As peças foram doadas ao museu em 1922 pelos Rothschild, a misteriosa família de banqueiros bilionária

No dia 31 de maio de 1983, a polícia de Paris registrou o furto de duas peças de uma armadura renascentista pertencente ao acervo do Museu do Louvre. Segundo o portal de notícias Live Science, no início deste ano os objetos históricos foram devolvidos ao Museu, depois de longos 38 anos desaparecidos. A armadura fabricada em Milão data da segunda metade do século XVI, com a sua elaboração estimada entre os anos de 1560 e 1580.

A agência de mídia francesa Agence France-Presse (AFP) informou que os objetos, fabricados em metal reforçado, têm adornos incrustados em ouro e prata. O valor da peça é tão extraordinário quanto a produção artística do período histórico da sua fabricação: a peça é estimada em 603 mil Euros, convertidos para o padrão monetário tupiniquim, o brasileiro que a quisesse comprar — se a armadura estivesse oficialmente à venda — teria que desembolsar cerca de 4,16 milhões de Reais!

Pega ladrão!

Em janeiro, um especialista em antiguidades militares que se encontrava em Bordeaux, no sudoeste da França, recebeu o chamado de um leiloeiro para uma avaliação. Assim que chegou ao local, o especialista suspeitou das origens dos objetos e, imediatamente, avisou as autoridades do Escritório Central Francês de Luta contra o Tráfico de Bens Culturais (OCBC) sobre as suas suspeitas. De fato, a armadura constava nos registros de objetos roubados mantidos pela Treima, o banco de dados no qual estão armazenadas cerca de 110 mil fotos de mais de 32 mil obras de arte e outros artefatos roubados.

O curador de obras de arte do Museu do Louvre Philippe Malgouyres, disse em entrevista à AFP que o fato do capacete e do peitoral da armadura serem adornados com desenhos em ouro e prata faz com que eles sejam considerados “armas de prestígio feitas com virtuosismo“. Malgouyres disse ainda que o conjunto de proteção bélica poderia ser comparado, em valor monetário e prestígio social a quem os possuiu, a um “carro de luxo hoje“.

“Eu tinha certeza de que um dia os veríamos reaparecer, porque são objetos muito singulares. Mas eu nunca poderia ter imaginado que daria tão certo – que eles estariam na França e continuariam juntos”.

Philippe Malgouyres, curador de obras de arte do Museu do Louvre, à AFP.

No entanto, como os objetos foram roubados permanece um completo mistério.

Devoluções são comuns

A devolução dos objetos históricos surrupiados dos museus da Europa é muito mais comum do que as pessoas comuns imaginam. No início de fevereiro, a veiculação da notícia de que uma peça subtraída de um sítio arqueológico de Pompeia há 50 anos fora, finalmente, devolvida, impressionou muitas pessoas. Massimo Ossana, diretor-geral interino da Superintendência Arqueológica de Pompeia, ajudou a impressionar os leitores quando afirmou que objetos roubados retornavam pelo correio “quase que semanalmente“.

O mais famoso atentado contra um acervo de museu aconteceu em 1911, quando Vincenzo Peruggia, um italiano patriota que desejava levar de volta o tesouro que Napoleão roubara do seu país, surrupiou a Mona Lisa. A consagrada obra de Da Vinci só retornaria para o Louvre dois anos depois, quando a polícia prendeu o italiano espertinho.

Com informações do portal de notícias Live Science e do site Aventuras na História — UOL.

“A beleza provoca o ladrão mais do que o ouro”.

— William Shakespeare.

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