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domingo, 5 dezembro, 2021

T-Rex velocista? Não mesmo

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Estudo biomecânico demonstra que esses animais pré-históricos estavam longe de ser bons corredores

Tyrannosaurus rex, do Latim: “Lagarto Terrível”. O porte imponente da criatura, evidenciado pelos seus restos mortais — objetos de estudo desde os anos de 1870, quando os primeiros fósseis foram descobertos nos EUA –, deram-lhe o título latino de Rex, rei. Esses animais, tão logo os primeiros fósseis foram das rochas para as mesas dos paleontólogos, tornaram-se exemplos perfeitos dos mais vorazes e eficientes predadores da pré-história.

O rei dos lagartos terríveis tornou-se, portanto, símbolo das bestas antigas que reinaram soberanas como caçadoras por excelência. A bem da verdade, boa parte da imagem moderna desta espécie de Dinossauro é fruto dos esforços de marketing despendidos em conjunto por cientistas e diretores de cinema; ambos com a intenção única de ganhar dinheiro. Para vender suas teorias de mundo ou seus filmes, o homem contemporâneo criou um monstro.

No entanto, desde há alguns anos os cientistas, amparados por uma boa dose de bom senso aliado às novas tecnologias, têm desmistificado a imagem do Tyrannosaurus rex tal qual fora vendida pela mídia. Com quatro metros de altura, doze de comprimento e oito toneladas de peso, o T-Rex definitivamente não era um predador ágil, dinâmico ou atlético à moda de Cristiano Ronaldo e, principalmente, a fera não era um corredor à Usain Bolt. Não mesmo.

Se as projeções de uma equipa de pesquisadores holandeses estiverem corretas, o Tiranossauro teria sido um animal tão lento quanto suas presas. Esta característica provavelmente o teria forçado a não somente viver em bando como também a comer animais mortos. É o que descreve um artigo publicado no periódico científico Royal Society Open Science, no dia 20 de abril do ano corrente.

No artigo, os cientistas dizem que a fera da pré-história movia-se a insignificantes 4,6 Km/h, velocidade que se assemelha mais à caminhada da vovó rumo à padaria do que a de um caçador colossal no encalço d’uma presa indefesa e desesperada. Outras investigações já haviam analisado as projeções da velocidade máxima do T-Rex, estimando que o animal poderia atingir entre 20 Km/h a 29 Km/h numa corrida.

“Os animais tendem a preferir velocidades de caminhada nas quais, para uma determinada distância, o gasto de energia seja mínimo. Eles fazem isso escolhendo ritmos de passos específicos”.

Pasha van Bijlert, pós-graduando de paleo biomecânica e um dos autores do estudo, em entrevista à CNN

Se um predador dotado com aquelas proporções fosse também um exímio corredor, então nada seria páreo para ele — nem um meteorito. Assim, é fácil entender o porquê dos cineastas — e os cientistas do passado — darem tamanha ênfase às características de superpredador do Tiranossauro. Imaginar este e muitos dos animais que não vemos mais hoje como uma pacata criatura de grande porte, capaz de matar para comer sem fazer espetáculo, parece ser um caminho sensato para acessar o mundo perdido pelo… tempo.

Com informações do periódico Royal Society Open Science, do portal R7 e da Revista Veja.

“Não há memória dos tempos antigos. E quanto àqueles que vierem depois, tampouco deles haverá memória junto aos que vierem por último”.

Eclesiastes I:11

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