O criador de tipos como o sofredor David Copperfield e o atormentado Ebenezer Scrooge é lembrado pela sua crítica às novas modalidades de trabalho que surgiram no contexto da Revolução Industrial, mas, para o leitor despretensioso, Dickens vai além disto

É comum observarmos, entre os consumidores de Literatura, a existência de dois tipos fundamentais de leitores: há aqueles para os quais tudo é crítica social, para estes os elementos literários devem, necessariamente, ser analisados desde uma perspectiva materialista, amoral e crítica sobre a vida humana; e há aqueles que, partindo de um princípio de benevolência e honestidade, contentam-se (e encantam-se) com uma narrativa simples, despretensiosa e divertida. Refiro-me aqui ao leitor comum. Há na prosa de Dickens elementos com potencial para agradar a gregos e a troianos. Contudo, os leitores que se enquadram na segunda categoria supracitada terão maior alegria na leitura de Dickens, porque o autor, ainda que crítico dos modelos sociais de sua época, soube como poucos registrar a simplicidade da vida comum.

Primeira edição de Um Conto de Natal, “A Christmas Carol”, lançado em 19 de dezembro de 1843.

Novelista, para sustentar os seus 10 filhos, Dickens exerceu também o ofício de jornalista. Há nas suas obras elementos de tragédia, humor, ironia e crítica social; sua prosa, contudo, peca aqui e ali pela falta de verossimilhança. Sua literatura mantém-se sobre a tensão entre o mundo real e o mundo imaginário. Esta tensão, quando somada às inúmeras dificuldades e conflitos vividos pelo escritor e por sua numerosa família — seus filhos chegaram a passar fome –, talvez tenha afetado negativamente a verossimilhança da sua narrativa. Paradoxalmente, os sofrimentos, que deveriam fortalecer o senso de realidade no escritor e assumir a tônica dos seus escritos, transformaram-se em motivos para a fuga.

David Copperfield. Capa da primeira edição em série de 1849.

“Li todos os romances de Charles Dickens e esqueci-os todos. Não é possível guardar na memória os enredos dessas obras, que são complicados, melodramáticos, inverossímeis, confusos”.

Otto Maria Carpeaux.

Charles Dickens morreu em 9 de junho de 1870, na sua casa de campo em Gads Hill Place, no Reino Unido.

Com informações do portal History UOL e de Otto Maria Carpeaux, História da Literatura Ocidental.

“O moralista é como um sinal de trânsito que indica o caminho para ir a outra cidade, mas não vai”.

Charles Dickens.

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