CESAR LIMA | Eleições e a difamação circular.

Um dos aspectos da guerra cultural – até agora vencida pela esquerda – é uma antiga tática que recebe o nome de “difamação circular”. Essa tática tem sido usada pela esquerda mundial  há bastante tempo com um sucesso impressionante.

Ela segue o seguinte roteiro: alguma autoridade, ou qualquer pessoa ligada a esta, solta uma informação falsa, ou uma meia-verdade, sobre seu adversário político; a imprensa mainstream divulga essa informação com grande alarde em manchetes replicadas por todos; autoridades policiais ou judiciais abrem uma investigação contra o acusado; finalmente, a investigação passa a alimentar a mídia por semanas ou meses, colocando o acusado em uma posição defensiva.

Finalmente, mesmo que posteriormente o acusado consiga provar sua inocência ou que as investigações sejam arquivadas por falta de elementos probatórios, a imagem do acusado está irremediavelmente manchada. Até porque essa notícia acaba não recebendo nenhuma atenção da mesma mídia que passou meses falando da acusação. O efeito eleitoral está alcançado.

Vários líderes conservadores foram vítimas dessa tática nos últimos anos. Os principais exemplos são Donald Trump – com o suposto conluio com os russos – e Jair Bolsonaro – em diversas acusações absurdas – ambos com acusações posteriormente arquivadas.

No atual cenário eleitoral brasileiro, a atual vítima é Flávio Bolsonaro e o caso do filme Dark Horse que, supostamente, teria abastecido seu irmão Eduardo nos Estados Unidos com repasses de Daniel Vorcaro e seu Banco Master.

Assim, toda a investigação sobre ministros do Supremo e lideranças do Executivo e Legislativo passaram para um segundo plano. Todas as manchetes diárias são contra Flávio. Chegou-se ao absurdo de noticiarem que a Policia Federal teria a “intenção” de pedir à Interpol para rastrear as movimentações da produtora do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Desde quando “intenção policial” é notícia?

Mas porque essa tática é tão efetiva? Justamente porque a maioria da população é alimentada por manchetes, inclusive aqueles que se identificam no espectro conservador. Os “conservadores limpinhos” são os que mais dão efetividade a essa tática, pois, com pouca instrução política, eles repercutem essas notícias para aqueles que têm uma desconfiança natural da mídia. O estrago é enorme.

Por essas e outras é que a guerra cultural precisa ser levada a sério pelos conservadores. A ocupação de espaços pelo campo progressista é feita há décadas, enquanto os conservadores mal conseguiram se formar como força política, inviabilizando o combate direto a esse tipo de ataque.

A formação de lideranças conservadoras fora do espectro político, a ocupação de espaços públicos de debate e o avanço sobre as escolas e universidades é o único meio de podermos fazer frente à hegemonia progressista. Só isso poderá combater essa hegemonia.

Ainda há muito a ser feito além de buscar a solução eleitoral. Esse aviso tem sido dado por poucos e, por enquanto, ignorado pelos políticos e militantes ditos conservadores. A luta não é fácil, requer anos – talvez décadas – de trabalho árduo. Eleição vencedora ajuda, mas nunca será suficiente sozinha.

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