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domingo, 19 setembro, 2021

Reino Unido necessita de trabalhadores

Revista Mensal
Aldir Gracindo
Aldir Gracindo é professor, escritor de artigos, palestrante, ativista político, realista esperançoso, nerd orgulhoso, nacionalista e violoncelista amador.

Após desvalorização da moeda e pandemia, falta força de trabalho, principalmente nos setores de Construção, Gastronomia, Transportes e Hotelaria

Há um ano, empresas demitiam empregados por causa a pandemia. Agora está difícil encontrar trabalhadores a ponto de empresas estarem aumentando salários para reter empregados oferecerem prêmios em dinheiro por indicações e apelarem ao governo por medidas emergenciais.

Nem todas as reclamações de empresários despertam preocupações tão grandes. Mas, a Premier Foods – um dos maiores grupos empresariais do ramo de alimentos do país – sugeriu ao poder executivo que estude a envolver o Exército para suprir a falta de caminhoneiros porque os supermercados poderão ficar desabastecidos e isto parece alarmante.

Uma pesquisa da Câmara de Comércio Britânica envolvendo 5,700 empresas aponta que 70% delas encontraram dificuldades para contratar. No setor mais afetado, a construção, o percentual sobe para 82%. Em seguida estão hotelaria e gastronomia (76%).


À medida que as companhias são liberadas das restrições do confinamento, a escassez de qualificações e de mão de obra que experimentavam antes da pandemia volta a se inflamar

— Janet Gratton, diretora de políticas para pessoas da Câmara do Comércio

Capacitação também está em baixa

O problema não é somente a escassez de força de trabalho, mas de qualificação. Se havia falta de motoristas de caminhão, com as restrições decorrentes da pandemia houve o cancelamento de 30,000 exames de habilitação. Isso agora se reflete em diferentes áreas desde pequenos municípios que cancelam a coleta de lixo até a logística de grandes redes de supermercados.

Conforme um relatório da Confederação do Emprego e Seleção de Pessoal (REC) e da consultoria KPMG, o número de trabalhadores disponíveis teve sua maior queda desde 1997.


Passamos os últimos sete anos sofrendo de escassez de mão de obra. Já naquela época, estimamos que seriam necessários entre 50.000 e 60.000 caminhoneiros. Agora, são necessários 75.000

— Kate Gibbs, da Associação de Transportes Rodoviários do Reino Unido

O setor de transportes é um dos mais afetados. Historicamente, esta categoria é composta de um grande número de cidadãos do Leste Europeu. Eles enviavam dinheiro mensalmente a suas famílias.

“Quando a Libra afundou por causa do Brexit (o Reino Unido saiu da União Europeia), começaram a voltar para casa porque já não valia mais a pena continuar mantendo duas casas. Achamos que, ao todo, 15,000 foram embora”, diz Gibbs.

Relatórios

O relatório mais recente do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) mostra que o número de ofertas de trabalho publicadas entre abril e junho foi 862,000. Isso é um aumento de 10% em relação ao período entre janeiro e março de 2020, segundo o El País. A dificuldade para preencher essas vagas não é exatamente nova para o país, mas um fator que complica a vida dos recrutadores é realmente o êxodo de trabalhadores estrangeiros.

Associações de empresas de transporte rodoviário, frigoríficos, hotéis, restaurantes e construção civil seguem requerendo do Governo a inclusão de seus afiliados na lista de ocupações de difícil cobertura. Isso lhes possibilitaria contratar empregados do exterior com menos burocracia e custo.

Na opinião de Gerwyn Davies, assessor de políticas públicas da associação de profissionais de recursos humanos Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD), a carência de pessoal qualificado se distribui “de maneira equitativa” entre os diferentes setores.


Mas talvez a mais interessante seja a que se dá em setores de salários baixos, como a gastronomia e o comércio varejista, sobretudo depois do aumento do desemprego que viveram no ano passado

— Gerwyn Davies, assessor de políticas públicas da associação de profissionais de recursos humanos Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD)

Após sofreram as demissões, as incertezas sanitárias e econômicas, do isolamento, do desaparecimento de oportunidades, a redução de valor da moeda local e ainda o fim das facilidades de circulação entre países da UE. Eles se recolocaram onde, como e se puderam – ou saíram do país, temporária ou permanentemente. Agora falta estímulo para voltar às mesmas posições de trabalho.

Com informações de El País


O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir

— Adam Smith

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