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terça-feira, 19 outubro, 2021

ENSAIO丨A mensagem real de Clarissa Pinkola Estés para quem sabe ler

Revista Mensal
Larissa Castelo Branco
Bibliotecária em hiatus que se aventura na escrita, revisora textual, metida a cinéfila e apaixonada por Comunicação e Literatura. Em constante batalha contra a desinformação e a histeria coletiva, aprendeu com a esquerda como um ser humano não deve ser.

Mulheres que Correm com os Lobos é a obra máxima de Clarissa Pinkola Estés, psicanalista jungiana que se vale de velhos costumes e contos de fada ao redor do mundo para abordar nuances da feminilidade há muito tempo suprimidas pela sociedade. 

Nós, mulheres, somos intuitivas por natureza e nosso coração não nos engana: nossos instintos devem ser trabalhados de forma cirúrgica, para aprendermos a distinguir o que nos eleva do que nos lança à terra. Ser mulher é um ofício de ourives marcado pelo dever de lapidar nossa alma e nosso coração para direcioná-los àquilo que nos aproxima da areté, a excelência enunciada por Platão, que nos dignifica como justifica nossa existência.

Costumo dizer que a obra que motiva a presente matéria é um acesso de volta para casa, ou para onde reside a voz do nosso subconsciente e nossa essência, muitas vezes engolida pela espiral do silêncio por temor à reprovação e a olhares tortos daquelas que exigem empatia e respeito. 

Como toda boa obra, Mulheres que correm com os Lobos se conta entre aquelas sequestradas pelo feminismo e suas pautas insanas. Durante as rodas de leitura e debates a respeito do livro, a horda feminista comporta-se de forma totalmente contraditória quanto àquilo que diz defender, sempre caminhando a passos largos rumo o ócio, à redução da figura feminina a um homem mal acabado (obrigada, Nelson Rodrigues), à inutilidade, ao sexo fácil e à exposição exacerbada de corpos, tudo endossado por discursos inflamados repletos do termo cujo sentido mais desconhecem: liberdade.

Este ensaio procura extrair lições em prol de uma relação harmoniosa com o mundo com base em passagens extraídas da obra mencionada, mas sob a ótica do resguardo de valores e da busca incessante pelo discernimento, tão estranhos à vazia histeria esquerdista. 

Quando a mulher se volta para um comportamento repetitivamente compulsivo – reencenando um comportamento frustrante que provoca a decadência em vez de uma vitalidade permanente – com o objetivo de abrandar seu isolamento, ela na realidade está causando mal ainda maior porque a ferida original não está sendo tratada e a cada incursão, ela ganha novas feridas. Essa atitude se assemelha à de pingar algum remedinho no nariz quando se tem um talho aberto no braço. Mulheres diferentes escolhem tipos diferentes de “remédio errado”. Algumas optam pelo que é obviamente inadequado, como as más companhias, os excessos nos prazeres que são prejudiciais e destrutivos da alma e tudo que primeiro incentiva e a coloca lá no alto para depois atirá-la ao chão.

“Sermos nós mesmos faz com que acabemos sendo excluídos pelos outros.  No entanto, fazer o que os outros querem nos exila de nós mesmos.”

“Amar significa ficar com. Significa emergir de um mundo de fantasia para um mundo em que o amor duradouro é possível, cara a cara, ossos a ossos, um amor de devoção. Amar significa ficar quando cada célula nos manda fugir.

“Embora o exílio não seja algo que se deseje por diversão, há um ganho inesperado nele: são muitos os presentes do exílio. Tira a fraqueza a tapas, faz desaparecer as lamúrias, habilita a percepção interna aguda, aumenta a intuição, confere o poder da observação penetrante…”

 “A mulher não pode compensar toda uma vida de traições e mágoas entregando-se a excessos de prazer, de raiva ou de rejeição.”

“A dependência de substância química é uma verdadeira armadilha. As drogas e o álcool são muito parecidos com um amante violento que nos trata bem a princípio e depois nos espanca.”

““Os ciclos das mulheres são os seguintes: limpar nosso pensamento, renovando nossos valores com regularidade; eliminar da nossa mente as insignificâncias, varrê-las, purificar nossos estados de pensamento e sentimento com regularidade.”

Aspectos essenciais são indicados nessas passagens: autocuidado, autopreservação, saber fazer escolhas, fugir de armadilhas emocionais como más companhias, vícios, maus companheiros, experiências que desencadeiam uma ida sem volta ao fundo do poço e, principalmente, ouvir a própria voz.

Por isso é uma obra essencial àquelas que se sentem náufragas em meio a um mar de valores distorcidos e coletivistas, controlado por mulheres (e homens) insistindo em nos dizer o que fazer e nos impelindo a seguir um cartilha que castra nossa intuição e nossa voz, impelindo-nos a caminhar rumo ao autoflagelo, a pretexto da falácia chamada “empoderamento.”

Tanto nas passagens transcritas como em outras, é possível constatar uma crítica a valores frívolos que, muitas vezes, são exibidos às mulheres como forma de cura: uso excessivo de álcool, sexualidade em demasia, uso abusivo de remédios e a companhia de pessoas que em nada edificam, geralmente apreciada por simpatizantes do progressismo.

Diante dos preceitos colhidos nesta obra, é impossível não ver um paralelo entre o que o feminismo contemporâneo prega e o que o feminismo contemporâneo vive: criou-se uma geração de mulheres de coração desértico, cuja feminilidade, gentileza e sagacidade foram removidas brutalmente; em troca, ganharam palavras de ordem para agir como primatas, movidas a dependência emocional e cegueira ideológica, sob a égide de vozes sem escrúpulos a lhes dizer que liberdade é escutá-los.

“Só se vive uma vez”, dizem. Porém em vida, a mulher deve se resguardar, inclusive de outras mulheres que têm na efemeridade a base de seus valores.

O ponto alto da obra é a ligação direta entre felicidade e criatividade. Diversas vezes, a autora defende que a mulher deve livrar-se das amarras coletivistas por meio da pintura, da dança, do canto, do riso… Onde exatamente haveria felicidade em meio a uma horda de mulheres amarguradas, antipáticas e problematizadoras?

Por isso nós precisamos da arte e da beleza; dos sentimentos nobres que estas invocam. Precisamos sorrir, cantar, dançar, pintar, tocar, escrever, esculpir e nutrir o mundo com bons feitos e boas palavras, ajudando a implodir as falácias do mundo moderno cujos princípios são modelados em areia movediça. 

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1 COMENTÁRIO

  1. “Precisamos sorrir, cantar, dançar, pintar, tocar, escrever, esculpir e nutrir o mundo com bons feitos e boas palavras, ajudando a implodir as falácias do mundo moderno cujos princípios são modelados em areia movediça.”
    MEU DEUS, QUE LINNNNDO!!!!!

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