Paulo Kogos – A partir daí (da saída do exército), comecei a pensar como seria o melhor modelo para um estado. Seria um estado pequeno, monárquico, com um rei comandante militar. Assim, os militares não seriam subordinados à burocracia civil. Haveria um corpo de juízes, provavelmente padres, doutores da lei e da moral.

Cheguei ao ponto de virar um minarquista – defensor de um estado mínimo, um night watchmen state (estado mínimo e limitado no controle do cidadão) – extremamente reduzido em tamanho e escopo, que cuidaria exclusivamente da defesa e da justiça.

Até que conheci a escola austríaca de economia e os irmãos (Cristiano e Fernando) Chiocca (do Instituto Rothbard, defensor do libertarismo). Comecei a travar grandes discussões a respeito de sistemas. Eles me disseram que, no anarcocapitalismo, a justiça e a defesa deveriam ser privatizadas. Achei aquilo um pouco radical.  Me recomendaram várias leituras em anarcocapitalismo, como (os autores) Robert Murphy, Gustave Molinari… Comecei a ler tudo aquilo e vi que era irrefutável. Quanto mais tentava refutar esses autores, mais eu chegava à conclusão de que eles estavam certos.

Revista Esmeril – Nesse seu aprendizado, houve algo que lhe incomodasse sobre o anarcocapitalismo?

Paulo Kogos – Minha última objeção ao anarcocapitalismo foi (a questão): um bandido comete um crime e as pessoas querem defender o bandido. No fundo, não teria que haver um governo para punir o bandido mesmo assim? Ai um amigo de longa data me respondeu – A sua chance de juntar pessoas como você de formar uma localidade com governança privada e leis duras contra os bandidos é muito maior no anarcocapitalismo do que se você estiver sujeito a um arranjo governamental, do qual você não pode se separar.

Aquilo calou fundo. Fui no quintal de casa, olhei para o céu num belo dia ensolarado, e disse: “eu sou um anarcocapitalista”.

Revista Esmeril – Vamos voltar ao cenário da “guerra” que enfrentamos hoje no Brasil. Você acha que o liberalismo pode resolver os problemas nacionais?

Paulo Kogos – Não gosto do tema “liberal” para defender o contexto de liberdade. (Na verdade) Sou um inimigo do liberalismo. Eu defendo o libertarismo com raízes na escolástica, na escola de Salamanca, e combate o relativismo moral pregado pelos liberais clássicos.

Revista Esmeril – A partir desses princípios, como você definiria nossa administração no Planalto?

Paulo Kogos – O atual governo do presidente Jair Bolsonaro não é verdadeiramente conservador, nem tampouco poderia ser considerado liberal clássico. É mais uma forma de positivismo republicano, com elementos sociais-democratas, representada pela escola de Chicago, que lamentavelmente Paulo Guedes defende.

Revista Esmeril – Mas você não vê pontos positivos no governo Bolsonaro?

Paulo Kogos – Felizmente, (o atual) governo representa uma rebarba – que foge ao controle do sistema, porque a população ficou revoltada com o desmando social-democrata. As pessoas responderam ao colapso social e econômico decorrente ao ciclo de fascismo dos governos FHC e Lula. E com o término de um ciclo, isso fez com que a população respondesse nas urnas, elegendo alguém que foge do controle do modelo do sistema, e que possui, sim, elementos conservadores em suas posições, principalmente no que tange a valores morais.

É uma grande alegria ver que Bolsonaro é um defensor da vida, e não irá liberar o aborto. É uma felicidade ver que ele agiu de forma firme contra o plano de invasão da ONU, rejeitando o acordo de imigração. Isso nos dá um tempo para reagir.

Revista Esmeril – Certamente, você vê também alguns pontos negativos no executivo federal.

Paulo Kogos – O governo Bolsonaro é socialista, porque intervém na economia, mas faz tudo isso em um grau muito menor que seus odiosos inimigos: o PSDB, o MBL…o DEM. São ordens de magnitude muitas vezes piores do que tudo o que Bolsonaro poderia fazer.

Por isso que é muito perigoso o que esses esquerdistas, inimigos do Bolsonaro, estão fazendo agora. A melhor chance que temos de libertação é manter o Bolsonaro no poder contra seus inimigos. Porque se houver um impeachment, por exemplo, o conservadorismo no Brasil está acabado. Temos que defender o que é justo, o que nos coloca no caminho da liberdade. Ou seja: o Bolsonaro não é a solução. Mas podemos aproveitar o êxito, aproveitar esse tempo que temos para respirar e defender a liberdade, sempre de forma intransigente.

Revista Esmeril – Como você analisa o Brasil historicamente do ponto de vista conservador?

Paulo Kogos – Durante a história do Brasil, tivemos poucos exemplos de conservadorismo. Mas sim, como disse muito bem Cristiano Chiocca certa vez em uma palestra, podemos citar três nomes que representaram uma ruptura com o establishment: Jânio Quadros, apesar de sua admiração terrível pela União Soviética, Collor – que abriu o comércio, mas roubou o dinheiro das pessoas e Bolsonaro – apesar de seus defeitos. Veja que os dois primeiros não terminaram os seus mandatos. Portanto, (agora) temos que vigiar.

Revista Esmeril – O Brasil sempre foi um país católico, apesar de a esquerda lutar com todas suas forças para dizer que “isso não é permitido, visto que somos um estado laico”. Mas como você analisa a queda de popularidade do catolicismo… Isso teria a ver com o avanço da Teologia da Libertação que influenciou diretamente na política?

Paulo Kogos – Há uma tendência mundial do abandono da Igreja Católica. Isso faz parte do plano dos comunistas. Antonio Gramsci (fundador do Partido Comunista italiano) sempre disse que os pilares da civilização a serem atacados seriam a família e a igreja. A Teologia da Libertação foi desenvolvida pela União Soviética e implantada no Brasil sobre o patrocínio de Fidel Castro em Cuba. E como você bem apontou, ela é uma das causas da crise que vivemos da Igreja Católica no Brasil. Mas não é o único fator.

O fato é que sim: missas progressistas, abusos litúrgicos…tudo isso esvazia os bancos das igrejas. Porque o que as pessoas buscam, o que mantém a fé das pessoas, é a verdade, a firmeza doutrinária. É tudo o que há de verdadeiramente mistagójico (algo que inicia as pessoas nos propósitos da religião) na verdade da Palavra de Cristo. E a Teologia da Libertação é uma heresia odiosa, que prega o comunismo e a destruição dos valores familiares, solapa a economia dos países, politiza a hermenêutica bíblica e as interpretações da doutrina e faz com que a fé das pessoas se torne secularizada, perdendo totalmente o norte espiritual que a religião deve ter.  

É importante que preguemos a verdade da doutrina e coloquemos os objetivos espirituais acima dos objetivos temporais.

Revista Esmeril – Analisando tudo o que falamos hoje, não há como escapar da derrocada econômica causada, principalmente, pelas medidas autoritárias tomadas por alguns prefeitos e governadores. Como seria seu modo de ação se você estivesse no governo federal? O que você mudaria na política econômica brasileira?

Paulo Kogos – Primeiro, eliminaria todos os entraves à livre iniciativa – todas as regulações que são piores que impostos. Eliminaria as regulações para abrir empresas, que não deveria demorar mais que 3 segundos. E, finalmente, cortar todos – ou quase todos os impostos. Imposto é roubo, diga-se de passagem. Imposto de renda…Cofins e ICMS, IPTU, IPVA… Tudo isso é palhaçada e tem que acabar.

Revista Esmeril – Como substituir a arrecadação, com tantos cortes? Hoje, tudo está conectado por impostos municipais, estaduais e federais.

Paulo Kogos – (Uma alternativa) seria cobrar taxas físicas de defesa. O fato é que (na idade média) os senhores feudais cobravam uma série de impostos abusivos, e hoje cobra-se dez vezes mais e nos chamam cinicamente de contribuintes. É preciso cortar imposto.

Tem de deixar todos os preços da economia flutuarem livremente. O BC deve ser extinto. É preciso também promover a desestatização da moeda. A moeda é muito importante, é determinante como os recursos são alocados e os sinais de preços são transmitidos numa economia. Portanto, não pode ser controlado pelo estado.

Hoje os bancos operam de forma insolvente, alavancadas, num regime de reservas fracionárias – o que deve ser proibido. Paulatinamente, devemos obrigar os bancos a ter uma reserva de 100%. O sistema financeiro bancário também deve ser desalavancado. Os bancos devem assumir 100% os custos de qualquer operação de alavancagem que fizerem, ao invés de socializar estes custos através do subsídio do crédito e da inflação, que depreda a poupança do trabalhador, do assalariado e do aposentado.

Revista Esmeril – Para encerrarmos, como você analisa o anarcocapitalismo nesse momento de incertezas?

Paulo Kogos – No momento, não há ninguém que defenda a sólida ciência econômica, a propriedade privada, a não ser os anarcocapitalistas – adeptos da escola austríaca de economia.

fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

2 Comments

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado.

This div height required for enabling the sticky sidebar
Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views :