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domingo, 5 dezembro, 2021

Hoje na História: centenário da morte da Princesa Isabel

Revista Mensal
Aldir Gracindo
Aldir Gracindo é professor, escritor de artigos, palestrante, ativista político, realista esperançoso, nerd orgulhoso, nacionalista e violoncelista amador.

Educada para assumir grandes responsabilidades, a signatária da Lei Áurea faleceu no exílio

As informações sobre a vida da herdeira dos Bragança estão abundantemente espalhadas pela internet. Aqui, nesta nota, limitamo-nos a ressaltar aquelas que talvez sejam a tônica de sua biografia: a educação e o visceral senso de sacrifício por meio do qual Isabel de Bragança encarara a vida. Não somente ela. O leitor atual provavelmente não imagina — pudera. A questão é complexa, mas os descaminhos no âmbito da Cultura e da Educação para os quais o Brasil tomou rumo fizeram-nos medir as coisas por baixo, por muito baixo.

Não somente a Princesa Isabel fora educada para encarnar uma perfeita “máquina de governar”, mas os membros da Família Imperial, sobretudo aqueles sobre os quais haveria de pesar a Coroa sobre a cabeça, tão logo alcançavam a idade do fim da primeira infância, ingressavam numa preparação digna de um híbrido de Capitão Nascimento com Aristóteles.

Assim foi com Isabel. O Imperador D. Pedro II cuidou pessoalmente da educação das filhas; do Casal Imperial, Pedro II e Tereza Christina, somente Isabel e sua irmã Leopoldina — que recebera o nome de sua avó paterna, a Imperatriz Leopoldina — sobreviveram à infância. O Imperador cuidou para que, a partir dos sete anos, as Princesas fossem expostas a um formidável plano de estudos que, comparado aos currículos modernos, vale por múltiplos Doutorados.

Literatura portuguesa e francesa; história de Portugal, Inglaterra e França; história da filosofia; astronomia, química, geologia, geografia; economia política; dança e piano. Alcançada a maioridade, a Princesa Isabel falava fluentemente, para além do seu português nativo, o francês, o inglês e o alemão. O Imperador em pessoa tratou de ensinar à filha latim, geometria e a ciência preferida em São Cristóvão: astronomia.

A Princesa Isabel era, portanto, dotada do desgraçadamente extinto faro para tratar a política não como um projeto de poder a ser exercido por míseros quatro anos, mas como uma realidade que alcançaria gerações e gerações de brasileiros num futuro de paz e prosperidade. Nesse ponto é preciso dizer que não há nenhum exagero com um quê de saudosismo monarquista, as palavras são exatamente estas: futuro de paz e prosperidade.

A Monarquia — especialmente no Ocidente — tem esta característica tão incômoda à mentalidade revolucionária: esta forma de governo fora pensada para levar à eternidade os valores sobre os quais ela mesma fora estabelecida. A religião cristã, a moral, a filosofia, a cultura…

“(…) Sem educação generalizada nunca haverá boas eleições; portanto, é preciso atender, o mais possível, a essa importantíssima consideração. Há medidas autorizadas pelos poderes competentes, e outras que deles dependem; cumpre ativar sua realização (…)”.

Trecho de uma carta escrita pelo Imperador D.Pedro II à sua filha, a Princesa Isabel. Rio de Janeiro, 25 de março de 1876
Retrato da Princesa Isabel feito por Joaquim José Insley Pacheco em 1870

Esboço de sua biografia

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança, a Princesa Isabel, nasceu em 29 de junho de 1846, no Rio de Janeiro. Era filha do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina das Duas Sicílias.

A Princesa tornou-se sucessora do trono com a morte de seus dois irmãos mais velhos: Afonso Pedro, em 1847, e Pedro Afonso, em 1850.

Durante a infância e adolescência, Sua Alteza Imperial teve educação completa e rígida, vivendo praticamente reclusa no Paço do São Cristóvão, o palácio imperial no Rio de Janeiro. Aprendeu sobre Astronomia, Química, Geografia, Desenho, Dança, Piano, Economia, Geografia e foi alfabetizada também em francês.

Casou-se com Luís Filipe Maria Fernando Gastão d’Orléans, o Conde D’Eu, em 15 de outubro de 1864, com quem teve quatro filhos: Luísa Vitória, Pedro, Luís e Antônio. O casamento fora arranjado, era uma questão de Estado; há, no entanto, crônicas da época que narram que em Isabel surgira uma paixão verdadeira pelo Conde.

Foi a terceira mulher a ocupar o governo do Brasil, do qual foi regente por três vezes.

Em 1888, assinou a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil.

Após o golpe militar de 15 de novembro de 1889, que instaurou a República, Isabel, “A Redentora” foi obrigada a se exilar na França, onde viveu por mais 30 anos com seu marido. Faleceu em 14 de novembro de 1921, aos 75 anos.

Com informações de Carvalho, José Murilo de, D. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo, SP, Companhia das Letras Editora.

“Se mil outros tronos eu tivesse, mil tronos eu perderia para pôr fim à escravidão!”.

Princesa Isabel

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