MURALHA DE LIVROS | Lançamentos da Semana

Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Destaques

O grande destaque da semana é o lançamento da Compostela: A crucificação de São Pedro, ou A Paixão da Igreja, de Pascal Bernardin.

A história da humanidade pode ser lida como a história da Salvação. E também como o relato de um combate incessante entre duas Cidades pela conquista das almas.
É a partir dessa chave de leitura, herdada de Santo Agostinho, que o ensaísta francês Pascal Bernardin se propõe a interpretar o último século. Em sua obra mais contundente, ele examina quatro acontecimentos que, à primeira vista, nada teriam em comum: as aparições de Fátima, o Concílio Vaticano II, a promulgação da Nova Ordem Mundial e a difusão de uma espiritualidade global em nosso tempo.
A tese do autor é tão ousada quanto polêmica: esses eventos não estariam isolados, mas formariam um conjunto coerente, expressão de um mesmo drama espiritual de proporções decisivas.
Formado pela École Polytechnique de Paris e situado na tradição do pensamento contrarrevolucionário católico, Bernardin une rigor analítico e ampla documentação histórica a serviço de uma defesa intransigente da civilização cristã.
Uma obra que não busca o consenso, mas a reflexão. Para quem deseja compreender o nosso tempo à luz de um combate que atravessa os séculos.

Destaque também para o lançamento da Sétimo Selo, Ângela ou As areias do mundo, nono volume da Tragédia Burguesa, de Octavio de Faria.

Octavio de Faria dedicou mais de quarenta anos de escrita, que condensou em quinze volumes. Uma obra que Afonso Arinos de Melo Franco chamou de “a mais sofrida, ousada, ampla e profunda experiência no gênero a que o Brasil assistiu desde a morte de Machado de Assis”. Uma saga que Nelson Rodrigues disse carregar “o maior poder de criação do romance nacional”. E que Rachel de Queiroz classificou como “obra sem par na nossa história literária, mais duradoura do que qualquer outro monumento em pedra ou bronze”.
Com este nono volume, a Editora Sétimo Selo continua o trabalho de reedição integral da Tragédia Burguesa. Ângela Soares é a personagem que concentra tudo o que os oito volumes anteriores construíram: a luta silenciosa entre a graça e o mundo, entre o apelo invisível de Deus e as marcas pesadas e imediatas que a vida imprime sobre a alma.

Outros lançamentos

Pela O Mínimo, O mínimo sobre politização nas universidades públicas, de Julia de Castro.

Julia de Castro escondeu suas opiniões por anos só para conseguir se formar. Quando decidiu falar abertamente, virou alvo de perseguição e ameaças dentro da própria universidade. Em 2026, venceu essa batalha na Justiça. Mas o que ela viveu não foi um caso isolado. É o retrato de um padrão que se repete em universidades públicas por todo o Brasil.
Neste Mínimo Julia usa essa experiência como ponto de partida para reconstruir uma história maior: como instituições criadas para formar pensadores livres, desde Bolonha e Paris, na Idade Média, até a USP e a UnB, passaram a decidir previamente o que pode ou não ser questionado. Um ensaio direto sobre como isso aconteceu, e o que pode ser feito para reverter.

Pela Kírion, Psicoaritmética, de Maria Montessori.

Montessori diz que escola do seu tempo repetia e a do nosso ainda repete, segundo a qual a aritmética seria uma matéria árida, um obstáculo penoso que se atravessa à custa de esforço e pouco gosto. Ela não aceitava esse veredito e defendia que o número, quando apresentado à criança por meio de um material que torne visível o raciocínio em jogo, pode se tornar aquilo que mais desperta interesse.
No prefácio, ela registra que, em vinte e cinco anos de trabalho em suas escolas, nenhuma disciplina entusiasmou tanto as crianças quanto essa que tantos aprenderam a temer. Por isso, o que o livro propõe é tratar a aritmética como uma ginástica da mente, um treinamento paciente que prepara para a abstração e que faz cada operação mental repousar sobre a experiência sensível vivida antes dela.

E, pela Texugo, mais um volume da coleção O nome das Coisas, com Brinquedos.

Na sexta-feira, Francisco foi à brinquedoteca com a irmã. E olha só o que ele encontrou por lá: carrinho, boneca, bichinho de pelúcia, bola, massinha, pipa, corda, motoca, quebra-cabeça, bambolê.
Um livro para apontar, nomear, repetir e descobrir — do jeitinho que toda criança pequena adora. Simples assim: cada página, uma palavra nova. Cada palavra, um sorriso a mais no cantinho da leitura. Ideal pra quem está começando a falar, a ler ou só quer um motivo bom pra sentar no chão e brincar junto. 


 

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