A destruição do tradicional não é renovação

Os humanos costumam recolher as experiências dos avós e dos pais para melhorar suas condições de vida e aperfeiçoar as percepções do espírito, as relações com o transcendente. É o que nos faz a cada instante apreciar e aprender com a continuidade das pesquisas científicas, tecnológicas, antropológicas e manifestações culturais.

Entretanto lidamos com a arrumação das atividades humanas em obediência à hierarquia ancestral, ditada pelos que desenvolvem leis, teorias filosóficas e políticas, nem sempre condizentes e alinhadas aos anseios do ser humano, do homem que se especializa na produção de bens materiais e artísticos. As necessidades de cada grupo aparecem travadas no ambiente que o estado disponibiliza. Os privilégios descarados reservados para minorias agridem e dificultam a maioria que é mantida em espaços confinados, estigmatizados, sem alcançar a construção de um ethos unificado.

Os padrões culturais, valores transmitidos entre gerações, comportamentos e comunicação essencial entre grupos sofre os prejuízos advindos do ambiente imposto por hierarcas políticos que influenciam no campo da economia, acesso à instrução, educação familiar, valores religiosos, acesso à saúde, maternidade, alimentação suficiente e propícia ao desenvolvimento nos primeiros anos de vida e logo na mocidade e até a idade adulta. As linhagens hierárquicas que detêm o poder priorizam os lucros econômicos como motores que concentram a energia racionada para as maiorias e concentradas para uso fruto de poucas famílias.

A beleza imortal transmitida através das gerações de músicos, arquitetos, pintores e inventores que enaltecem os sentidos e a alma humana é mantida em ambientes restritos para gaudio de minorias, que dependem das atividades de maiorias mantidas em áreas especializadas e requisitadas para oferecer volumes cada vez maiores de produtos, sem acesso aos tesouros do saber, sem conhecer como foram plantados e distribuídos os valores que caracterizam, que unificam uma nação. Ignorando os símbolos, cerimônias fundamentais da própria história, facilitam-se para os hierarcas do poder as manobras, a manipulação que embaralha a mente das gentes, resultando na divisão em distintos ambientes ditos profissionais, ambientes onde a liberdade de pensar e opinar fenece.

Cada grupo especialista “em seu quadrado” compartilhando conhecimentos e ignorando a existência de áreas adjacentes tão ativas, necessárias e contributivas para a vida da nação e para o desempenho de cada grupo.

Todos os grupos a serviço das linhagens hierárquicas do poder, seus sucessores e agregados. Menos para compartilhar conhecimentos, comodidades e avanços tecnológicos e científicos com os da mesma espécie, maioria retida em seus “quadrados” ou currais, sob ameaça de leis, normas, regulamentos e terrorismo proporcionado pelo Estado controlado por linhagens hierárquicas.
E agora José? Como perguntava o poeta que grafou:

“Eu também já fui brasileiro
Moreno como vocês
Ponteei viola, guiei forde
E aprendi na mesa dos bares
Que o nacionalismo é uma virtude.
Mas há uma hora em que os bares se fecham
E todas as virtudes se negam”.

– Carlos Drumond de Andrade

As novas gerações entre os quarenta e zero anos de vida herdaram o país quando os bares se fecharam.

Serão responsáveis por reabrir, restaurar as virtudes na escuridão, na confusão resultante dos programas de controle mental e lavagem cerebral aplicadas cientificamente pelos hierárquicas do poder mundial. Momento de reinvenção. Momento de selecionar escolhas que superem as ações improdutivas e adaptar as ações produtivas para chegar aos patamares humanos de convivência cooperativa, no lutar de competição bestial para servir aos senhores. Que fazer?

Destruir as montanhas de leis repressivas?
Inventar os meios para que a economia venha a ser um bem comum? Desafiar os compartimentos estanques da baixa cultura de cabresto? Desprezar e afastar da cena política os vagabundos predadores e inúteis? Enfrentar a rede internacional de assassinos e genocidas, como? Restituir a dignidade aos núcleos familiares responsáveis pela educação? Universalizar a instrução escolar e aprendizado em contato com outras culturas?

Garantir o trabalho e remuneração suficiente para a vida, diferente de proporcionar a sobrevivência?Prestigiar a beleza das artes e buscas de genialidade transcendental em todos os biomas desta nação? Prestigiar o mérito das inovações criativas e contribuições ao desenvolvimento mental e material? Proteger e resguardar as reservas territoriais de minérios, água, biodiversidade… Como?

O desafio para esta e para as próximas gerações está em colher e semear para alimentar o corpo e a mente dos que virão a povoar a nação e o planeta depois de nós.

Aos jovens dessa geração eletrônica, que têm a possibilidade de comunicar-se em tempo real mesmo estando a léguas de distância, cabe definir e construir o nacionalismo, a soberania, a forma de administração da pátria e direcionamento da nação inseparável de um planeta onde os idiomas, moedas, leis e costumes são contrários às virtudes e à vida plena.

Vamos, nós que somos os responsáveis pela colheita atual e estamos sendo arquivados, apoiar enquanto nos reste vida útil, todos os movimentos, ideias e ações que dignifiquem o homem e seu espírito associado à Inteligência do Criador, fato esquecido, embora percebido por quem tem olhos para ver, ouvidos para ouvir e alma para sentir.


O fato de um milhão de pessoas participarem dos mesmos vícios não os transforma em virtudes.

– Gustavo Corção

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