O primeiro dia de 2021 apresentou um excelente aperitivo do que deve ser a política brasileira neste ano. O capítulo mais importante do dia é apresentado no tuíte abaixo, que registra a passagem de Bolsonaro pela Praia Grande-SP, onde cumprimentou a multidão – literalmente – dentro das águas do mar.

O segundo evento mais importante do dia também foi registrado no litoral paulista, mas na cidade de Bertioga, onde a Polícia Militar do Estado retirou banhistas da praia literalmente atirando bombas sobre eles:

O terceiro evento digno de nota é a postura do governador do Estado no qual os dois eventos anteriores se passaram: João Dória foi às redes criticar Bolsonaro por seu mergulho, mas não foi capaz de emitir uma única palavra para se solidarizar com as famílias que foram expulsas da praia e privadas de seu lazer por uma Polícia Militar despreparada que agiu sob seu comando:

Esses três tuítes deixam transparente como água o contexto político brasileiro neste início de ano:

  1. O plano conspiratório de Dória, Moro, Maia e asseclas do STF para derrubar Bolsonaro fracassou: o apoio popular a Jair continua em alto e, com a possível conquista da Câmara dos Deputados pelo governo, é pouquíssimo provável que qualquer tentativa de tirá-lo do poder por vias institucionais tenha sucesso antes de 2022.
  2. Desses, Moro já está fora do jogo político, e Maia em breve se tornará coadjuvante. Dória está isolado, mas ainda conta com a ajuda do STF para fazer com que suas ideias prevaleçam sobre as de Bolsonaro no cenário nacional.
  3. A política do #FiqueEmCasa já está dando no saco da população que, aos poucos, está externando sua revolta com as medidas autoritárias de prefeitos, governadores e juízes de diversos níveis. A paciência acabou, e os políticos que insistem em cercear a liberdade dos cidadãos em nome da “ciência” já estão sendo cobrados.

Antes da análise dos fatos acima, é importante lembrarmo-nos do que os paulistas queriam quando elegeram João Agripino Dória para o governo do Estado: um governador que não roubasse como o PT, e que tivesse uma postura similar à de Bolsonaro em relação à economia e aos costumes (#Bolsodória, certo?).

Pois bem. Dois anos depois do início de seu governo, já podemos dizer que Dória está se saindo muito pior do que aquilo que temíamos, ao colocá-lo como governador. Discorda?

Pois não há no Brasil registro de político que tenha usado suas prerrogativas para expulsar famílias da praia sob bombas. Nem Dilma, nem Lula, nem João Goulart ousaram humilhar as liberdades do cidadão brasileiro desta forma. Nenhum desses proibiu o cidadão de bem de exercer seu trabalho, ou de abrir seu comércio. Nenhum deles ousou proibir o cidadão comum de sair de sua casa. Doria está se saindo muito pior do que qualquer comunista.

Os atos e palavras de Dória são tão absurdos – e por vezes patéticos – que acredito caber um exercício de empatia com nosso governador, para que possamos entender o que é, afinal, que direciona sua postura perante o público.

Dória acredita, do fundo de seu coração, que ele é uma mente iluminada, e que será o óbvio sucessor de Bolsonaro em 2022. Ao silenciar-se sobre a calamidade de Bertioga e repreender Jair sobre seu mergulho na Praia Grande, ele acredita sinceramente que está combatendo um governo obscurantista, que afronta a ciência. Da mesma forma, ele certamente acredita que as bombas sobre mulheres e crianças em Bertioga eram para o bem delas, já que não se pode ousar ir à praia no Ano Novo, nem as famílias nem o presidente da República. Todos têm que obedecer ao governador-cientista.

Dória obviamente toma o mundo em que vive como parâmetro do que é a opinião pública. A julgar pela esposa que tem, ele provavelmente imagina que a população paulista pensa como Bia Dória, que atribui a seu marido o status de salvador dos doentes, e reputa dissimuladas as pessoas perderam o emprego por conta das atitudes do ditador paulista.

As atitudes de João e Bia Dória são um ótimo reflexo do que é a elite tucana paulista que, mesmo dizendo odiar o PT, sente um ódio tão grande quanto – ou até maior – pela figura de Jair Messias Bolsonaro: esta elite se exaspera com um presidente xucro que se recusa a jogar seus jogos; um presidente que se recusa a vestir a máscara, que se recusa a impor a vacina obrigatória, que se manifesta contra a arbitrariedade policial transvestida de ciência e que, por fim, coloca as garantias fundamentais dos cidadãos brasileiros acima de seu próprio poder.

A elite tucana que se informa pelos programas da Globo News, CNN ou pelas páginas d’O Antagonista e ainda não entendeu que Bolsonaro foi eleito porque representa o brasileiro que não aparece na TV, que quer trabalhar, quer se divertir e quer, SIM, ir à praia. 

Se existe um caminho para derrotar Bolsonaro em 2022, eu posso afirmar com certeza que não é este que Dória está escolhendo para si. Será que, do alto de sua torre de marfim, ele não percebe que quanto mais força a barra, mais odiado se torna? Onde ele quer chegar com isso?

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