HOJE NA HISTÓRIA | Batalha de Châlons, uma das maiores da Antiguidade

Vitor Marcolin
Vitor Marcolin
Ganhador do Prêmio de Incentivo à Publicação Literária -- Antologia 200 Anos de Independência (2022). Nesta coluna, caro leitor, você encontrará contos, crônicas, resenhas e ensaios sobre as minhas leituras da vida e de alguns livros. Escrevo sobre literatura, crítica literária, história e filosofia. Decidi, a fim de me diferenciar das outras colunas que pululam pelos rincões da Internet, ser sincero a ponto de escrever com o coração na mão. Acredito que a responsabilidade do Eu Substancial diante de Deus seja o norte do escritor sincero. Fiz desta realidade uma meta de vida. Convido-o a me acompanhar, sigamos juntos.

Romanos e Visigodos uniram-se contra o inimigo em comum: Átila, o Huno

Átila (406-453), rei dos Hunos, liderara o povo que, nativo da Ásia Central, derrotara todas as coligações tribais desde a Ásia até as portas da Europa. Os últimos suspiros do Império Romano do Ocidente foram descompassados pelo temor que o nome de Átila inspirava. O conquistador planejava coroar os seus empreendimentos bélicos com o domínio definitivo dos latinos. No entanto, desencorajado pelos muros inexpugnáveis de Constantinopla, Átila voltou o seu enorme exército em direção à Gália, a atual França, em 451 d.C.

Representação de Átila de uma edição (século XIX) da Edda Poética. Fonte: domínio público

O contingente sob as ordens de Átila, segundo alguns historiadores, chegava na casa dos 300 mil. Os soldados, impregnados pelo espírito de conquista do líder, atravessaram o rio Reno e, mantendo-se sempre na direção Leste, aterrorizaram e saquearam as paróquias e dioceses da região. Para conter a fúria dos Hunos, uma estranha aliança fora celebrada: os Romanos, por meio de um acordo, obteriam a ajuda dos seus inimigos, os Visigodos, nos esforços contra o inimigo em comum.

O Império Huno sob Átila estendia-se desde as estepes asiáticas até a Europa; da Alemanha até o rio Ural, e do Mar Báltico ao Mar Negro. Fonte: domínio público

Flavius Aetius (396?-454), capitão dos soldados Romanos, e Teodorico, rei dos Visigodos, celebraram uma aliança temporária para combater Átila. As tribos bárbaras dos Visigodos invadiram e saquearam Roma em 410 d.C., no entanto, nada representava ameaça maior para os latinos (já em vias de sucumbir ao seu outono) do que o poderoso Átila. E, se é verdade que o inimigo em comum faz surgir as mais improváveis amizades, Romanos e Visigodos somaram espadas e escudos contra a grande ameaça que vinha a galope das estepes asiáticas.

O itinerário da guerra. Fonte: Por MapMaster (discussão · contribs) – Este ficheiro foi derivado de: Attila in Gaul 451CE.svg:, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=56690411

Finalmente, as forças romanas e visigóticas encontraram-se com o exército huno em Châlons, há cerca de 28 quilômetros ao Norte de Troyes, na atual França. A força, em números, do contingente aliado é desconhecida; no entanto, segundo os historiadores, era consideravelmente maior do que o número dos soldados sob o comando de Átila. Coube ao Huno deflagrar o primeiro ataque: seus melhores homens foram direcionados contra a linha de frente do exército aliado.

Encontro de Átila com o Papa Leão, 1640, escultura de Alessandro Algardi, Basílica de São Pedro, Roma

Os hunos, depois de rechaçarem a porção central dos aliados, voltaram-se contra o flanco direito do exército formado por romanos e visigodos. Átila estava a um passo da vitória, mas o flanco esquerdo do exército aliado manteve-se inexpugnável. Quando a temível cavalaria gótica lançou um contra-ataque, uma feroz batalha corpo a corpo se seguiu; os romanos ficaram aterrorizados com a carnificina: “Cadavera vero innumera“, “verdadeiramente uma quantidade incontável de corpos”, disseram os latinos.

A morte de Átila, séc. XIX. Fonte: Por Ferencz Paczka – [1], Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=33738807

Finalmente, em face da completa desordem que se seguiu ao combate corpo a corpo, os homens de Átila recuaram para finalmente baterem em retirada. Teodorico fora morto em combate; Aetius, no entanto, não soube aproveitar sua vitória, deixando Átila livre para ameaçar novamente a Europa no ano seguinte. Em 452 os hunos voltaram, mas desta vez dirigiram-se para a península itálica. Átila, furioso, planejava destruir completamente a cidade de Roma, mas, depois de um encontro com o Papa Leão I, milagrosamente mudou seu intento, regressando às estepes asiáticas, onde morreria um ano depois.

Com informações do portal History UOL e do blog História Espetacular.

“Por onde eu passar, a grama não crescerá novamente”.

Átila, o Huno
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