19.4 C
São Paulo
quinta-feira, 28 outubro, 2021

De volta à vida: empresa planeja a ressuscitação de Mamute

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

O projeto milionário consiste numa duvidosa manipulação genética

No livro A sabedoria da antiga cosmologia, o autor, o Físico e Matemático americano Wolfgang Smith, Ph.D. em Matemática e professor do MIT, ensaia uma análise profunda, sincera e corajosa sobre os descaminhos epistemológicos da ciência moderna. Sua tese esclarece como, em face dos novos paradigmas “científicos” presentes — descabidamente como autoridades de lei — no discurso contemporâneo, o homem vitimou-se a si mesmo de uma atrofia ontológica.

A natureza humana não é, como apregoa o discurso do momento, fruto exclusivo de processos evolutivos meramente biológicos; a consciência do homem não se limita, como asseveram as teses da neurobiologia, a meras ligações eletroquímicas entre os neurônios do órgão cognitivo. Smith demonstra como, em função do fortalecimento desse discurso desde, pelo menos, meados do século XIX, a compreensão da realidade sofreu uma queda significativa.

O aspecto mais evidente do pensamento “científico” atual é a crença acachapante de que tudo quanto não pode ser mensurado, observado através das lentes da matemática, simplesmente não é digno de ter sua existência considerada. O que não pode ser mensurado não existe. Ora, tal entendimento da realidade sepulta definitivamente a compreensão da natureza integral do homem; afasta o homem de si mesmo.

Corpo, alma e espírito. Abolir, sob pretensões “científicas”, a natureza moral do ser humano, e forçar a sua natureza psíquica a tomar a forma das ligações eletroquímicas, é, necessariamente, debilitar o seu horizonte de consciência. Ciência é, precisamente, o entrechoque das hipóteses sobre o funcionamento das coisas no transcurso mesmo da investigação das causas destas coisas. A característica mais evidente do discurso “científico” do momento é a imposição absolutamente arbitrária, autoritária e unilateral de um determinado conjunto de hipóteses sobre um sem-número de outros.

George Church e Ben Lamm, prometem trazer um mamute de volta à vida. Foto: Colossal Laboratories & Biosciences

Frequentemente, encontramos na mídia exemplos desta arrogância cientificista. Há dois dias, a Revista Galileu noticiou o ousado projeto de uma empresa de manipulação genética: a Companhia de Biociência Colossal, fundada pelo empresário emergente do ramo da tecnologia Ben Lamm, em parceria com o geneticista George Church, professor da Universidade de Harvard, causou polêmica ao anunciar que pretende trazer um Mamute de volta à vida.

O animal, da espécie Mamute-Lanuso (Mammuthus primigenius), que vivera no período geológico conhecido como Pleistoceno, e extinto há mais de 4 mil anos, poderá voltar a reinar soberano pelas gélidas planícies e tundras do ártico. Isto, claro, se o projeto da empresa norte-americana, anunciado nesta segunda-feira, 13, vingar. No entanto, como ao homem não fora dado o poder de criar ex-nihilo, o procedimento para a ressuscitação do animal extinto será, segundo a empresa, ligeiramente diferente do que as manchetes da mídia divulgaram.

Objetivamente, a companhia de biociência planeja utilizar a técnica de “edição” — mais precisamente manipulação — genética conhecida como CRISPR com o objetivo de inserir sequências de DNA extraídas de fósseis e pelos de Mamutes-Lanosos no genoma de Elefantes-Asiáticos (o conhecido Elephas maximus). Se concretizado, o projeto não será, portanto, uma ressuscitação, um retorno ao reino dos animais vivos da criatura extinta há milênios; o projeto está mais para uma quimera, um híbrido de elefante com mamute.

A possibilidade da intervenção genética só existe porque, segundo a empresa, os Elefantes-Asiáticos têm DNA compatível com os mamíferos extintos na proporção de 99,6%. Um argumento digno dos bandeiraços do Greenpeace adotado pela empresa é de que a reintegração dos Mamutes-Lanosos ao seu habitat natural implicará numa significativa revitalização da flora original da região. A restauração da vegetação dos pastos gélidos do ártico é de fundamental importância, segundo a Colossal, para o reequilíbrio climático do planeta, ameaçadíssimo pelo aquecimento global.

Esse é Lyuba, um filhote de Mamute-Lanoso de 40 mil anos atrás, encontrado na península Yamal, no Ártico russo, e exposto no Field Museum, Chicago. foto: Alaine Browne

A Companhia de Biociência Colossal pretende ainda trazer à vida, sob a mesma técnica de manipulação genética, ecossistemas inteiros extintos há milênios. Tudo sob a argumentação absolutamente óbvia da “luta” contra as mudanças climáticas e, claro, contra o crescente impacto negativo da superpopulação… dos seres humanos na face da Terra. Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), o projeto já recebeu de seus investidores um montante equivalente a US$ 15 milhões para incrementar as pesquisas.

“Além de trazer de volta espécies extintas antigas como o Mamute-Lanoso, poderemos alavancar nossas tecnologias para ajudar a preservar espécies criticamente ameaçadas de extinção que estão à beira do declínio, e restaurar animais cuja morte foi causada pela humanidade”.

George Church em comunicado à imprensa

Contudo, fazendo jus à vocação original da Ciência de investigar a causa das coisas, há pesquisadores no contraponto da argumentação dos visionários manipuladores genéticos: “Muitos problemas surgirão desse processo”, afirma a Paleontóloga Beth Shapiro num artigo publicado no The New York Times.

“As considerações éticas precisam abordar o equilíbrio entre dano/benefício em relação aos indivíduos envolvidos”.

Tori Herridge, Bióloga e Paleontóloga do Museu de História Natural de Londres

Como se vê, a linguagem “científica”, afastada da sua vocação original como consequência daquela crise ontológica descrita por Wolfgang Smith, está comprometida, engajada em favorecer as narrativas ideológicas que fazem da grande mídia seu principal instrumento de alienação. A honestidade, no âmbito das pesquisas, só deixará de ser fundamental quando o homem deixar de ter uma alma imortal; quando a realidade for definitivamente limitada pelas réguas e compassos dos geômetras universitários.

Com informações da Revista Galileu, da agência de notícias France-Presse, do jornal The New York Times e do livro Smith Wolfgang, A sabedoria da antiga cosmologia, Vide Editorial Editora, tradução de Adriel Teixeira, Bruno Geraidine e Cristiano Gomes, 1ª edição agosto de 2017, Campinas — SP.

“Todo ente possui uma certa capacidade eficaz, um certo poder de agir para além de si mesmo, que deriva igualmente do seu ato-de-ser, e consequentemente de Deus”.

Wolfgang Smith

Gosta de nosso conteúdo? Assine Esmeril, tenha acesso a uma revista de alta cultura e ajude a manter o Esmeril News no ar!

- Advertisement -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais do Autor

CRÔNICA丨Perda

Afrânio era um aprendiz de tipógrafo na Corte que, depois do trabalho nas oficinas da Rua da Guarda Velha,...
- Advertisement -spot_img

Artigos Relacionados

- Advertisement -spot_img