O polonês Karol Wojtyla, que se tornou o Papa João Paulo II em 1978, exerceu um papel fundamental para a derrocada do regime comunista no leste europeu.

Sábado, 2 de abril de 2005, o mundo se despede do mais influente Papa da era moderna. João Paulo II, que exerceu dignamente o ministério petrino — a liderança da Igreja Católica — por 26 anos, foi um marco na história recente da Igreja. Seu pontificado pode ser resumido pelas palavras do salmista: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação, de quem eu terei medo?” (Sl. 26,1). Intrépido, João Paulo enfrentou o problema mais urgente da sua época: a ameaça comunista. Foram muitas as ocasiões em que, sozinho do alto da tribuna, em viagens pelo mundo, o Papa enfrentara a multidão enfurecida que gritava palavras de ordem contra a Igreja Católica enquanto ostentava a bandeira vermelha do Marxismo. Durante a cortina de ferro, a divisão política e ideológica entre a opressão comunista no Leste e a formidável liberdade no Oeste da Europa, a Igreja Católica, sob a liderança do Papa polonês, manteve-se firme na defesa inegociável da dignidade humana.

Numa época apóstata, em que era comum — e altamente recomendado — que as pessoas, cada vez mais, procurassem se afastar da e se entregassem ao hedonismo cego da vida quotidiana, a Igreja pregava o contrário. João Paulo II fora o melhor porta-voz dessa mensagem. “Não, não podemos ter medo de Cristo“, dizia o Santo Padre em suas pregações, alertando para a importância da coragem em defender a contra os ataques das narrativas ideológicas, contra a linguagem revolucionária. O objetivo desta não era só ridicularizar a , mas corromper a inteligência das pessoas, incutindo, pela repetição sistemática e exaustiva, a mentira nas mentes e corações dos ouvintes. No âmbito de uma monstruosa pressão psicológica contra a fé da Igreja é necessário, portanto, coragem para defendê-la.

São João Paulo II em Fortaleza, CE. G1: Divulgação.

“João Paulo II ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho.”

— Papa Bento XVI.

Em 1983, numa viagem à Nicaragua, o Papa enfrentou um grupo de revolucionários sandinistas — discípulos do marxista Augusto César Sandino — que decidira humilhá-lo durante uma missa. O grupo ostentava bandeiras vermelhas e outras imagens anticristãs. O secretário do Papa, Stanislaw Dziwisz, relatou que “o Santo Padre, praticamente sozinho, enfrentou o tumulto e fez frente aos provocadores”. De fato, lembra Dzwisz, “foi inesquecível a cena em que os sandinistas agitavam suas bandeiras rubro-negras, enquanto ele [o Papa], de cima do palco, opunha-se a eles, levantando na direção do céu o báculo com o crucifixo na ponta”. No confronto entre a bandeira do Kremlin e a bandeira do Vaticano, cumpriu-se a profecia do Salmo 26; venceu o Coração de Cristo, como coroamento dos esforços de São João Paulo II para fazer do cristianismo o patrimônio mais sagrado da humanidade.

O Para visitou o Brasil em 1980. Em duas semanas, ele percorreu cerca de 14 mil quilômetros, cativando o coração dos cristãos brasileiros em diversas cidades. Sua presença atraiu multidões nas cidades de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, Aparecida do Norte, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Recife, Salvador, Belém, Teresina e Fortaleza. Ficará para sempre na memória dos brasileiros a imagem de João Paulo II beijando o solo da Terra de Santa Cruz logo após desembarcar do avião que o trouxera de Roma. João Paulo II morreu aos 85 anos pelo agravamento de uma septicemia e colapso cardiopulmonar irreversível, agravada pela sua doença de Parkinson. Em vida, o Papa fora também um linguista extraordinário: dominava português, polonês, esperanto, espanhol, grego, latim, italiano, francês, inglês e alemão. Detinha também conhecimentos de checo, lituano, russo, húngaro, japonês e dialetos africanos.

Papa beija o solo da Terra de Santa Cruz. O Globo: Divulgação

“A simples presença de João Paulo II em algum país era o suficiente para deixar em crise ideologias, fossem elas de uma tendência ou de outra.”

— Stanislaw Dziwisz, secretário pessoal do Papa.

Com informações do site do Pe. Paulo Ricardo, do site History UOL e do livro “Uma vida com Karol”. Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2007, escrito pelo seu secretário pessoal Stanislaw Dziwisz.

“A paz exige quatro condições essenciais: verdade, justiça, amor e liberdade”.

— São João Paulo II.

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