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domingo, 19 setembro, 2021

O Presidente Americano que Denunciou a Influência da Indústria-Militar na Política do País

Revista Mensal
Jonas Buccinihttp://www.revistaesmeril.com.br
Patriota, Conservador e Entusiasta da História Militar!

Em seu discurso de despedida, Presidente Eisenhower denunciou a relação promiscua entre forças do governo e do setor industrial-militar

Contexto Geopolítico

Cold War: What Was It And How Did It Start?
Guerra Fria durou de 1945 até 1991.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a rendição incondicional dos alemães em Maio de 1945 e dos japoneses em Setembro daquele mesmo ano – após o lançamento de duas bombas atômicas em duas de suas cidades em Agosto. O mundo foi jogado em um contexto geopolítico de suspense.

Era o início da Guerra Fria, com a divisão dos países entre as forças alinhadas aos Estados Unidos (OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte) e aos países alinhados a União Soviética (Pacto de Varsóvia). Ambos os blocos começaram a criar um arsenal de armas nucleares e demais equipamentos para proteger seus interesses nessa nova rodada na busca pela hegemonia global.

Mas essa corrida armamentista teria um preço a ser pago pelas suas próprias populações civis, que se tornariam vítimas de forças com interesses econômicos em um conflito.

Presidente Eisenhower

General Dwight “Ike” Eisenhower (Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa) falando com os paraquedistas da 101ª Divisão Aerotransportada em Newbury, Inglaterra, em 5 de Junho de 1944, um dia antes do Dia-D.

Dwight D. Eisenhower (1890-1969), de apelido “Ike”, foi o 34º Presidente dos EUA (1953-61) e também um General Cinco Estrelas do Exército Americano, sendo o Comandante Supremo das Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Foi o responsável pela dessegregação racial nas Forças Armadas e pela Lei dos Direitos Civis de 1957. Mais do que ninguém, tinha amplo conhecimento do setor militar nos EUA.

Em apenas três meses no Cargo, soltou a seguinte declaração em um discurso para a Sociedade Americana de Editores de Jornais:

”Cada canhão que se fabrica, cada navio de guerra lançado, cada foguete disparado significa, em última instância, um roubo de quem tem fome e não se alimenta, quem tem frio e não se veste.

Este mundo em armas não está gastando dinheiro sozinho. Está gastando o suor de seus trabalhadores, a genialidade de seus cientistas, a esperança de seus filhos. O custo de um bombardeiro pesado moderno é este: uma escola de tijolos moderna em mais de 30 cidades. São duas usinas de energia elétrica, cada uma servindo a uma cidade de 60.000 habitantes. São dois hospitais excelentes e totalmente equipados. São cerca de cinquenta milhas de pavimento de concreto. Pagamos por um único avião de combate com meio milhão de bushels de trigo. Pagamos por um único contratorpedeiro com novas casas que poderiam abrigar mais de 8.000 pessoas.

Este é, repito, o melhor estilo de vida que pode ser encontrado na estrada que o mundo tem trilhado. Este não é um estilo de vida, em qualquer sentido verdadeiro. Sob a nuvem da guerra ameaçadora, é a humanidade pendurada em uma cruz de ferro. ”

– Presidente Dwight D. Eisenhower, 16 de Abril de 1953, Statler Hotel, Washington (DC).

O Discurso de Despedida

Presidente Dwight D. Eisenhower em seu último discurso na Casa Branca.

Em 17 de Janeiro de 1961, durante seu discurso de despedida, poucos dias antes de passar a cadeira presidencial para John F. Kennedy, Eisenhower fez sua famosa denuncia acerca do Complexo Militar-Industrial, segue o trecho:

Um elemento vital para manter a paz é nosso estabelecimento militar. Nossos braços devem ser poderosos, prontos para uma ação instantânea, para que nenhum agressor em potencial seja tentado a arriscar sua própria destruição.

Nossa organização militar hoje tem pouca relação com a conhecida por qualquer um de meus antecessores em tempos de paz, ou mesmo pelos combatentes da Segunda Guerra Mundial ou da Coréia.

Até o último de nossos conflitos mundiais, os Estados Unidos não tinham indústria de armamentos. Os fabricantes americanos de relhas de arado poderiam, com o tempo e conforme necessário, fazer espadas também. Mas agora não podemos mais arriscar a improvisação de emergência da defesa nacional; fomos compelidos a criar uma indústria permanente de armamentos de vastas proporções. Somado a isso, três milhões e meio de homens e mulheres estão diretamente engajados na defesa. Gastamos anualmente com segurança militar mais do que a receita líquida de todas as corporações dos Estados Unidos.

Essa conjunção de um imenso estabelecimento militar e uma grande indústria de armamentos é nova na experiência americana. A influência total – econômica, política e até espiritual – é sentida em cada cidade, cada casa de estado, cada escritório do governo federal. Reconhecemos a necessidade imperiosa desse desenvolvimento. No entanto, não devemos deixar de compreender suas graves implicações. Nosso trabalho, recursos e meios de subsistência estão todos envolvidos; assim é a própria estrutura de nossa sociedade.

Nos conselhos de governo, devemos nos precaver contra a aquisição de influência indevida, desejada ou não, pelo complexo militar-industrial. O potencial para o aumento desastroso de poder mal colocado existe e vai persistir.

Jamais devemos permitir que o peso dessa combinação coloque em risco nossas liberdades ou processos democráticos. Não devemos tomar nada como garantido, apenas um cidadão alerta e bem informado pode compelir o adequado entrosamento de enorme maquinário industrial e militar de defesa com nossos métodos e objetivos pacíficos, para que a segurança e a liberdade possam prosperar juntas.

– Presidente Dwight D. Eisenhower, Discurso de Despedida, 17 de Janeiro de 1961.

Referência

Military-industrial complex, Britannica, acessado pela última vez em 30 de Julho de 2021 – https://www.britannica.com/topic/military-industrial-complex

Address to the American Society of Newspaper Editors, American Rhetoric, acessado pela última vez em 30 de Julho de 2021 – https://www.americanrhetoric.com/speeches/dwighteisenhowercrossofiron.htm

Transcript of President Dwight D. Eisenhower’s Farewell Address (1961), Our Documents, acessado pela última vez em 30 de Julho de 2021 – https://www.ourdocuments.gov/doc.php?flash=false&doc=90&page=transcript


”A paz que buscamos, fundada em uma confiança decente e esforço cooperativo entre as nações, pode ser fortificada, não com armas de guerra, mas com trigo e algodão, com leite e lã, com carne e madeira e arroz. Estas são palavras que se traduzem em todas as línguas da terra. Estas são as necessidades que desafiam este mundo em armas. ”

– Presidente Dwight David “Ike” Eisenhower, 1953

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