Observar a França pós-revolução é constatar que aquelas máximas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade constituíram-se numa completa hipocrisia

O 14º dia do mês de julho é lembrado, na França e nos países que tomaram para si os ideias dos revolucionários de 1789, como o marco simbólico da queda do antigo poder, do abjeto sistema político-social do Antigo Regime. A narrativa revolucionária, vendida como produto de qualidade duvidosa para as nações do Terceiro Mundo e comprada pelos Governos caudilhos como se fosse artigo de luxo desprezado somente por caipiras incultos, repete insistentemente — ainda que desmentida por intelectuais de peso, como Alexis de Tocqueville, Thomas Carlyle e Edmund Burke — que a França chafurdava na lama da desigualdade durante o Ancien Régime.

Recentemente, testemunhamos o brutal ataque sofrido pelo Presidente da França, o Emmanuel Macron, durante uma visita a uma determinada região no sudeste do país. Macron, ao aproximar-se da multidão circunscrita pelos limites de uma cerca de contenção, é acertado em cheio por um tapa no meio da cara. O cidadão que o atingiu foi identificado como um monarquista, fatalmente empurrado para a “extrema direita” pelo discurso da mídia — mui preocupada com o estado de saúde do Président depois do impiedoso ataque. O cidadão gritara, enquanto da sua investida contra o republicano, um antigo lema monarquista atribuído a São Denis, o padroeiro de Paris. Este Santo, aliás, tem a sua veneração atribuída ao fato extraordinário de, condenado à morte por decapitação, caminhar carregando a sua própria cabeça.

O padroeiro da capital francesa fora martirizado por não negar a sua em Jesus Christo. Exemplo melhor para a França contemporânea não há. Hoje, o país não passa de um office-boy das autoridades islâmicas na Europa. Capelas, pequenas igrejas e suntuosas catedrais são destruídas para dar lugar a mesquitas mulçumanas; em minutos, símbolos da sofisticação arquitetônica do período gótico viram pó. A história da França é, mutatis mutandis, a história do Ocidente — ou, pelo menos, a história do Ocidente narrada sob a perspectiva das reivindicações revolucionárias. Durante o Antigo Regime, é verdade, os cidadãos tinham menos direitos nominais, na letra da Lei; no entanto, viviam sob uma liberdade inimaginável para o cidadão pós-revolução, chafurdado no lamaçal dos despachos burocráticos que passaram a prescrever punições até mesmo para os deslizes cometidos dentro da casa dos pobres citoyens.

O autor desta matéria — que precisa ser sucinta — não tem a pretensão de ensaiar uma defesa da Monarquia Absolutista Católica, porque ele sabe que as condições para tal restauração só serão impostas quando da Parusia. É de mau gosto, portanto, idealizar uma conjuntura política que esteja para além da compreensão e do domínio dos meros mortais. A história está repleta de exemplos de idealistas desastrados — e muito mal intencionados — que intentaram impor a inauguração de novas eras, a mudança dos tempos, dos costumes, das crenças e tudo o que objetivamente conseguiram fazer fora causar morte e destruição. A celebração da queda da Bastilha, que ocorrera naquele longínquo 14 de julho de 1789, é um exemplo perfeito desta incontinência dos vícios que perturbam a consciência humana.

Com informações de Burke, Edmund, Reflexões sobre a Revolução na França, Vide Editorial; de Tocqueville, Alexis, O Antigo Regime e a Revolução, WMF Martins Fontes; e Carlyle, Thomas, História da Revolução Francesa, Melhoramentos Editora.

“Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso”.

Edmund Burke.

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