O norte-americano consagrou-se também pela criação do código de comunicação telegráfica que leva o seu nome

Fio que o leitor será da mesma opinião: nada é tão moderno e obsoleto ao mesmo tempo quanto o telégrafo. Talvez algumas ideias iluminadas da modernidade façam companhia à invenção do Samuel Morse no rol dos feitos ignóbeis, mas há uma diferença: os saudosistas do telégrafo reúnem-se em clubes de entusiastas para praticar a sofrível comunicação que consiste no envio de sinais sonoros ou visuais de pontos e traços, já os saudosistas das ideias iluminadas obsoletas reúnem-se, embevecidos, nos clubes de leitura coletiva nas universidades. A vantagem objetiva da reunião do primeiro grupo é o estímulo do raciocínio que precisa interpretar com celeridade as mensagens codificadas. Estes sabem que a satisfação da atividade é um prazer estranho, proporcionado pelo manejo de um equipamento desconhecido das pessoas de hoje; aqueles, por sua vez, creem que ainda estão na moda. Os coitados.

Mas, como o propósito desta matéria não é aborrecer o leitor com mais uma dissecação dos corpos pútridos das estreitas convicções, voltemos ao telégrafo. No longínquo 20 de junho de 1840, Samuel Finley Breese Morse, estadunidense natural de Massachusetts, conseguiu a proteção estatal da propriedade intelectual do seu invento através de um registro de patente. Um fato incomum sobre a vida de Morse era que, para além de colaborar com ideias fundamentais que permitiram a sofisticação dos meios de comunicação da época, o inventor fora também artista plástico. Morse registrou com os seus pincéis cenas da história americana. Ele estudou com o conceituado pintor anglo-americano Benjamim West.

A capela da Virgem em Subiaco, de Samuel Morse, 1830.

O telégrafo sem fios fora desenvolvido na década de 1830 e, em 1835, Morse construiu o “Recording Electric Telegraph“. No final da década, seus trabalhos com o famoso código que leva o seu nome estavam concluídos. No dia 24 de maio de 1844, através de uma linha experimental localizada em Washington D.C., Samuel Morse despachou a primeira mensagem telegráfica da história: “What hath God wrought!”, um pequeno trecho do livro de Números XXIII, 23 que louva as obras de Deus: “O que Deus tem feito!”.

Telégrafo patenteado por Morse em 1840.

Com informações do portal History UOL.

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