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segunda-feira, 20 setembro, 2021

MBL, a vergonha do liberalismo

Revista Mensal

Protagonista no processo do impeachment de Dilma, ao longo de 2019 o MBL assistiu Jair Bolsonaro e seus apoiadores assumirem o protagonismo na direita brasileira. 

Os milhões de cidadãos com camisas verde-e-amarela pelas ruas do Brasil, que entre 2015 e 2016 celebraram juntamente com o MBL a derrocada do PT, poucos anos depois se sentem muito mais cativados pelo presidente da República do que pelos jovens (sic) liberais. 

Diante deste quadro, seus líderes avaliaram que todo o trabalho feito para a reconstrução da direita brasileira foi “entregue de bandeja” para Bolsonaro. Ao invés de alegrarem-se e contribuir para o avanço do primeiro governo de direita em décadas, preferiram conspirar e tentar retomar o protagonismo na direita brasileira assumido por Bolsonaro. 

Neste texto, buscarei compilar os capítulos que julgo mais graves de uma perspectiva liberal. Não mencionarei o descabido pedido de impeachment protocolado pelo MBL à saída de Sérgio Moro do governo federal, nem o notável silêncio em meio às criminosas medidas adotadas por João Dória em meio à pandemia paulista.

Neste texto, o foco será dado a três capítulos específicos: 1. a solicitação de publicação do exame de saúde de Jair Bolsonaro; 2. a ação na justiça contra o churrasco de Bolsonaro; 3. o desdém com a prisão inconstitucional de manifestantes em frente à casa de Alexandre de Moraes.

1. A solicitação de publicação do exame de saúde de Jair Bolsonaro

Em 30 de abril, Arthur do Val acusou Bolsonaro de sonegar informação sobre seu exame do Covid-19.

2. A ação na justiça contra o churrasco de Bolsonaro

No dia 09 de maio, o MBL entrou com uma ação na justiça para proibir que Bolsonaro promovesse um churrasco no Palácio da Alvorada, que é a residência oficial do presidente da República. A repercussão na imprensa não tardou.

3. O desdém com a prisão inconstitucional de manifestantes em frente à casa de Alexandre de Moraes.

No último sábado, Alexandre de Moraes, ministro do STF, ordenou a prisão de manifestantes que foram à frente de sua casa para cobrar respeito à constituição:

Paulo Kogos, conhecido de Arthur do Val, contatou o mebelista para que ajudasse no processo e contribuísse para dar publicidade a tão flagrante violação das liberdades civis. A resposta de Arthur pode ser lida abaixo:

Posteriormente, ainda tuitou desdenhando de Kogos e dos manifestantes presos:

É compreensível que, por ressentimento e inveja, o MBL tenha optado por se descolar de Bolsonaro e buscar uma via menos moralista e mais liberal para afirmar-se como alternativa de direita ao presidente da República. Pessoalmente, inclusive acredito que isso pode ser saudável para a democracia e a própria direita, em geral.

Para que seja assim, no entanto, liberais devem se portar como liberais. E isto é exatamente o que o MBL não está fazendo. A impressão que fica é que o pilar do liberalismo, que é a proteção do indivíduo contra a tirania do Estado foi completamente abandonada em troca da coparticipação em uma tentativa de golpe.

Ainda em minha avaliação, os efeitos disso para o próprio MBL serão devastadores pois, além de perder por completo o apoio de bolsonaristas (que compunham uma substancial parte de seus eleitores), ainda estão conseguindo irritar os eleitores francamente liberais, e entregá-los de presente justamente para Jair Bolsonaro e a direita conservadora que foi, neste período de quarentena, o único grupo político que se apresentou para defender os direitos civis mais fundamentais de um povo livre, enquanto a esquerda e os (sic) liberais deram apoio à política de prisão domiciliar em massa promovida por João Dória.

Para ajudar o MBL nesse momento de crise, inscrevo aqui algumas humildes sugestões.

  1. Defender que o Estado deve ter poder suficiente para obrigar um cidadão (mesmo que em exercício de cargo público) a mostrar um exame privado de saúde é uma atitude totalmente antiliberal. Se vocês pretendem sustentar a narrativa liberal, favor colocarem-se na defesa da privacidade do cidadão contra o abuso do Estado, e não o contrário.
  2. Tentar usar o aparelho de justiça do Estado para impedir que um cidadão convide pessoas para comer um churrasco, ou qualquer outra coisa, em sua própria casa é uma flagrante tentativa de dar ao Estado o poder para interferir na privacidade do larPoucas coisas são mais autoritárias do que o Estado dizendo ao cidadão o que pode fazer e quem pode convidar para ir a sua própria casa. Nem mesmo o PT ousou fazer qualquer coisa parecida enquanto esteve no poder. A conquista do eleitorado liberal envolve o respeito à propriedade privada e às regras privadas vigentes nela.
  3. Negar socorro e desdenhar de um cidadão de bem que foi preso injustamente enquanto exercia seu direito de expressão é igualar-se à pior estirpe de comunistas. Garanto que nenhum liberal no mundo apoiaria uma entidade que apoiasse a prisão de manifestantes pacíficos. Isso é o que acontece na China e na Coreia do Norte, que vocês tanto criticavam até pouco tempo atrás.

O terceiro e último capítulo é, provavelmente, o atestado de óbito de qualquer liberalismo no MBL. Ao negar ajuda e ironizar a prisão de manifestantes desarmados e pacíficos, estão negando seu próprio passado.

Afinal de contas, lá pelos idos de 2015 e 2016, eram justamente Kim Kataguiri, Arthur do Val & Cia os militantes desarmados e pacíficos que clamavam nas ruas e nas redes sociais por mudanças no poder. Para um movimento que fez seu nome no cenário político organizando protestos de rua, é fato extremamente simbólico a virada de costas para manifestantes de outra cepa política que estão sendo presos por fazer exatamente a mesma coisa que o MBL fazia até pouquíssimo tempo atrás.

O fundamento do liberalismo é a existência de princípios comuns que devam ser aplicados a todos e defendidos por todos. O direito à propriedade é um deles. O direito à privacidade é outro. Liberdade para expressar-se, manifestar-se e pensar vêm junto. Quando o MBL defende todas as prerrogativas fundamentais do liberalismo para os seus, mas as negligencia para seus adversários, não resta outra conclusão, senão a de que já não existe nenhum liberalismo no MBL.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia ! Finalmente encontrei opinião que corresponde o que vejo, penso. Continuem por favor,sendo nossa voz, defendendo nosso direito de ser.

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