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quinta-feira, 27 janeiro, 2022

Quais as implicações de um Golpe Militar?

Revista Mensal
Jonas Buccinihttp://www.revistaesmeril.com.br
Patriota, Conservador e Entusiasta da História Militar!

Conheça os desafios internos e externos de uma intervenção militar

A Guerra visa obter recursos energéticos, alimentícios, minerais e hídricos, em suma, recursos estratégicos. Os embates políticos e a culminação de conflitos bélicos integram a história da formação de inúmeras sociedades humanas. Desde os clássicos indianos do ”Mahabharata”, dos escritos Babilônicos, da Torá, até da Bíblia e do Alcorão, é comum dissertar sobre situações de crises sociais, econômicas ou políticas que resultem em conflito armado.

A guerra não é mais do que a continuação da política por outros meios.

Carl Von Clausewitz

Seguindo a linha de raciocínio de Clausewitz, de que a guerra é a continuação da política por outros meios. Esses embates, muitas vezes, não se dão apenas contra forças externas — mas também internas.

Levar uma guerra, ou uma das suas campanhas, a um término bem-sucedido exige uma total compreensão da política nacional. Naquele nível, a estratégia e a política se misturam.

Carl Von Clausewitz

Para uma guerra externa, urge a necessidade de uma ordem estável interna (a nível nacional) para que ocorra uma maior coordenação estratégica. E isso se dará, inevitavelmente, pela manutenção (ou alteração) do status quo político vigente.

Gerações de Guerra

Para compreender a natureza operacional de um Golpe Militar, temos de ter a ciência de em qual etapa se encontra esse método nas gerações das guerras.

Ver a imagem de origem
Um exemplo de uma linha do tempo conceitual das gerações de guerra. Tenho algumas ponderações a fazer quanto a esta em específico, mas na continuidade do artigo explicarei melhor. Créditos na Imagem.

Guerra de Primeira-Geração: conflitos em escala de mão de obra em massa, com táticas de linha e colunas. Como, por exemplo, a Guerra dos Sete Anos (1756); a Revolução Americana (1775); e as Guerras Napoleônicas (1803).

Guerra de Segunda-Geração: conflitos de combates mais distantes que a anterior, já que a tecnologia desenvolvida para os armamentos permitia um maior alcance, precisão e taxa de fogo. Introduziram o uso ostensivo de artilharia e trincheiras. Como, por exemplo, na Guerra Civil Americana (1861); na Guerra dos Bôeres (1899); e na Primeira Guerra Mundial (1914).

Soldados dos EUA comemoram o armistício que encerrou a Primeira Guerra Mundial, em 11 de Novembro de 1918. Créditos: https://www.defense.gov/News/Feature-Stories/Story/Article/2796315/nation-observes-veterans-day-and-salutes-the-troops/

Guerra de Terceira-Geração: conflitos de combates com maior velocidade para desiquilibrar o centro de gravidade das forças inimigas. A ”Blitzkrieg” (Guerra-Relâmpago) foi a principal estratégia militar alemã durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e americana na Guerra da Coréia (1950). Consistia em um ataque simultâneo de artilharia pesada, ataque e bombardeiro aéreo e o envio coordenado de tanques e tropas de infantaria.

Tropas alemãs na Rússia. Créditos: National Archives.

Guerra de Quarta-Geração: o emprego operacional é semelhante ao descrito anteriormente, só que direcionado contra um inimigo que emprega estratégias de guerrilha, insurgência e terrorismo. O inimigo muitas vezes não é mais um ator estado-nação uniformizado. É necessário também o emprego da guerra psicológica, propaganda e desestabilização política. Como, por exemplo, conflitos armados ou políticos gerados pela Guerra Fria (de caráter regional); pela Guerra do Vietnã (1964); pela Guerra do Golfo (1991); pela invasão do Afeganistão (2001); e pela Guerra do Iraque (2003).

Soldados dos EUA durante a inspeção de um bazar local em Yayeh Kehl, na província de Paktia, Afeganistão, em 2002 | Créditos da Imagem | AMEL EMRIC/AP

Guerra de Quinta-Geração (Híbrida): esse conceito faz uso das gerações anteriores de forma interconectada, para um contexto moderno de economia e política globalizada. Com o uso de técnicas milenares no emprego de tropas, a conceitos de guerra cibernética, engenharia social, desinformação midiática e demais ferramentas para desestabilização de governos de forma indireta. Como, por exemplo, a Primavera Árabe (2011).

Golpe Militar no Século XXI

Com a Globalização a partir dos anos 90 e o entrelaçamento das cadeias de produção e distribuição de produtos a um nível jamais antes visto. O emprego de ações militares num contexto político foi relegado aos países do terceiro mundo, ainda presos às noções da guerra de gerações ultrapassadas. Isto devido ao fato de ser um mecanismo facilmente fragilizado (num contragolpe) por meio de instrumentos de guerras mais modernas. Como PsyOp (Operações Psicológicas); False Flag (ataques de ‘falsa bandeira’) e Trade War (Guerra Comercial).

Ver a imagem de origem
Mapa Mundo – Globalização. Créditos: https://hunterae.com/motion-graphics/globalization-world-map-animation-pack-hd-18722653-videohive-download/

Por mais que a manutenção (ou alteração) do status quo político vigente, para maior estabilidade interna, seja imprescindível na visão ”clausewitziana” para uma ação externa com sucesso, seu emprego moderno se dá através dos conceitos de guerra de quinta-geração (híbrida).

Combatente com máscara de proteção. Crédtios: https://i.redd.it/up7hiprzgpp41.jpg

Porém, com as novas movimentações geopolíticas e das cadeias econômicas internacionais no contexto pandêmico pós-2020, os países se digladiam na busca por uma nova ordem global. Fechando-se novamente, não podendo ser descartado quaisquer análises que apontem para uma ”retroação” nos empregos operacionais das guerras. Já que essa seria a própria definição de maleabilidade da Guerra de Quinta-Geração (Híbrida).

Referência

Generations of warfare, Military History, acessado pela última vez em 11 de Janeiro de 2022 – https://military-history.fandom.com/wiki/Generations_of_warfare


A energia em combate varia em proporção à intensidade da força que a motiva, seja ela o resultado de uma convicção intelectual ou da emoção“.

Carl von Clausewitz

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