O Imperador da França morreu envenenado, mas o agente, segundo um novo estudo, fora o arsênico presente nos cosméticos que o gênio dos campos de batalha fez durante a vida

Há uma semana, entusiastas da História celebraram os 200 anos da morte do general francês que levou o seu país aos píncaros da primazia militar do mundo à época. Seis anos depois de sua morte, seu médico François Antommarchi divulgou os resultados da autópsia nos quais constava a declaração da causa mortis: câncer no estômago. No entanto, em 1961, o diagnóstico fora contestado depois que traços da substância venenosa arsênico foram encontrados em amostras de cabelo de Napoleão. Esta descoberta serviu de embasamento para a afirmação de que o Imperador da França fora envenenado.

Contudo, um estudo desenvolvido pela Universidade De Montfort de Leicester, na Inglaterra, indica que Napoleão de fato morreu de câncer, mas por usar produtos do cotidiano. Segundo Parvez Haris, o biomédico que conduziu as pesquisas, o líder militar francês desenvolveu a doença pelo uso demasiado de óleos essenciais presentes em perfumes. Tais substâncias, segundo Haris, teriam “afetado os hormônios” do corpo de Bonaparte, o que pode ter sido agente de tumores e severos distúrbios de funções vitais do seu organismo.

Napoleão Bonaparte fez uso de quantidades extravagantes de colônias e perfumes. Esses hábitos de “higiene”, em função do longo tempo de uso, pioraram sua saúde.

A maioria das pessoas durante a era Napoleão tinha altos níveis de arsênico em seus sistemas por causa dos medicamentos contendo arsênio e os cosméticos que usavam”.

Parvez Haris em entrevista ao Mail Online

Um de seus biógrafos conta que, certa vez, Napoleão confundiu perfume com água e o passou em todo o seu rosto, inclusive nos olhos.

“Napoleão foi um grande promotor de colônias, que entraram em produção comercial pela primeira vez em 1792. Naquela época, era apenas para os poderosos e os muito ricos e ele tinha dinheiro para isso”.

Parvez Haris

É necessário, porém, o cuidado para não enxergar o mundo do final do século XVIII com os olhos do século XXI. Qualquer esforço interpretativo — de qualquer elemento do passado — que desconsidere as implicações da cultura, da religião, das crenças e, em suma, da mentalidade limitada pelos meios de investigação da época, é desonesta. Na época de Napoleão — como, na verdade, durante a maior parte da História — as pessoas orientavam suas vidas cotidianas através de um tipo especial de observação da natureza. As sutilezas dos ciclos naturais, dos movimentos dos astros, das estações do ano, dos ciclos de plantio e colheita no campo ou dos tempos próprios para os acontecimentos na cidade eram observados, numa economia de palavras, com mais atenção.

Acreditava-se, por exemplo, nos efeitos curativos que os perfumes e poções aromáticas exerciam sobre os seus usuários. Essas substâncias detinham o poder de restaurar e proteger a saúde das pessoas. Pelo menos no âmbito psicológico, essas crenças têm um fundo de verdade: numa época livre dos meios tecnológicos para o controle das massas, só a fé e o sentimento de mistério perante a natureza preenchiam a existência.

Contudo, a extravagância dos homens não conhece limites históricos. Sejam em tempos de maior ou menor liberdade, o vício está presente. Parvez Haris conta que, para se ter uma ideia da relação de Napoleão com os perfumes, segundo documentos do século XIX, todos os meses Bonaparte gastava 50 frascos de perfumes (!) produzidos por Gervais Chardin. “Não há dúvida, em minha opinião, de que o Eau de Cologne era o principal veneno — embora a co-exposição a outros produtos químicos, incluindo o arsênico, deva ter contribuído para sua saúde precária e, em última análise, sua morte por câncer gástrico“, Haris conclui.

Com informações do portal Aventuras na História UOL e do site da Universidade De Montfort University.

“Todo o homem luta com mais bravura pelos seus interesses do que pelos seus direitos”.

Napoleão Bonaparte

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