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quinta-feira, 28 outubro, 2021

“Não” à Caridade? Franciscanos são impedidos de doar “quentinhas” no centro do Rio

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Os religiosos foram proibidos pelo governo municipal da capital fluminense

O Serviço Franciscano de Solidariedade, o Sefras, distribuía diariamente, desde março de 2020 — início da pandemia –, 400 refeições para os moradores de rua no Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro. Para muitos daqueles necessitados, a quentinha — ou marmita, para os paulistanos — era a única refeição do dia. O serviço dos Franciscanos, portanto, era de uma importância vital.

No entanto, a prática da Caridade aparentemente desagradou a Prefeitura do Rio que, por meio do subprefeito da zona central, o Leonardo Pavão, interrompeu os trabalhos dos Franciscanos. O intuito do governo municipal é “limpar” o Largo da Carioca e os seus entornos, deixá-lo mais apresentável, mais higiênico, livre de mendigos e religiosos com hábitos marrons a acudi-los.

“A ideia aqui é trazer uma área de segurança, uma área limpa. Não é uma ocupação, uma permanência nesse local”.

Disse Pavão sobre a intervenção da Prefeitura no Centro

O espaço já transformara-se, contudo, num ponto de encontro para a população desamparada que vinha receber das mãos dos religiosos a única refeição do dia. Desde o início dos trabalhos dos Franciscanos, mais de 150 mil quentinhas já foram distribuídas naquele local. Aqueles pobres criaram um vínculo com os frades caridosos que, valendo-se do dinheiro das doações dos fiéis, exerciam um trabalho tão essencial.

“Agora fica a preocupação. Existe uma continuidade. Descontinuar [a entrega das quentinhas na Carioca] significa precarizar a relação com populações que já criaram vínculo conosco”.

Frei Marx, do Sefras

Sem o aval da Prefeitura

O endereço definitivo do Serviço Franciscano de Solidariedade, um prédio histórico localizado na rua Sete de Setembro, no centro do Rio, fora alugado a um custo mensal de R$ 10 mil. O objetivo era permanecer o mais próximo possível da região de trânsito dos moradores de rua. A locação acontecera no início deste ano, no entanto, a mudança definitiva para o local depende do aval da Prefeitura que ainda não foi expedido. O montante do aluguel — que inclui os custos com a segurança — é fruto exclusivo das doações à Sefras.

“Nós entendemos que temos de achar um lugar emergencial? Não. Temos de achar um lugar definitivo. O que não pode acontecer é que a população de rua viva em um espaço de degradação e que não exista continuidade”.

Frei Marx

O Instituto Rio Patrimônio da Humanidade informou que está orientando o Sefras sobre os ajustes necessários no imóvel da rua Sete de Setembro.

Estacionamento da Catedral

Para não permitir que sua vocação à Caridade seja tolhida pelos desmandos do Estado, os Franciscanos mudaram-se nesta quarta-feira, dia 6, para o estacionamento da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. No entanto, a estadia dos religiosos no local não é permanente.

Em sua defesa, a Prefeitura da capital fluminense afirmou que não proibira a distribuição das quentinhas no Largo da Carioca, mas apenas solicitou que a Obra de Caridade passasse para as proximidades da Catedral Metropolitana, a fim de deixar a zona da Carioca mais “limpa”.

E mais uma vez o Estado consegue realizar a proeza de atrapalhar, com a sua intromissão, o simples serviço da ajuda ao próximo. É que as pessoas comuns não logram êxito em fazer o bem sem a ajuda estatal; daí a incontestável eficiência do Socialismo.

Com informações do Portal G1 e do site da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil – OFM.

“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”.

São Francisco de Assis

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