HOJE NA HISTÓRIA | D. Leopoldina e a Independência

Vitor Marcolin
Vitor Marcolin
Ganhador do Prêmio de Incentivo à Publicação Literária -- Antologia 200 Anos de Independência (2022). Nesta coluna, caro leitor, você encontrará contos, crônicas, resenhas e ensaios sobre as minhas leituras da vida e de alguns livros. Escrevo sobre literatura, crítica literária, história e filosofia. Decidi, a fim de me diferenciar das outras colunas que pululam pelos rincões da Internet, ser sincero a ponto de escrever com o coração na mão. Acredito que a responsabilidade do Eu Substancial diante de Deus seja o norte do escritor sincero. Fiz desta realidade uma meta de vida. Convido-o a me acompanhar, sigamos juntos.

Antes do brado do marido, a mulher já cuidara das tratativas da Independência do Brasil

Não é incorreto dizer que a imaginação, quando considerada sob o aspecto coletivo principalmente, siga o calendário e ocupe-se dos temas do momento. No carnaval, por exemplo, as pessoas, na ânsia de abrandar a mortificação imposta pela Quaresma, soltam a franga em revoadas. Muitos dos temas do calendário têm importância regional, mas há dois deles pelo menos que, tanto sob o aspecto religioso quanto sob o civil, são celebrados por todos os brasileiros: o Natal e a Independência.

Ambas as celebrações são objetos de uma fúria absolutamente descabida. Joy to the world, Adeste Fidelis e Hallelujah são tão obscenas quanto um Heil Hitler; caminhar de verde e amarelo na Av. Paulista sob o compasso de “Brava gente brasileira longe vá, temor servil” é um crime inafiançável. Mas, voltando à imaginação, a Independência do Brasil está eternizada naquela fórmula estética de D. Pedro em trajes de gala, de espada em riste e montado no lombo de um alazão.

Esta história não se passou exatamente assim, como se sabe. A finalidade do quadro de Pedro Américo era representar, numa síntese simbólica, a grandeza da nação que nascia. O grito, a disenteria, a mula ao invés do cavalo, as roupas simples de viagem, os poucos homens ao invés do séquito, a desconstrução desses elementos são temas frequentes nas aulas miseráveis de História ministradas nas escolas de Norte a Sul do país.

E, claro, para contribuir com a desconstrução, com a relativização, com a crítica, o autor desta matéria se propõe a informar ao leitor que, antes do grito de D. Pedro, D. Leopoldina já assinara o Decreto da Independência. No dia 2 de setembro de 1822, por ocasião da ausência de D. Pedro, que fora a São Paulo solucionar conflitos políticos, D. Leopoldina, como Princesa Regente do Brasil e sob os conselhos de José Bonifácio, assinou o Decreto.

Burburinhos políticos inundavam a corte no Rio de Janeiro, D. Pedro não estava; era necessário que alguém dotado de perspicácia tomasse uma decisão em favor do Brasil. Leopoldina cumpriu com louvor o seu papel de mulher, de esposa, de auxiliadora, de Imperatriz. Ela provou que tinha o domínio, o entendimento necessário da conjuntura do momento e, amparada pela amizade intelectual de José Bonifácio, fez no âmbito da diplomacia o que o marido chancelaria depois, às margens do Ipiranga.


Com informações do portal History UOL; da Enciclopédia História do Brasil, da Folha de S.Paulo, e do livro História do Brasil, Piletti Nelson, Ática Editora, Rio de Janeiro, 1999.

“Senhor, ninguém mais que vossa

esposa deseja vossa felicidade, e ela vos diz que Vossa Alteza deve ficar e fazer a felicidade do povo brasileiro, que vos deseja como seu soberano”.

José Bonifácio em carta a D. Pedro I.
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