MURALHA DE LIVROS | Em defesa de uma educação (de fato) plural

Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Destaque para obra crítica ao modelo de educação uniforme das escolas regulares

Os arautos da pedagogia moderna adoram papaguear sobre clichês como “educação inclusiva”, “pluralidade” e “respeito à diversidade”, mas, de fato, defendem modelos uniformizados de ensino, sobretudo com a mais rígida centralização e controle estatal das atividades de ensino. O destaque desta edição da Muralha é justamente um apelo à verdadeira educação plural.

Também, mais cinco valiosos lançamentos que abrangem a história da literatura brasileira, uma interpretação católica sobre a teoria de gênero, uma clássica alegoria sobre o comunismo stalinista e uma bela novidade par aos jovens leitores.

Acompanhe os lançamentos a seguir, e um excelente final de semana!


Destaque

O destaque desta edição é um lançamento da Kírion: Chega de escola: pelo direito de educar livremente, de John Taylor Gatto.

Nesta obra, Gatto aborda suas preocupações com o modelo de educação pública americana, argumentando que ele é ineficiente, sufocante e desmoralizante tanto para os estudantes quanto para os professores.

O autor defende a ideia de que a escola pública tradicional limita a liberdade de escolha dos pais e alunos, resultando em uma educação padronizada que não atende às necessidades individuais. Ele promove a educação domiciliar e outras formas alternativas de educação, acreditando que essas formas podem proporcionar um ambiente mais enriquecedor e personalizado para o desenvolvimento das crianças.

O livro também inclui contribuições de pais, estudantes e outros educadores, que compartilham suas experiências e reflexões sobre a necessidade de uma reforma educacional que valorize a diversidade de métodos e abordagens pedagógicos. A obra é um apelo para que a sociedade repense como a educação é oferecida e abra espaço para mais opções e liberdade de escolha na educação.

Confira a seguir um trecho da obra:

“O que você está prestes a ler é muito mais do que parece. Um professor de ensino fundamental e um ex-aluno seu, agora colega de profissão, alugaram o Carnegie Hall com o dinheiro do próprio bolso e, com o suor do próprio rosto, reuniram um grupo de educadores bem-sucedidos para falar para uma plateia não-selecionada. Nenhuma faculdade prestou auxílio, embora muitas tenham sido contatadas, nenhum jornal cobriu o evento, embora todos tenham sido avisados, nenhum militante a favor da reforma das escolas deu uma mãozinha, embora a maioria deles tenha falado sobre o evento em privado, um pedindo ao outro que se calasse. Mas mesmo assim, a primeira convenção popular nacional pelo direito e dever de educar livremente foi um sucesso. Qualquer um que refletir com cuidado sobre o ocorrido verá que não poderia ter sido de outro jeito.”

Outros lançamentos

Pela Sétimo Selo, A vida literária no Brasil – 1900, de Britto Broca.

O livro comporta um vasto painel do ambiente social-literário brasileiro entre 1900 e 1914, anos em que saíram as últimas obras de Machado de Assis, as primeiras de Euclides da Cunha e Lima Barreto, os versos de Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos. Ao abordar a literatura em termos de vida social, dando minucioso registro da formação dos homens de letra, Brito Broca reconstrói com maestria o ambiente cultural da belle époque brasileira: a boemia, que já se debatia na agonia; os salões literários, os cafés, as cervejarias e as reuniões à porta de livraria; os raros, mas pouco edificantes escândalos na Academia Brasileira de Letras; as polêmicas apaixonadas e furiosamente pessoais; as modas literárias e o culto de Wilde, Nietzsche, Tolstói, Ibsen, Eça de Queirós e Anatole France; a mania de referir-se à Grécia Antiga e a paixão por Paris. Nada do “1900”, fase de remodelação do Rio de Janeiro, escapa à investigação do autor: das transformações urbanas do “bota-abaixo” à influência da imprensa na legitimação literária, das interseções entre política e literatura às idiossincrasias dos escritores. Nestas páginas, vemos esse “Dom Quixote das letras” restituir vida aos escritores — os lembrados e os esquecidos — de uma das épocas de maior brilho da literatura brasileira.

Pela Ecclesiae, Homem, mulher, outro? Guia católico para compreender o gênero, de Jason Evert.

Fundamentado nas Escrituras e ensinamentos da Igreja, Everet oferece uma visão católica sobre a identidade de gênero, sexo biológico e dignidade humana.

O autor destaca a importância de uma abordagem pastoral compassiva, incentivando os católicos a responderem as questões de gênero com amor e respeito, reconhecendo a dignidade de cada pessoa.

Também são oferecidas orientações práticas aos católicos que desejam apoiar aqueles que lidam com disforia de gênero e promover um diálogo respeitoso e informado.  

Pela Edições Livre, Animal farm – a fairy story, de Geroge Orwell.

Clássico já publicado em português pela Sétimo Selo, esta alegoria satírica do terror stalinista, em sua versão original é um importante volume para quem esteja querendo aprender  língua inglesa por meio de leituras literárias.

Uma excelente novidade da João e Maria, do consagrado escritor Fábio Gonçalves, inaugurando a Coleção Vesper – voltada para o público juvenil –, é João Ramalho: a linhagem do herói.

Este é o primeiro volume de uma série que apresenta as aventuras do herói João Ramalho Segundo, seus antepassados e seus motivos para embarcar em uma grande jornada pelos mares. Usando história e aventura sem perder o vigor literário, este é o início de uma grande saga que busca resgatar ao jovem contemporâneo a capacidade de maravilhar-se.

Confira um trecho do livro:

“Os aventureiros antigos Aquiles, Eneias, Vasco da Gama, e tantos outros saíam em suas jornadas buscando glória para si. O livro que você tem agora em mãos, caro leitor, narra as façanhas de um homem que saiu em aventuras buscando glória para um outro.

E, porquanto não fosse movido de ambição e orgulho, esses dois portentosos ginetes da carruagem humana, chegou esse homem em terras jamais alcançadas e viu coisas jamais vistas.”


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