NESSES TEMPOS DE CONFINAMENTO E DITADURA SANITÁRIA, A DEFINIÇÃO DE “VOCÊS VÃO VER O QUE É BOM PRA TOSSE” FOI ATUALIZADA COM SUCESSO

CAPÍTULO I – OS ESPECIALISTAS

A ESTRANHA EPOPÉIA DE DAVID UIP

Era quatro de março de 2020.

Em entrevista publicada ao Estadão, o então Coordenador do Centro de Contingência para o Coronavírus do Estado de São Paulo, David Uip, questionava ações visando conter a disseminação do COVID-19, como o fechamento de cidades, criticando as diretrizes da Organização Mundial de Saúde sobre o isolamento de doentes.

“Quarentena é uma coisa muito complicada. Na minha opinião, muito discutível. Se você analisar as recomendações da OMS de quarentena, elas são pouco factíveis para países em desenvolvimento. Como você pensa que pode isolar as pessoas em um quarto? Não conhece como funciona uma favela”.

À época, elogiou a condução do Ministério da Saúde. E alfinetou: “O que está muito estranho são as medidas tomadas por governos e por instituições, que não têm muito suporte técnico nem na história”. Criticou o que chamou de “macroisolamento”, ilustrando-o com a quarentena imposta pelo governo japonês ao navio Diamond Princess, após um caso confirmado.

“Quando atracou, tinha um caso confirmado. Agora, são mais de 700. Você deixou em situação de casa fechada uma porção de pessoas” […] “sou absolutamente contra qualquer tipo de isolamento de cidades, ainda mais no Brasil, porque ela não é real, não vai acontecer. Por isso estou questionando muito a OMS não decretar uma pandemia, porque você acaba com essa situação. Estamos diante de uma doença viral, de pouca morbidade e de baixa letalidade, baixa mortalidade, com grupos de gravidade muito bem estabelecidos. (…) A solução é cuidar de pacientes graves. (…) Tem de evitar a mortalidade. Criou-se uma dimensão maior do que o fato por enquanto”.

Sobre o pânico em torno do coronavírus acabar mais prejudicando do que ajudando, Uip foi direto ao ponto: “É um desserviço. Olha o que está acontecendo com máscara e álcool gel. Está em falta e já quadruplicou o preço. Não tem o menor sentido. Máscara para uso no dia a dia é uma besteira. Inclusive porque tem durabilidade de duas a três horas.(…) As pessoas precisam ter a responsabilidade social de não sair comprando lotes de álcool, comprando todas as caixas de máscaras, estocando alimento. Não tem nexo”.

Em 11 de março, o vice-presidente do Instituto do Coração (Incor), Fabio Jatene, falava de uma reunião ocorrida por lá, na qual Uip passou aos médicos os cenários de infectados pelo vírus no estado e indicou uma “explosão de casos”. Jatene fazia eco a afirmação de Uip sobre a necessidade de ter 10 mil leitos de UTI disponíveis para atender os infectados. A demanda, segundo Jatene, autor do áudio, “seria impossível de cumprir dada a insuficiência de postos preparados”.

Em 16 de março, o governo de São Paulo publicou o decreto 64.864, onde se instituiu o Comitê Administrativo Extraordinário COVID-19. Seu objetivo é “assessorar o Governador do estado em assuntos de natureza administrativa relacionados à pandemia…”

Por coincidência, foi durante a semana de 16 a 22 de março, quando se instalou o comitê administrativo, que David Uip se recolheu por suspeita de ter contraído o vírus pandêmico. É o que se depreende na legenda de uma foto do Coordenador publicada pela Isto é Dinheiro. Considerando que a reportagem foi atualizada às 19h28 do mesmo dia, confirma-se então que se isolou voluntariamente, pois a licença só ocorreu alguns dias depois.

Uip está isolado desde a semana passada, quando foi infectado pelo coronavírus
(Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil)”

Ainda assim, ele continuava a despachar, mesmo tendo ciência da suspeita de COVID-19.

Continuava a despachar… E a conversar com repórteres.

No dia 17, o coordenador que integrava a equipe de combate ao coronavírus no estado de São Paulo viria a sugerir ao governo federal a mudança do período de quarentena de 14 para dez dias. Essa conclusão vinha sendo formada por médicos que acompanhavam os casos de coronavírus em São Paulo. “Nós vamos sugerir ao Ministério da Saúde que mude o critério do tempo da quarentena, que diminua de catorze para dez. Faz toda diferença no impacto da força de trabalho da saúde”, disse David Uip.

Segundo reportagem, entre as medidas a ser tomadas se contava ampliar a quantidade de testes. E Uip afirma: “Nós entendemos que é adequado tentar ampliar os centros de diagnóstico. Mas insisto: existe o mundo ideal e o real. O mundo ideal é fazer exames pra todo mundo, isso não é real”.

No dia 21, em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, anunciou-se uma quarentena de 15 dias no Estado de São Paulo, a começar de 24 de março.

Aqui cabe uma curiosidade: o governo federal já havia decretado, dia 04 de fevereiro (antes do carnaval), o estado de emergência. Somente no dia vinte e um de março o governo de São Paulo pôde reconhecer a gravidade da situação em seu estado sobre uma pandemia de alcance mundial, decretando uma quarentena? Mesmo tendo feito um comitê de crise no mês de janeiro? Ora, se havia um comitê de crise, a situação deveria ser grave… Não era?

No dia 23, David faz a revelação pública de que testou positivo para coronavírus. E se licencia.

Em uma publicação, Monica Bergamo exibe um vídeo de David Uip contendo os dizeres:

Hoje eu acordei pela manhã e percebi que eu estava com uma febre baixa, 37,3 e um pouco de tosse. Pelo cargo que eu ocupo, pela exposição que eu tenho com os pacientes, eu resolvi ir até o hospital Sírio-Libanês fazer exames.

Colhi o material e vim para a minha casa onde eu estou, quietinho, isolado, aguardando o resultado. Estou muito bem. Sinto ainda um pouquinho de febre, de vez em quando tusso um pouquinho.

Pode ser o coronavírus, ou qualquer outro. Por precaução, em cima daquilo que nós estamos falando, eu estou isolado. E se o exame for positivo, eu manterei a quarentena como qualquer outra pessoa. Se for negativo e eu estiver bem, voltaremos ao nosso trabalho. Mas estou muito bem, obrigado. Agradeço o carinho e a preocupação de todos.

O governador de São Paulo, João Dória, por óbvio, foi correndo fazer exames, segundo nota no twitter. No mesmo dia:

Outra curiosidade a ser levantada é: se já era pública a suspeita de corona do coordenador, por que só no dia em que Uip o declarou, Doria resolveu se mexer para cuidar de sua própria saúde?

A RECEITA DE SAÚDE DE DAVID UIP.

No dia 08 de abril, David Uip, que retornara às atividades após mudar radicalmente de opinião sobre os argumentos antes defendidos, deparou-se com uma polêmica: o vazamento de uma receita médica assinada por ele mesmo. A receita circulou nas redes sociais no dia anterior, impulsionada também por apoiadores de Bolsonaro. David confirmou a autenticidade da receita médica para cloroquina.

Aqui parece haver uma certa lógica, ainda que absurda: se o Chefe do Centro de Contingência contra a Covid-19 em São Paulo pode se auto-licenciar, por que não se auto-receitar?

Pra que um médico oficial a fim de realizar o devido trâmite, não é mesmo?

E POR FALAR EM COMITÊS, FOQUEMOS NO EXTRAORDINÁRIO…

Segundo o artigo 3º do decreto 64.864, a atribuição do Comitê Administrativo Extraordinário COVID-19 é “assessorar o Governador do Estado em assuntos de natureza administrativa relacionados à pandemia…”. No parágrafo único do mesmo artigo, tópico 1, uma das atribuições precípuas do comitê é “…submeter ao Governador do Estado, quando caracterizada a competência privativa deste, propostas de decreto tendo por objeto a pandemia do COVID19, bem como determinar aos Secretários de Estado e dirigentes máximos das entidades da Administração Indireta a adoção de medidas em seus respectivos âmbitos”. Logo, o Comitê emitirá propostas de decreto, para o Governador, relacionadas à pandemia.

…“SAMPA…TEMOS UM PROBLEMA”. – Astronauta do mármore.

Ainda conforme o decreto, o comitê do COVID-19 tem como atribuição assessorar as decisões do governador de Estado em assuntos de natureza administrativa, ou seja, ações típicas do Poder Executivo estadual, como contenção, fechamento do comércio, entre outras, das quais a população paulista tem ciência. A composição do gabinete possui a seguinte estrutura, segundo o artigo 3º:

I – Secretário de Governo, que o presidirá;
II – Secretário da Saúde;
III – Secretário da Fazenda e Planejamento;
IV – Secretário de Desenvolvimento Econômico;
V – Procurador Geral do Estado.

PARA UM BOM PROFISSIONAL, UMA MALA DIRETA AJUDA MUITO…

Segue abaixo um portfólio de membros do comitê.

Secretária de Desenvolvimento Econômico: Patrícia Ellen da Silva.

Em seu currículo, apresenta-se como “ex-sócia da consultoria McKinsey & Company, é professora de Liderança e Inovação Digital no Mestrado em Liderança e Gestão do Centro de Liderança Pública”.

Sobre Mckinsey & Company, a USP possui uma vaga lembrança.

Em 2016, a Associação dos Docentes da USP protocola, no Ministério Público de São Paulo, ao Grupo de Atuação Especial de Educação (Geduc), uma representação, pedindo a instauração de inquérito civil para apurar eventual fraude à Lei de Licitações. Há vários apontamentos a serem considerados nessa celebração. Citemos alguns:

A entidade privada Comunitas, uma organização social de interesse público (Oscip), celebrou “Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria”, no valor de R$ 5 milhões com a empresa McKinsey & Company do Brasil, para que esta prestasse serviços relacionados a um projeto da Universidade de São Paulo (USP), denominado “USP – criando modelo de excelência de captação de recursos e gestão de aprimoramento da administração financeira. A universidade participa desse contrato na condição “ beneficiário/anuente”.

O contrato entre Comunitas e McKinsey faz referência ao “Termo de Doação” e ao “Acordo de Cooperação” firmados entre ambas e a USP, ao considerar que o resultado do contrato é o objeto do Termo de Doação. Havia um quarto protagonista no financiamento do projeto: “Amigos da USP”, a quem caberia remunerar a Comunitas, para que esta pagasse à McKinsey.

No termo de doação, Comunitas aparece como “doadora”, e a USP como “donatária” do projeto, que “visa a criação de um modelo de captação de recursos e de gestão administrativa e financeira elaborado pela anuente”. McKinsey figura como “anuente”. O termo ainda estabelece que a USP, além de celebrar o Acordo de Cooperação com a Comunitas, “efetivará todos os esforços para a consecução do projeto, objeto do presente instrumento”, bem como compromete-se “com a execução do projeto”. O que não ficou claro foi se essas cláusulas referem-se às ações e meios para que o projeto de consultoria seja executado, ou se a universidade estaria se comprometendo de antemão com a implantação das suas conclusões.

No acordo de cooperação entre a McKinsey e USP, a Comunitas aparece apenas como anuente. No entanto, estipula que seu objeto é “a cooperação entre os partícipes, para que a Comunitas e a Consultoria [McKinsey] possam elaborar, mediante informações prestadas pela USP, projeto para criação de um modelo de captação de recursos e de gestão administrativa e financeira”. Ao observar o instrumento contratual, a Comunitas entra no projeto não só como financiadora e doadora, mas também como coautora ao lado da McKinsey.

O nome de Patrícia Ellen da Silva aparece como representante da McKinsey na nomeada “Coordenação Técnica e Administrativa do presente Acordo”, ao lado Américo Ceiki Sakamoto, pela USP, e por Patrícia Loyola, pela Comunitas.

Secretário de Fazenda e Planejamento: Henrique Meirelles.

Foi o presidente do Banco Central com maior atuação, cargo que ocupou entre 2003 e 2011. Comandou o Ministério da Fazenda entre 2016 e 2017. Único brasileiro a ocupar o posto de presidente mundial do BankBoston, onde trabalhou por 28 anos.

Em pleno governo Lula, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central no período, começou a ser questionado sobre movimentação financeira.

Em 2005, o Ministro Marco Aurélio de Mello determinou abertura de processo de investigação contra Meirelles, suspeito de crime contra o sistema financeiro e evasão de divisas. As denúncias foram decorrentes da divulgação das investigações da CPI do Banestado. A CPI ocasionou ainda a demissão do diretor de política monetária do BC, Luiz Augusto Candiota.

O caso Banestado mostrou uma remessa de mais de dois bilhões de reais ao exterior, um dos maiores crimes financeiros da história atual do Brasil. O doleiro Alberto Youssef era um dos principais personagens, sendo responsável por enviar o dinheiro obtido de forma ilegal a outros países, usando dados de “laranjas”. O principal destino dos recursos eram contas na agência do Banco do Estado do Paraná (Banestado), situado em Nova York. O resultado do Banestado? Cerca de 100 pessoas foram condenadas pelo escândalo. A maioria foi beneficiada porque os crimes prescreveram.

Só dois condenados não recorreram da sentença. Os demais réus, apoiados em direitos de defesas, entraram com recursos. O que o juiz de primeira instância responsável pelo processo, Sérgio Moro, conclui em forma de desabafo num despacho de 2016:

“Há algo de errado em um sistema criminal que leva tanto tempo para produzir uma condenação definitiva. (…) Quase vinte anos desde os crimes. Quase doze anos desde a sentença de primeiro grau. Desde o acórdão no TRF4, em 2008, no qual houve redução das penas, foram interpostos somente recursos de caráter protelatório pelas Defesas, o que levou ao reconhecimento da prescrição para boa parte dos condenados. Aliás, entre 2014 e 2015, só não houve trânsito pela insistência em recurso sabidamente inadmissível. A única vitória desde então à prescrição parcial”.

Em 2006, o empresário Luiz Cintra Filho afirma ter feito inúmeras transferências ilegais de dólares de Miami (EUA) para o Brasil, com a ajuda do BankBoston International e de uma rede internacional de doleiros entre 1991 e 1997. O dinheiro movimentado tinha origem em caixa dois. Cintra Filho diz que as operações nunca foram declaradas à Receita Federal ou ao Banco Central e chegaram a cerca de US$ 300 mil em alguns anos. Inúmeras transferências da conta de Cintra Filho foram feitas para o MTB Bank, em Nova York, na conta de Horten Financial, mantida no MTB por uma rede doleiros. Segundo o empresário, as transferências ilegais de sua conta eram processadas pela então gerente Silva Rosen, a qual trabalhou na agência de Coral Gables, sul de Miami, e com quem manteve relações pessoais durante anos. Silva relatou várias vezes como a prática de remessas ilegais era “comum” na agência de Coral Gables e que os altos escalões do BankBoson tinham “conhecimento do assunto, já que milhões de dólares eram movimentados mensalmente.

Várias dessas movimentações ocorreram à época em que o atual presidente do BC, Henrique Meirelles, era presidente mundial do BankBoston Corporation, em Boston (1996 a 1999). O MTB foi identificado em 2003, pela Polícia Federal, como sendo um núcleo de operações de doleiros. Segundo a PF, a Horten Financial era uma offshore administrada por doleiros.

Meirelles, à época, não se pronunciou a respeito.

Em 2012, Henrique Meirelles assumiu o Conselho de Administração da J&F holding que controla a Eldorado Brasil, a convite de Joesley Batista. Em 2016, a Polícia Federal deflagrou a Operação Greenfield, que investigava desvios de dinheiro nos quatro maiores fundos de pensão do país – Funcef (Caixa Econômica Federal), Petros (Petrobras), Previ(Banco do Brasil) e Postalis (Correios).

Na operação, foram conduzidos o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro; os donos da holding J&F, Wesley e Joesley Batista; e o presidente da WTorre, Walter Torre. A ação foi baseada em dez casos que geraram déficits bilionários aos fundos de pensão.

Meirelles, apesar de ter sido membro do Conselho Consultivo da J&F, alegou que nunca a dirigiu, limitando-se a apenas prestar consultoria, cujos serviços foram concentrados na montagem do Banco Original. Após o período de consultoria, “assumiu temporiamente, e de forma transitória, a presidência do Conselho de Administração da J&F”, e em nenhum momento exerceu quaisquer funções executivas na empresa.

Em 2019, mais explicações de Meirelles. A Polícia Federal deflagrou a Operação Janus, em 2016, uma investigação para apurar se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva praticou tráfico internacional de influência em favor da Construtora Odebrecht. Como atuou como presidente do Banco Central durante todo o governo Lula, 2003 a 2011, Henrique Meirelles foi questionado sobre suposto pagamento de propina da Odebrecht ao Partido dos Trabalhadores, em razão da linha de créditos do BNDES, que favoreciam empreendimentos da construtora em Angola. Mereilles negou.

Secretário de Governo: Rodrigo Garcia.

Foi deputado federal por dois mandatos (2011/2018) e líder da bancada do Democratas (DEM). Como deputado estadual, exerceu três mandatos, tendo sido presidente da Assembléia Legislativa entre 2005 e 2007. No Governo de São Paulo, foi secretário nas pastas de Habitação, Desenvolvimento Econômico e de Desenvolvimento Social. Também foi secretário de Gestão da Prefeitura de São Paulo.

O empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, preso pela Lava Jato em Curitiba, fez um testemunho das atividades de Rodrigo Garcia: em 2007 o empresário autorizou, após um pedido do Secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), ao então deputado estadual Rodrigo o pagamento de R$ 1 milhão em espécie para acelerar liberação de verba para linha 4-amarela do Metrô de São Paulo.

O relato consta em proposta da delação de Pinheiro ao Ministério Público Federal. No final daquele ano, a equipe técnica responsável pela avaliação de litígios da linha apontou a necessidade de uma atualização do contrato, no valor de R$ 180 milhões, em prol do consórcio executor da obra, composta por OAS, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa. O valor deveria ser desembolsado pelo governo paulista. Segundo Pinheiro, “para que fosse agilizado o pagamento dessa quantia [R$ 180 milhões], tomei conhecimento através do diretor da OAS de que o então secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes, exigiu do consórcio o pagamento da quantia de R$ 5 milhões, sendo que cabia a cada empresa o pagamento do valor de R$ 1 milhão”. “Autorizei que parte da OAS fosse paga em espécie diretamente para o então deputado estadual Rodrigo Garcia”.

Outra testemunha do legado de Rodrigo Garcia vem do ex-diretor do Metrô de São Paulo, Sérgio Corrêa Brasil. Em delação a procuradores da Lava Jato, no ano de 2019, afirmou a existência de um suposto esquema de propina no órgão com pagamento a partidos para conseguir aprovação de projetos de interesses de empreiteiras na Assembleia Legislativa e no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Rodrigo Garcia foi citado de ter “vínculo mais forte” com as supostas irregularidades em seu mandato de deputado. Corrêa afirma, em trecho da delação, que fez “15 ou 20 entregas de valores indevidos a Arnaldo Jardim, sendo que os valores variavam entre R$ 40 mil e R$ 60 mil” a Rodrigo, seu “padrinho” político. Ainda diz que, apesar de não poder precisar a forma de divisão de tais valores, o dinheiro entregue a Arnaldo Jardim era destinado também a Rodrigo Garcia.

Segundo a delação, as propinas seriam destinadas às obras da Linha 2-Verde, Linha 5-Lilás e em licitação da Linha 6-Laranja do Metrô. As obras ficaram mais caras e lentas, e as empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa teriam pago valores a partidos políticos (PPS, PSDB, PFL – atualmente o DEM, e PTB). Parte da propina era repassada a deputados estaduais. Na fala de Sérgio Corrêa “o recurso viria de percentuais de aditivos de contratos para obras no metrô. Soube, então, que eram quatro deputados que estavam liderando isso dentro da Assembleia de São Paulo. E que, com relação ao metrô, nós teríamos esse vínculo mais forte com o deputado Rodrigo Garcia e com o deputado Arnaldo Jardim”. [26]

Por uma estranha coincidência, o Governo de São Paulo, através da sua delegação enviada a China, em 2019, fez questão de assinar um protocolo de intenções com uma subsidiária da China Railway Construction Corporation (CRCC), CR20, em que se nota o interesse da companhia chinesa em participar da licitação da Linha 6-Laranja, do Metrô da capital, a ocorrer ainda no mês de agosto de 2020. A linha ligada a uma delação sobre propinas.

A lista de testemunhos traz agora Everton Rheinheimer, ex-diretor da multinacional Siemens.

Em 2013, em relatório apresentado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), Rheinheimer afirmava dispor de documentos que provavam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, para abastecer o caixa 2 do PSDB e do DEM. Edson Aparecido (PSDB), foi apontado pelo lobista Arthur Teixeira como recebedor de propina das multinacionais suspeitas de participar do cartel dos trens em São Paulo entre os anos de 1998 e 2008. Rheinheimer escreve que o cartel “é um esquema de corrupção de grandes proporções, porque envolve as maiores empresas multinacionais do ramo ferroviário como Alstom, Bombardier, Siemens e Caterpillar e os Governos do Estado de São Paulo e Distrito Federal”. A empresa de Arthur Teixeira, a Procint Projetos e Consultoria Internacional, é suspeita de intermediar propina a agentes públicos, segundo investigações do Ministério Público e Polícia Federal. Entre os nomes mencionados no relatório, está o de Rodrigo Garcia, à época Secretário de Desenvolvimento Econômico. É dito sobre ele que pôde presenciar o estreito relacionamento do diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, com esse político, e ainda com Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Rodrigo Garcia negou todas as acusações.

Falando em partidos, um pequeno adendo. O ex-diretor da Siemens revela uma fala um tanto estranha no relatório apresentado ao Cade. Diz que, “com a ajuda de Simão Pedro, encontrou-se duas vezes com o presidente do Cade, Vinícius Carvalho, para orientá-lo sobre aspectos importantes do acordo de leniência a ser assinado entre o órgão e a Siemens”. Segundo Everton, “uma vez instalado o inquérito pelo Cade, os advogados das empresas terão acesso aos autos e poderão identificar que eu sou o delator principal. A pressão deles e de seus mandantes sobre mim será enorme e eu gostaria de contar com o apoio do partido para poder resistir ao assédio”. Faz sentido se considerarmos que Vinícius Carvalho foi filiado ao PT por 13 anos e trabalhou na Assembleia para Simão Pedro, à época secretário da gestão Haddad em São Paulo e um dos parlamentares que mais investigaram o cartel de trens. Por omitir essas relações no currículo, Carvalho sofreu advertência da Comissão de Ética da Presidência da República. E com essa relação tão próxima com o presidente do Cade e das relações deste com a política, as ambições do ex-diretor da Siemens eram altas: “O acordo que proponho não tem nenhum risco, mas envolve minha indicação para uma diretoria executiva da Vale no médio prazo”.

Bom, depois de conhecermos um pouco os especialistas, vamos pedir a ajuda dos universitários…

CAPÍTULO II – OS ACADÊMICOS

“…Ao convidar o depoimento destes profissionais, nós demonstramos o respeito pela ciência. O respeito pela medicina. O respeito pela materialização do estudo e da técnica. E o afastamento completo do populismo, do achismo, da visão ideológica, torpe, fraca, medíocre.”

João Doria, sobre os profissionais convidados aos trabalhos relacionados à pandemia e a darem seus testemunhos em uma coletiva (17,07-17,37).

SEMPRE É BOM TER UM FIADOR…

Em 26 de fevereiro de 2020, A Secretaria de estado da Saúde realizou a primeira reunião do Centro de Contingência para o Coronavírus do Estado de São Paulo, criado para monitorar e coordenar ações contra a propagação do novo coronavírus. Este grupo trabalhará de forma integrada com o Centro de Operações de Emergências (COE) que havia sido implantado anteriormente pelo Governo do Estado.

Foram convocados profissionais especialistas das redes pública e privada, com ênfase na área de Infectologia, sob a supervisão do Secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann, e coordenação do médico infectologista, David Uip. A lista incluiu os seguintes experts: o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, e os professores Marcos Boulos (HCFMUSP), Esper Kallas (HCFMUSP), Luiz Fernando Aranha (Unifesp), Carlos Fortaleza (HC de Botucatu) e Benedito Maciel (HC de Ribeirão).

…PARA SEUS EMPREENDIMENTOS

Por causa da pandemia, várias universidades têm feito trabalhos de colaboração acadêmica.

Segundo o site da Secretaria de Educação do Governo de São Paulo, uma frente científica, aberta pela Universidade Estadual Paulista, Unesp, em parceria com pesquisadores de outras universidades, criou o Observatório COVID-19, para compreender a evolução da pandemia no Brasil, por meio de modelos matemáticos. A base desses modelos matemáticos ajuda o governo a tomar as decisões necessárias para combater o coronavírus. Participam da iniciativa do Observatório COVID-19 físicos da Unesp, USP, Unicamp, UnB (Universidade de Brasília), UFABC (Universidade Federal do ABC), Universidade de Berkeley (nos Estados Unidos) e Universidade de Oldenburg (na Alemanha).

E AÍ APARECEU UM ESTUDO…QUE SUMIU.

O Instituto Saúde, submetido ao Governo do Estado de São Paulo, posta, em rede social, em 07 de abril, o seguinte:

Antecipar fim do confinamento pode alongar a pandemia, aponta estudo de pesquisadores da Universidade Federal do ABC e da Universidade de Bristol que construíram um software que simula diferentes cenários de evolução da transmissão comunitária do Coronavírus (Covid-19).

Um link quebrado para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo é indicado. Contudo, a matéria continua disponível na Universidade Federal do ABC, assim como o estudo que motivou a postagem. De acordo com a constatação dos acadêmicos, as medidas adotadas são eficazes. “José Paulo Guedes, um dos autores do trabalho, economista e professor da UFABC conta que todos os casos simulados reforçam a eficácia da estratégia de confinamento máximo, extremo, como a melhor forma de achatar a curva de dispersão do vírus. ‘A eficácia mais garantida depende de uma alta porcentagem de isolamento de aproximadamente 90% das pessoas durante os surtos de contaminação’, aponta o pesquisador.

Esse trabalho repercutiu em periódicos de grande alcance, como o UOL. Leonardo Sakamoto destaca, em seu artigo, a fala da pesquisadora brasileira, Patrícia Camargo Magalhães, pós-doutoranda na Universidade de Bristol, no Reino Unido: “sem confinamento algum, em locais com altíssima densidade demográfica, até 90% da população, seria infecção para menos de 10%, nesse cenário, o modelo indica a necessidade de se confinar mais que 96% da população”, afirmou a pesquisadora.

A Revista Galileu também deu destaque ao trabalho.

CAÇADORES DO TESOURO, DIGO, DO ESTUDO: O TAL DO SIMULADOR.

O “working paper” é um tesouro de curiosidades. Por um lado, mostra que não é amplo o suficiente. Por outro, mostra uma pessoalidade que isola a seriedade para além do campo científico.

“Como existem muitas incertezas e debates sobre os detalhes da infecção e transmissão do COVID-19 e como este modelo é relativamente simples, as conclusões deste exercício servem para fins educacionais e de pesquisa, mas também podem ser utilizadas, ainda que de forma cautelosa, como ferramenta para tomada de decisões”. Por isso, a análise do estudo avalia um aspecto. Mas, alguns parágrafos depois, faz uma ponderação categórica que só um argumento de autoridade, típico em terras tupiniquins, é capaz de fazer com certos cientistas nossos:

“Em todos os casos simulados com o MD Corona, fica evidente que a estratégia de confinamento máximo/extremo é a melhor forma de “achatar a curva” de dispersão do vírus, eliminar o vírus do ambiente e evitar um alto número de mortes”. Sobre a diversidade de dados em cada país, os pesquisadores afirmam: “as explicações para essas diferenças são vastas e complexas e podem ser resumidas, ainda que de forma incompleta, em quatro tópicos”…(grifo nosso).

Ora, se as diferenças são vastas e complexas, elas não poderiam, de maneira nenhuma, serem enquadradas em quatro tópicos, até porque existem muitas incertezas e debates sobre os detalhes da infecção, segundo o próprio estudo.

O estudo inova em fazer de ilações uma confirmação científica. “Mesmo sem fazer simulações, apenas pela curva oficial de disseminação do vírus no Brasil (Observatório COVID-19 BR, 2020, do qual a Universidade dos pesquisadores faz parte), caso nada mude substancialmente, já poderíamos concluir que o país pode ser um dos piores casos mundiais e beirar o colapso social“. A conclusão desse estudo científico indica como fontes primárias da argumentação uma boa parcela de… artigos de periódicos.

ARTIGO CIENTÍFICO OU POLÍTICO?

Trechos do estudo científico mostram uma conotação política um pouco exagerada para a finalidade científica à qual afirma se prestar.

De início, um dado fora do objeto de estudo:

“Na semana anterior a publicação deste, o Governo Bolsonaro anunciou o corte de mais 5.613 bolsas de mestrado e doutorado pela Capes, somando às 6.198 bolsas que foram bloqueadas no primeiro semestre de 2019”.

“O Governo Federal, de forma preocupante, ainda não estabeleceu uma metodologia geral de combate ao vírus, pelo contrário, destacam-se a falta de coordenação e a aleatoriedade (Bolsonaro, 2020)”. Sobre esse trecho, na referência de pesquisa, coloca a fala do presidente no seu pronunciamento nacional de 24 de março de 2020. Porém, em sua fala, de aproximadamente cinco minutos de duração, há o seguinte trecho (0:39 a 1:01)

Nosso Ministro da Saúde reuniu-se com quase todos os Secretários de Saúde dos Estados para que o planejamento estratégico fosse construído. E, desde então, o Dr. Henrique Mandetta vem desempenhando um excelente trabalho de esclarecimento e preparação do SUS para atendimento de possíveis vítimas.

O que contradiz a destacada “falta de coordenação e a aleatoriedade”…

Em um outro trecho, os pesquisadores chegam a uma conclusão categórica. Voltando a lembrar, modelo “é relativamente simples, e as conclusões deste exercício servem para fins educacionais e de pesquisa, mas também podem ser utilizadas, ainda que de forma cautelosa, como ferramenta para tomada de decisões”. A afirmação supostamente técnica é esta:

Mostramos que o aumento do confinamento, independentemente do tempo de imunidade das pessoas ao vírus, provoca uma curva epidêmica “mais achatada”, ou seja, com menos infectados no auge da pandemia e com um tempo de duração maior, o que condiz com a maioria dos estudos científicos levantados neste artigo, com a orientação geral da OMS e com o senso comum de quase todos os cidadãos (menos o do Presidente da República e seus seguidores).

Conclusões categóricas, dados irrelevantes para um estudo científico…A única coisa que falta, nesse balaio de gato, é um pouco de militância política… Não é?

Então, inspirados por Cássia Eller, saímos à procura da tão bela militância acadêmica, essa pantera…

O amor me pegou
E eu não descanso enquanto não pegar
Aquela criatura
Saio na noite à procura
O batidão do meu coração na pista escura

Se pego, ui!

E pegamos…Lá nas redes sociais.

SENHORAS E SENHORES, COM VOCÊS: OS ACADÊMICOS DA QUARENTENA:

Comecemos por Patrícia Magalhães.. .Divulgando o trabalho

Constatamos que a pesquisadora é muito fotogênica.

Talvez a amiga dela, Manuela, também seja.

Eh…Treze é número de sorte?

Haddad é colega de pesquisa da UFABC?

Indicado gentilmente pela Patrícia, fomos conhecer seu colega de trabalho técnico: José Paulo Guedes Pinto. Abaixo, fazendo uma convocatória de voluntários para o trabalho que deveria ser científico, cujo projeto foi aprovado pela UFABC, segundo o pesquisador. E um fator motivador “não motivacional”: “p.s.: não se motive por isso, mas o projeto está concorrendo a algumas verbas de pesquisa e o trabalho pode vir a ser contemplado com bolsa (até 4 meses) no futuro próximo”.

O cara é bom de propaganda.

Como bom acadêmico, esbanja conselhos bem isentos e científicos, como… Não ouvir o Presidente….

Não comprar em algumas empresas que apoiaram Jair Bolsonaro…

…Ou chegar a conclusões interessantes: “…só vai ter solução decente com uma greve geral forçada pra não morrer trabalhador e um salário mínimo por cabeça no país”. Aí vem uma pergunta idiota, de um trabalhador sem doutorado: pra que uma greve geral, se uma quarentena extrema é mais legal?

Lula gostaria de conhecer esse rapaz, talvez.

E, como diria Dilma Roussef, há sempre um sujeito oculto atrás de José: Marx. Não, não nos referimos a um cachorro.

Enquanto Bolsonaro incendeia a Amazônia, nosso acadêmico militante incendeia sua linda carreira.

Ah, sim, achamos um gráfico. Puxa vida, esperávamos dados isentos de política. Realmente não há vontade nenhuma em argumentar.

Uma pergunta: não seria legal deixar a Marielle Franco descansar em paz? É só uma ideia.

E aí o leitor pensa: “bom, pode ser uma mera coincidência”.

Mas quando você pesquisa os trabalhos, em 2019, das teses de… Doutorado (sim, amigo, para formar doutores) da Universidade Federal do ABC, acha-se, no trabalho de número 69 (sugestivo, não?):

69. Guilherme Nunes PiresA PERSPECTIVA DA COMPLEXIDADE NO PENSAMENTO DE MARX. Tese (Doutorado em Ciências Humanas e Sociais) – Universidade Federal do ABC, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Início: 2019.
Orientador: José Paulo Guedes Pinto.

Ele gosta muito de Marx, não é mesmo?

Em 2018, orientou um trabalho voltado ao CBERS. CBERS é um programa de cooperação tecnológica entre China e Brasil, para a produção de uma série de satélites de observação da Terra. Xi Jinping ficaria empolgado com este trabalho, se soubesse.

132. Rogério Batista de Souza Reis. Acordo de Cooperação Sino-Brasileiro e as Possibilidades de Construção das Capacidades Tecnológicas: O caso do programa CBERS. Tese (Doutorado em Economia Política Mundial) – Universidade Federal do ABC. Início: 2018.
Orientador: José Paulo Guedes Pinto.

E, pra fechar com chave de ouro, José Paulo Guedes Pinto ainda é membro do… Grupo de Análise Marxista Aplicada. Quer algo mais emblemático desse amor por Marx?

Bom, os acadêmicos da UFABC parecem ter problema com militância política. Então, fomos saber até que ponto a Universidade lida com essa questão.

Três professores da Universidade Federal do ABC, Valter Pomar, Gilberto Maringoni e Giorgio Romano, em julho de 2018, responderam a uma Comissão de Sindicância Investigativa, com base em denúncia anônima. O episódio envolve o lançamento do livro “A Verdade Vencerá: o povo sabe porque me condenam”, que continha uma longa entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento aconteceu no dia 18 de abril, no campus da UFABC. A denúncia foi feita à Controladoria-Geral da União e transferida para a Corregedoria da universidade. Gilberto Maringoni afirmou à época: nós não estamos sendo perseguidos pela universidade, mas por um instrumento que fere justamente a autonomia universitária. Isso é muito grave, porque a universidade, como outros órgãos de serviço, mas a universidade em especial é um local de reflexão, de debate do contraditório, do choque de ideias. Se não puder haver ideias contraditórias, não há motivo de existir uma universidade”. A presidente da Associação dos Docentes da UFABC, Maria Caramez Carlotto, alega que, nos últimos dois anos, foi notável o aumento de denúncias anônimas sobre diversos tipos de atividades no campus.

Porém, em 11 de outubro do mesmo ano, estudantes da UFABC votam um “comando de mobilização para lutar contra Bolsonaro”. Segundo o periódico Esquerda Diário, estudantes se reuniram numa “assembleia extraordinária contra o fascismo”, convocada pelo DCE para debater a conjuntura eleitoral. O endereço era certo: térreo do Bloco Alfa 1, no campus de São Bernardo do Campo, às 18 horas, com cerca de 200 estudantes. A pauta era “conformar um comitê de mobilização para que os estudantes sejam parte do combate à extrema direita…”

Foi deliberado instalar um Comando de Mobilização dos estudantes da UFABC que dialogasse com ambos os campus e fomentasse a “organização tanto no período matutino, quanto no noturno, incorporando os estudantes à luta contra o Bolsonaro e o fascismo.” Além disso o Comando de Mobilização deliberou a “incorporação dos estudantes no ato público ‘Em defesa da democracia, universidade pública e da UFABC’, convocado pelo Sindicato dos Trabalhadores da UFABC e pela… Associação dos Docentes da UFABC.

Parece legítima a preocupação com denúncias anônimas de atividades diversas, não é mesmo?

AH…AS ESTRANHAS COINCIDÊNCIAS.

No dia 01 de abril de 2020, Lula fala o seguinte:

No dia seguinte, data da publicação do estranho estudo da Universidade Federal do ABC, que defende o isolamento máximo da população, João Doria escreve:

E claro, nem os periódicos conseguiram ler algo diferente de uma aliança contra um inimigo político comum:

troca de afagos entre o ex-presidente Lula (PT) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em uma rede social em meio à crise do coronavírus, representou um aceno para fora de suas bolhas e evidenciou o isolamento político do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)”, escreveu A Folha. “Ao exaltar governadores e prefeitos, Lula faz uma crítica a Bolsonaro, que vem se opondo ao isolamento pregado por determinado gestores locais e recomendado pela Organização Mundial da Saúde”. Ainda segundo o periódico, “Doria, por sua vez, também tornou-se símbolo de oposição a Bolsonaro após travar embates com o presidente em torno da gestão da crise. A pandemia antecipou os planos do tucano, que pretende ser candidato à Presidência em 2022, de fazer frente a Bolsonaro —em quem pegou carona para eleger-se em 2018”.

Helena Chagas, do Brasil 247, afirma:

(…) Quem imaginava, um mês atrás, ver Fernando Haddad e Ciro Gomes, junto com Guilherme Boulos e representantes de partidos de centro e esquerda, fazendo mesuras e assinando juntos um manifesto em que dizem pensar a mesma coisa? Mais impensável ainda foi a troca de tuítes entre o ex-presidente Lula e o governador João Dória, que sem falar diretamente, celebraram uma espécie de armistício”.

(…)

Animador também é o sinal de que, supreendentemente, outras forças políticas, mais ao centro e à direita, podem se juntar nisso. Os tuíte(s) elogioso de Lula sobre a ação da PM de Dória de entrar numa fábrica para pegar máscaras, com a observação de que “quem tá fazendo o trabalho mais sério nessa crise são os governadores e os prefeitos”, foi bem recebido pelo destinatário. No retuíte, Dória diz que tem muitas diferenças com o ex-presidente, mas que agora não é hora de expor discordâncias, pois “o vírus não escolhe ideologia nem partidos”.

É cedo para dizer se essas aproximações vão resultar em movimentos políticos mais concretos. Mas a crise já operou o milagre de fazer esse pessoal voltar a conversar”.

RECAPITULANDO: um estudo acadêmico de ares panfletários, feito por universitários do mais alto quilate e atividade ideológica militante, é gestado e publicado dentro de uma universidade pública, com um histórico de mobilização ideológica de oposição e combate ao governo vigente. Oposição manifesta inclusive por Associação de Docentes da universidade, segundo artigo do Esquerda Diário. E a Universidade faz parte de um programa que transmite informações pelas quais o governo paulista toma ações que influenciam toda uma sociedade, como quarenta e prorrogações dela.

E tudo isso, mas tudo isso, sob a chancela de um grupo de experts da área, estes sendo, na prática, fiadores desse espetáculo assombroso. Fiadores integrantes do Centro de Contingência para o Coronavírus do Estado de São Paulo e do COE de São Paulo.

Mais politicamente científico, impossível.

E então, por um instante, levantamos nossos olhos para o horizonte.

Segundo a FGV, em abril deste ano, o cenário de desemprego que se desenha à nossa frente é “catastrófico”:

A própria instituição já havia estimado anteriormente que a taxa de desemprego do Brasil poderá pular dos atuais 11,6% para 16,1% ao fim do segundo trimestre deste ano, acrescentando 5 milhões de pessoas na fila do desemprego em apenas três meses, elevando o número de desempregados no país para cerca de 17 milhões. O cenário que se desenha é catastrófico, tanto para o mercado de trabalho como para a recuperação da renda das famílias – e da própria economia”.

Já imaginou se o seu endividamento, a sua demissão, o fechamento de seu mercadinho, e um atraso de décadas de crescimento, fosse fruto de uma guerra por mera tomada de poder de uma oposição faminta? Se toda essa desgraça prestes a se abater sobre nós tivesse alguma suposta colaboração, ainda que pequena, de algum militante de faculdade irritado, fazendo política com dinheiro público?

Seria uma coisa horrível de se pensar, não acha, caro leitor? Quase tão horrível quanto… A era Sarney. Ou não?

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4 Comments

  1. Caro Raimundo, muito boa essa resenha, digo, dossiê!

    Aqui na revista Esmeril já comentei bastante que só a pusilanimidade nos coloca à mercê de qualquer pandemo-histeria, dessa forma me absterei de lembrar a todos que só quem tem culpa no cartório tem medo de doença,e ter culpa no cartório implica obrigatoriamente que a pessoa seja um completo lixo no trato de seu equipamento!

    Posto isso, vamos à questão fulcral dessa nauseantemente notável resenha.
    É mais que evidente que a governança alien do globalismo está aparelhada até o talo cá pelas plagas brazucas.
    Daí, vejo muita gente se manifestando pró estabilidade política, pró establishment, mesmo que de forma ingenua, sem perceberem que em uma situação de dominação só o corte epistemológico fará alguma diferença. De outra forma, o continuismo é sempre o fato, pois como coloquei, o aparelhamento é TOTAL!
    Tanto é fato que o verme do maia diz que não vai pedir o impeachment do Bolsonaro, pois sabe que se fizer isso, o povo vai clamar forças armadas defendendo o Bolsonaro e como o poder emana do povo, o verme sabe bem que tal pedido poderá culminar inclusive em sua execussão.
    Todo esse cenário nos mostra que existe um ESTADO INTEIRO contra um homem, o presidente Jair Messias Bolsonaro, um “louco” idealista que desde o início de sua vida cívica percebe que há distorções sistêmicas no trato da coisa pública e sobretudo no sistema viciado da politicalha abjeta que parasita essa nação desde antes do golpe covarde republicano contra o Imperador. Percebeu que havia um aparelhamento inclusive nas forças armadas, muito bem descritos em uma live da Regina Vilella sobre a estrada vermelha de dória para o planalto (se não me engano), e com isso combateu as distorções abjetas na militaria, como por exemplo privilégios absurdos para milicos de alta patente enquanto a tropa (incluir capitães, majores e os de baixo) pastava o soldo que estava no sal (um chiste para relaxar)! Teve que sair brigado e resolveu ser a voz dos descontentes com a escumalha de alta patente!
    Essa foi a trajetória do cara, conseguiu votos de todos da TROPA e nem em sonho dos oficiais de alta patente, e com isso se amalgamou no universo político, e foi galgando paulatinamente até a “casa do povo” definitiva, o congresso nacional.
    E claro, lá fez mais de 600, seissentos projetos de lei que naturalmente eram desconsiderados pela aparelhada casa do butim legitimado contra o povo, apenas uma das propostas dele teve eco e emplacou! Não foi por falta de empenho, como disse, o Bolsonaro fez mais de 600 tentativas de fazer leis decentes naquela cloaca imunda legislativa pelos 20 e tantos anos de sua trajetória política! Mas sempre foi um dissonante em meio a malta escumalhenta que governa essa nação distópica!

    É patente que só ele nada fará, ao contrário, já está armado o assassinato dele desde a posse, e só não ve quem não quer! Tudo esta engatilhado para emplacar o mourão daqui a um ano! Vale estudarem bem qual o perfil vil desse vice, foi adido militar na Venezuela chavista, aprendeu in loco, com os militares venezuelanos como é que se aparelha o estado na concomitancia da lobotomização das massas. Não por acaso tem um trânsito muito tranquilo na globo, não por acaso em diversas palestrar enalteceu o império chinês ad infinitum, inclusive afirmando que na história do mundo a china não foi protagonista apenas em um curto período. Foi mais longe, afirmou que o Brasil é o celeiro do mundo (não dos brasileiros, do mundo), e que iria sustentar a carencia alimentar do mundo em vez de buscar se focar APENAS NA MELHORA DE SUA POPULAÇÃO!
    Observo que nós pagamos impostos é para nosso benefício e não para sermos os campônios do mundo, o que se gera aqui é para ficar aqui, se sobrar, exporta, mas SÓ SE SOBRAR!
    Fica para lá de capcioso esse papo globalista do generalzinho de butique (redundância, pois o cargo de general É de butique SEMPRE), afinal ele está pensando é no futuro do mundo lá fora e não aqui dentro. Vale vermos quem foram os tenentistas e que hoje são esses abjetos comunas que estão aboletados em toda as forças armadas! Eram os golpistas ditatoriais de antanho!

    Fica patente que uma intervenção militar irá nos desgraçar, e para entender isso basta ler as propostas do general peternelle no congresso! Só para ilustrar o biltre advoga o sequestro do dinheiro de papel (e podem apostar que em breve esse será vilanizado como propagador de patologias por ser sujo), e outras agendas completamente comunistas de controle de massa. E igual a ele é o tal santos cruz, e a imensa maioria dos três estrelas e até quatro!
    Ou seja, se os militares tomarem o poder vai ser o continuismo do que já está!
    Espeero que com esse breve intróito eu tenha mostrado que só retardados mentais, CANALHAS e COVARDES são contra o direito cidadão de portar pelo menos uma arma sempre. Sem elas estamos todos sequestrados, manietados, submetidos nas patas dos mais abjetos seres que existem e pior, eles com os roubos perpetrados contra nós, se aparelham e armam até a alma! E claro, mais uma vez sugiro que estudem sobre o perfil de pessoas que querem ser polícias, assim como políticos e MÈDICOS, policiais são via de regra psicopatas completos e naturalmente os psicopatas são os únicos que não piram no exercício da função, pois matar e sequestrar (as duas funções primevas a absolutas das polícias) é algo natural e salutar para essa escumalha nem um pouco exemplar! Os psicopatas são também os melhores médicos pois sem escrupulos fazem cirurgias sem a empatia que nos faz ser menos sádicos, e no meio político a não psicopatia o que garante é ex-capitão sem eco e direito a opinião!

    Como mostro, nossa situação é infinitamente mais perigosa do que as pessoas conseguem perceber!
    O aparelhamento é total, não há nenhuma forma de vencermos o establishment sem o apoio de ARMAS, e se não vencermos em menos de cinco anos estaremos todos submetidos da forma mais totalitarista na proposta comunista. Os que aqui se manifestam, inclusive eu, seremos caçados e mortos, e no caso das mulheres, serão sequestradas, estupradas e terão seus filhotes retirados e forjados como agentes do comunismo com toda a visceralidade assassina violadora fundamental a essa “filosofia”!
    E quando não mais puderem parir serão também executadas!
    O que falo não é suposição é o que vai acontecer!

    Entendido esse corolário pesadelesco, o que enxergo como a luz no fim do túnel é simples, e tem que ser feito ONTEM, pois o tempo não urge, já se foi!
    Toda a população em frente aos quarteis exigindo a intervenção dos podreres judiciário e legislativo com a criminalização e pena de morte para todos os envolvidos em corrupção ou leis que subtraem o poder do povo e a concomitante exigência do Bolsonaro no poder executivo, e mais, com PLENOS poderes para determinar os rumos das forças armadas, com a criminalização também de milicos na agenda globalista, pois ser globalista é ser ANTIPATRIOTA!
    E isso tem que ser feito com a imediata liberdade de PORTE de arma para TODOS!
    Sem papo de permissão de qualquer poder ou até averiguação de qualquer exigência burocratica! Com subsídio imediato para garantir o POVO como a REAL FORÇAS ARMADAS, TODOS armados até os dentes, pois aí, seremos nós que faremos pelo capitão o que ele busca fazer por nós, a proteção da liberdade do cidadão!
    É fundamental entendermos que se houver algum lixo que buscará usar a arma para gerar inclusive fobia anti armamentos, a mesma salafragem que fazem nos EUA, com palhaçadas de escolas em columbines, teremos que estar a postos para executarmos qualquer aventureiro que ouse puxar a arma para um cidadão de bem. Tem que ser aquela coisa: o lixo puxa a arma para assaltar/matar/estuprar alguém e nós, caso estejamos dentro de nosso raio de ação executamos o lixo sem pestanejar!
    TODO MUNDO ARMADO é a única forma de garantirmos nosso futuro e sobretudo do presidente Bolsonaro!

    Si vis pacem, para bellum é LEI, e hoje em dia isso é mais até que um axioma irredutível, é a única forma de sobrevivermos como espécie, raças, e sobretudo INDIVÍDUOS!
    E claro, é a única forma de garantirmos a vontade popular, o presidente Bolsonaro no poder. De outra forma ele será executado e nós também!
    É melhor um dia de tigre a uma vida de rato ou cordeiro!
    Os que estão no poder não são humanos, não têm empatia alguma conosco, vide o que fazem os lixos governadores e prefeitos, e se nós não os eliminarmos, eles nos eliminarão, e o primeiro passo para eles é a eliminação do Bolsonaro, seja pela política ou na bala, até porque na facada a coisa não funcionou!
    Espero que tenham entendido que estam os lutando não só por nossa nação, mas sobretudo por nossas vidas!
    Aos que duvidam, sugiro que assistam a palestra do lixo mauro iasi, e se não quiserem, pelo menos leiam o que foi holodomor, e sobretudo, a revolução cultural chinesa e a primavera vermelha!

    É isso, agradeço a atenção e espaços cedidos
    Muito obrigado!

  2. Queria ter te ajudado a escrever essa matéria. Sou farmacêutico, dá pra acrescentar dados referentes a pandemia na Coreia do Sul. Digamos que é o lado científico da história, não essa pseudociência que os militantes criaram que devem ter convencido pessoas de fora dos esquemas de Doria e Cia. Questões envolvendo a hidroxicloroquina e os testes realizados na China. Se quiser ajuda estou à disposição.

  3. Governadores e prefeitos precisam ser oficialmente convocados a esclarecer a destruição do país promovida por suas proibições “fundamentadas na ciência”. É urgente um debate para confrontar e avaliar eficácias e efeitos “colaterais” das várias teorias. Estamos matando o país por acatar achismos.

    OMS NUNCA ACONSELHOU O CONFINAMENTO?
    https://www.newstalk.com//podcasts/highlights-from-the-hard-shoulder/world-health-organisations-advice-countries-coming-lockdown
    https://www.newstalk.com/news/lockdown-easing-frozen-forever-1016127

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