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quinta-feira, 28 outubro, 2021

No meio do caminho tinha um dinossauro

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Fóssil de um imenso réptil pré-histórico é descoberto durante a construção de uma ferrovia no Maranhão

Operários que trabalhavam na construção de uma ferrovia no munícipio de Davinópolis, localizado na região sudoeste do Estado do Maranhão, descobriram — por puro acaso — os restos mortais de uma gigantesca criatura morta há incríveis milhões de anos. Os ossos, que pertencem a um Titanossauro — uma ramificação da ordem dos Saurópodes — estavam em extraordinário estado de conservação.

O arqueólogo Daniel Ribeiro, que inspecionava a obra no momento da descoberta, fora o primeiro a fazer o reconhecimento dos ossos fossilizados. O trecho da ferrovia no qual a descoberta paleontológica fora realizada integra um projeto colossal de infraestrutura: a construção da ferrovia, que está a cargo da empresa Brado, que ligará o município de Divinópolis, no Maranhão, ao município de Sumaré, no Estado de São Paulo.

Região da descoberta. Foto: Divulgação/Brado

É bastante evidente que, para efeito do sucesso da construção da via férrea, longas seções do solo devem ser aplainadas a fim de possibilitar a adequada colocação dos trilhos. E fora precisamente durante esse estágio do projeto que uma retroescavadeira revelara os restos mortais do Titanossauro. Inicialmente, Daniel Ribeiro pensou tratar-se dos fósseis de algum mamífero da megafauna.

“(…) a obra já se encontrava nas últimas etapas de corte e terraplanagem. Foi um achado inesperado. Quando os fósseis foram encontrados, a priori achei que se tratava de um animal da megafauna; portanto, foi surpreendente saber que era um dinossauro”.

Daniel Ribeiro em entrevista ao Jornal O Globo

Na sequência à comprovação de que os ossos pertenciam a um Saurópode, a equipe da Brado contactou imediatamente especialistas em Paleontologia para a remoção do material fóssil. O Paleontólogo Elver Mayer e outros pesquisadores da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará estão atualmente encarregados do estudo dos restos mortais fossilizados da enorme criatura. Eles pretendem fazer a completa identificação do gigante pré-histórico brasileiro.

‘Arrudatitan maximus’, espécie do grupo Titanossauro, viveu há 85 milhões de anos no interior de São Paulo — Foto: Ariel Milani Martine/Arte/Divulgação

Ainda sem identificação

Os Titanossauros integram a categoria dos Saurópodes, as maiores criaturas que já caminharam sobre a Terra. Eles são facilmente reconhecidos: pescoços longos e patas de elefante constituem os elementos gráficos icônicos das criaturas. Talvez o exemplo mais bem-acabado seja a cena inicial do primeiro filme de Jurassic Park, na qual um grupo de Braquiossauros está a caminhar em direção a um lago.

Estima-se que o fóssil do dinossauro de Divinópolis (ou seria Dinossaurópolis?) seja de um animal de aproximadamente 18 metros de comprimento. No entanto, a equipe de paleontólogos e outros especialistas envolvidos nos estudos ainda não saber dizer precisamente qual é a espécie da qual o animal é exemplar. Inclusive, segundo os pesquisadores, existe a possibilidade da criatura ser representante de uma nova espécie de Titanossauro que habitara as terras brasileiras há milhões de anos.

Parte dos ossos descobertos. Foto: Divulgação/Brado

O continente Sul-Americano fora o lar dos maiores Saurópodes da Terra. Os Argentinossauros (nome pouquíssimo sugestivo do local da descoberta), por exemplo, facilmente superavam as dimensões dos 35 metros de comprimento, 20 metros de altura e 90 toneladas de peso. As Américas foram lar para um gama diversa de colossos, muitos deles foram descobertos e identificados no Brasil.

“Já encontramos fósseis de Titanossauro na região da Ilha do Cajual, que fica próximo a São Luís, com 97 a 95 milhões de anos, coletados nos anos 1990. Mas as descobertas são sempre de pedaços pequenos, quebrados e isolados. Esse de Divinópolis possui membros encontrados mais próximos e mais preservados”.

Manuel Alfredo, Paleontólogo da Universidade Federal do Maranhão ao G1

Com informações dos portais Socientifica e G1.

“Maravilhar-se é o primeiro passo para uma descoberta”.

Louis Pasteur

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