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quinta-feira, 27 janeiro, 2022

Finados

Revista Mensal
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Finados

 

I

Dos bisos conheci o Nona e a Nono,

avós do pai, bem pouco conhecidos,

na verdade, em seus mundos recolhidos,

alçados quase à mente em abandono,

 

não fosse o pai, que os imortalizou

em diversos registros literários

(relatos, crônicas e versos vários)

e aqui em meu coração os radicou.

 

Também avós do pai foram João

e Sebastiana, heróis de guerra e vida,

causos contados pela avó querida

e pelo pai, com sua imaginação.

 

Avós da mãe, só uma conheci

de ouvir falar, Vó Lola, muito amada

por minha mãe, com tal amor contada,

que dela sinto tudo o que não vi.

 

II

Também não conheci Vô Manuel,

mas de sua honra e coragem ouvi tanto,

que até me causaria certo espanto

se acaso não morasse ele no Céu.

 

A esposa desse avô, a Vó Maria,

de Deus filha fiel, feliz beata,

o Rosário rezava sempre grata,

e ensinou-me o Pai-Nosso e o Ave-Maria.

 

Também era Maria a outra avó,

bocuda, desbocada e barraqueira;

tão querida, que quando aqui se esgueira

na memória, no peito eu sinto um nó.

 

Vô Domingos valia um livro inteiro

de versos só para este avô paterno,

tão bom, e forte, e amável, e tão terno,

foi motorista e atleta, e foi barbeiro,

 

e em regime integral, avô querido,

meu “pai” na prima infância e meu padrinho.

Não me vexo em dizer que este santinho

é entre todos os avós, meu preferido.

 

III

Ainda entre os avós, mas sendo tio,

irmão do Vô Domingos foi Tio Clério,

alegre e piadista, e nunca sério,

lembrei dele e meu coração sorriu…

 

Há mais de duas décadas Tio Zé

levado por um câncer foi embora.

Nas fotos, um pequeno eu de outrora

no colo desse tio sorri até.

 

Tia Lula, sua esposa, foi há pouco,

numa queda que a coxa lhe rompeu,

e quando nela penso, escuto eu

o peito da minha mãe chorando rouco.

 

Também de câncer foi minha madrinha

Tia Ly, entre amarguras e perdões;

por ela peço aos anjos guardiões,

a São José e à nossa Mãe Rainha.

 

IV

Com misto de tristeza e de saudade,

nestes versos eu trouxe aqui cantados

de memória meu mortos, meus finados,

que um dia espero ver na Eternidade.

 

Que Deus se apiede deles e de mim,

para que eu possa vê-los novamente,

na Cruz unida toda a minha gente,

no Céu felizes para sempre enfim.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Que bom, Leônidas, que você tem mortos de quem guarda boas lembranças e a quem sabe evocar e honrar tão bem. Abraço de teu pai que te ama!

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