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domingo, 19 setembro, 2021

Restos mortais de monstros antigos

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Novo achado fóssil no interior de São Paulo

Seguindo o estranho curso do rio Tietê, que corre para o interior do Estado de São Paulo, no sentido Oeste, ao invés de descer a serra do mar e formar um estuário com o Atlântico, chega-se às regiões de relevo denominadas depressão periférica e planalto ocidental. Esta é uma região antiquíssima, onde fósseis de animais pré-históricos são frequentemente descobertos. Recentemente no município de Marília, localizado no planalto ocidental paulista, mais um achado paleontológico causou a alegria dos paleontólogos e entusiastas.

Detalhe do fóssil. Fonte: Willian Nava/Museu de Paleontologia de Marília/Divulgação.

A descoberta da vez consiste em uma porção do fêmur de um Titanossauro, um colosso que habitou o interior paulista antes dos Bandeirantes, dos índios, dos primeiros exploradores de além-mar e antes mesmo do Santo Apóstolo, que batizara a região com o seu nome, nascer. Segundo os pesquisadores, a carne que revestia aquele fêmur desapareceu há 70 milhões de anos. O osso, preso a uma rocha de arenito, teve a retirada concluída nesta segunda-feira, 26, após dois meses de cuidadoso trabalho. Para o paleontólogo Willian Nava, a descoberta concorre para a asseverar as teorias sobre a existência de um cemitério de dinossauros no centro-oeste paulista.

Os restos mortais do Titanossauro estavam há dez metros de profundidade e só foram descobertos graças aos trabalhos de duplicação da rodovia Dona Leonor Mendes de Barros (SP-333), na região fronteiriça entre os municípios de Marilia e Júlio de Mesquita. Descoberto o fóssil e acionados os paleontólogos, a concessionária Entrevias interrompeu as obras. Pesquisadores de uma empresa de paleontologia e do Museu de Paleontologia de Marília cuidaram dos achados.

“Acreditamos tratar-se da pata de um Titanossauro. Após o salvamento e retirada da matéria do entorno, teremos mais condições de estudá-lo detalhadamente”.

 Nilson Benuci, Geólogo que conduziu os trabalhos de escavação.

A completa retirada dos restos mortais da magnífica criatura exigiu muitas horas de um trabalho minucioso. Martelos e talhadeiras foram empregados para a remoção do material. Em seguida, o fóssil bruto fora levado para o museu, do qual Willian Nava é o principal gerente.

“A descoberta desse osso, embora isolado, confirma que de fato muitos desses animais viveram em nossa região, especialmente durante o período cretáceo, há 70 milhões de anos. O Oeste paulista está sobre um cemitério de animais pré-históricos, especialmente os grandes dinossauros”.

Willian Nava.
Equipe de paleontólogos conclui as escavações para a retirada do fóssil em Marília. Fonte: Willian Nava/Museu de Paleontologia de Marília/Divulgação.

No fim de junho, a Esmeril noticiou a descoberta de uma ninhada de ossos fossilizados no interior paulista pela equipe do Dr. Willian Nava.

“Em 2012, escavamos uma ossada fóssil quase completa de titanossauro a um quilômetro e meio desse local. Tinha 60% do esqueleto e hoje está sendo estudado na Universidade de Brasília”.

Nava.
Representação gráfica de um Titanossauro, o animal podia alcançar cerca de seis metros de altura. Fonte: Bernardo Gonzalez Riga/Divulgação.

De acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que regula as concessões da malha viária concedida, os contratos celebrados com as concessionárias obrigam-as a preservar todo o material de valor histórico, artístico e arqueológico que possa ser encontrado nos 11,2 mil quilômetros da malha viária paulista concedida à iniciativa privada. As empresas devem comunicar as equipes de arqueólogos e paleontólogos de plantão sempre que algum objeto for encontrado.

Com informações do portal Terra.

“A verdadeira viagem da descoberta consiste não em buscar novas paisagens, mas em ter olhos novos”.

Marcel Proust.

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