Observada nas religiões do Ocidente — Judaísmo e Cristianismo –, a Páscoa, em ambas, nos remete à passagem, à transição da morte para a vida

A crítica literária, no âmbito teológico, adota um crivo demasiado relativista atualmente. Mas não só. Os leitores “especializados” da Bíblia Sagrada, hoje, a leem com a pulga “erudita” atrás da orelha; aquela que, de monóculo e bigode retorcido, sopra dúvidas capciosas no ouvido do leitor. As dúvidas são do seguinte teor: “A tradução deste verbo está correta?”, “Será que naquele período histórico as pessoas se comportavam assim como é descrito?”, “Isto não está muito exagerado?” “E quanto àquela descoberta arqueológica?” “O que os exegetas dizem a respeito?”. A pulguinha serelepe tem a diabólica missão de afastar o leitor do referente profundo dos textos sagrados, concentrando sua atenção em contingências ridículas. Para o adepto da religião as informações de caráter crítico-especializado não têm importância. O fiel, quando lê nos Evangelhos os relatos do nascimento, vida e morte de Nosso Senhor Jesus Christo, não está interessado em saber se as roupas que Ele usou eram deste ou daquele tecido, se as sandálias que Ele calçou tinham correias de couro de cabrito, bode ou jacaré, ou se as pedras nas quais Ele pisou tinham o formato quadrado ou retangular; o fiel quer saber o que aquelas palavras dizem sobre a sua própria vida, sobre os seus pecados, sobre a salvação da sua alma. Quem lê as Sagradas Escrituras com um glicosímetro na mão, para medir o teor de açúcar do mel da terra que mana leite e mel, está longe de entender qualquer coisa.

É fácil entender o porquê de não haver, entre os leitores “eruditos” da Bíblia Sagrada, um consenso sobre a data de hoje, no entanto, de acordo com as tradições judaicas e cristãs mais antigas, hoje celebramos a Pessach –literalmente, a “passagem” — dos hebreus através do mar vermelho, ocorrida em 3 de abril de 1312 a.C. E, no âmbito da nova aliança, no Cristianismo, celebramos a páscoa, a passagem da morte para a vida no fato da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Christo. Páscoa é passagem. É a redenção do povo de Israel do cativeiro egípcio, é a consumação do sacrifício redentor de Christo na cruz do calvário. É sobre isto que falam os textos sagrados. De todos os preceitos do calendário litúrgico da Igreja Católica, a Páscoa da Ressurreição é o principal, porque é o fundamento de toda a fé. A religião cristã é estabelecida com a consumação do sacrifício de Jesus Christo, e os cristãos invocam essa realidade sempre quando rezam que Ele “(…) foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus; está assentado à direita de Deus Pai todo poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos (…)”.

“E se Christo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã a nossa fé”.

— 1Coríntios. XV, 14.

Com informações da Bíblia Sagrada — nova tradução da CNBB — e do livro Discurso sobre a História Universal, de Jacques Bossuet, Editora Centro Dom Bosco, em tradução de Omar Mansour.

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