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domingo, 19 setembro, 2021

Assinatura do rei da Babilônia

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Descoberto o mais longo texto cuneiforme na Arábia Saudita

O marco que define a passagem da Pré-História para a História efetivamente é o domínio da linguagem. Não só. É o domínio da linguagem em um nível superior: a escrita. Quando os homens, em torno das fogueiras, ensaiavam as primeiras palavras em rabiscos na pedra, eles estavam tomando posse de uma conquista definitiva. O texto escrito é o registro do pensamento, das reflexões sobre a existência; é o incremento para as transformações sociais, políticas, culturais e religiosas que marcam a História.

A palavra escrita é muito poderosa. Desde os registros dos ingredientes de poções curativas, da contabilização dos animais abatidos nas caçadas, dos ciclos naturais para o plantio e a colheita até a Lei de Deus, os registros preservam os esforços intelectivos do homem para entender a realidade. Eis a gênese de impérios e civilizações. É bastante difundido, já como consenso, que a região do Oriente Médio fora o nascedouro das primeiras sociedades organizadas. O Império Babilônico fora talvez a principal dentre elas.

Desde que as investigações da ciência da arqueologia começaram, no século XIX, muitas e muitas inscrições antigas foram descobertas; textos de milhares de anos. Todos escritos por meio do sistema cuneiforme, signos registrados em argila com pequenos instrumentos em forma de cunha. Recentemente, arqueólogos descobriram o mais longo texto cuneiforme na região do antigo Império Babilônico, a atual Arábia Saudita. Os registros datam do século VI a.C., do reinado de Nabonido, o último rei da Babilônia.

O Império Babilônico estendia-se do Golfo Pérsico, ao Sul, até o Mar Mediterrâneo, ao Norte. Nabonido reinou de 556 a 539 a.C., quando, por uma evidente conflagração de fatores políticos, perdeu o trono para o conquistador Ciro, de outro grande império: a Pérsia. Esta descoberta arqueológica trouxe luz sobre o governo do último rei da Babilônia. Anunciada pela Comissão Saudita para Turismo e Patrimônio Nacional, no dia 13 de julho, as inscrições de 2.550 anos impressionaram a comunidade de historiadores e entusiastas.

O rei Nabonido representado em uma estela de Haran / Crédito: Klaus-Peter Simon via Wikimedia Commons

A assinatura do último rei

Ao Norte da Arábia Saudita há um local cujo solo, grutas e ermos escondidos guardam verdadeiros tesouros de valor histórico inestimável. Não só: de valor monetário também, porque muitos objetos descobertos eram feitos de ouro, prata e brilhantes. Al Hait é o nome do sítio que fascina os arqueólogos. Instalações de água, artes rupestres, vestígios de fortalezas, obeliscos, inscrições e toda sorte de artefatos já foram descobertos no local, muitos dos quais remontam à época de Nabonido.

No passado, o local era conhecido como Fadak. Guarda vestígios arqueológicos de períodos distintos, que remontam o primeiro milênio antes de Christo, até o começo da era islâmica, como relatou o portal SmithSonian. Atualmente, a região fica nos limites da cidade de Hail.

Uma pedra de basalto encontrada no sítio contém a mais extensa inscrição cuneiforme já descoberta, segundo o Ministério da Cultura da Arábia Saudita: são 26 linhas de texto que foram assinadas com o símbolo real de Nabonido. A pedra também exibe gravuras em alto-relevo na quais o governante é representado segurando o cetro real.

Há uma série de outras figuras interessantes que estão sob a análise dos historiadores. Como a descoberta é recente, não há ainda um consenso sobre o significado dos símbolos. Os arqueólogos destacam uma cobra, o Sol, uma flor e a representação de uma lua crescente. O jornal britânico ressaltou que os símbolos fazem referência à realidade religiosa dos povos mesopotâmicos: divindades do panteão babilônico estão também registradas na pedra de basalto, como a Estrela de Ishtar, o disco alado do deus sol Shamash e o crescente da divindade lunar Sin.

Com informações do portal Aventuras na História e do jornal britânico DailyMail

“A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo o que o homem diz ou escreve, tudo o que constrói, tudo o que toca, pode e deve fornecer informações sobre eles”.

Marc Bloch, Historiador

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