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terça-feira, 28 junho, 2022

DOSE DE FÉ | Thomas More

Revista Mensal
Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Mártir da Inglaterra, São Thomas More constitui modelo de homem que segue a reta consciência em sua fidelidade a Nosso Senhor e Sua Igreja

Hoje é dia de São Thomas More, mártir.

Nascido em Chelsea, em Londres, em 1478, Thomas era filho de um juiz, mas foi sua inteligência que o alçou ao curso de Direto na Universidade de Oxford.

Aos 22 anos, já era Doutor em Direito e trabalhava como professor. Além de grande intelectual de seu tempo, era também um fervoroso devoto. Chegou a cogitar tornar-se religioso, tendo passado por dois mosteiros, mas descobriu no matrimônio sua vocação. Ficou viúvo cedo, contraiu segundas núpcias com uma viúva e já mãe de uma filha. Com ela, teve 4 filhos. Homem de muito bom humor, era um pai e marido dedicado e sempre presente. Além disso, era muito piedoso, e sua casa vivia sempre cheia tanto de intelectuais como de pessoas pobres a quem ele auxiliava com tudo o que podia.

Outras vocações de São Thomas More eram a literatura e a política. Como intelectual, escreveu inúmeras obras e tornou-se um dos escritores mais famosos das letras britânicas. Seu livro mais famoso é Utopia, de 1516, um clássico do Humanismo. Como político, fez parte da Câmara dos Comuns e chegou a ser Chanceler do Parlamento da Inglaterra.

Foi justamente sua atuação na política que ocasionou seu martírio. Como católico fiel e contrário ao divórcio, fez-se feroz opositor do rei Henrique VIII, que passou a usurpar o poder da Igreja na Inglaterra a partir de 1530. Após o rei, já excomungado, proclamar seu Ato de Supremacia, segundo o qual tornava-se o chefe da Igreja na Inglaterra, passou a perseguir seus opositores – entre eles, Sir Thomas More e o Bispo John Fischer, os mais influentes católicos na corte, ambos condenados à pena capital.

Enquanto aguardava sua execução, trancafiado na Torre de Londres, More ainda escreveu uma última obra, uma série de fólios posteriormente reunidos em um volume com o nome de A sós, com Deus: escritos da prisão, em que o santo presta testemunho de fidelidade a Cristo de acordo com sua reta consciência.  

Fischer foi decapitado em 22 de junho de 1535. More, duas semanas depois. Mesmo com o apelo de amigos e familiares para que encenasse uma renúncia à sua fé e depois fugisse, preferiu permanecer fiel, e assim ganhou a vida eterna. Antes de ser executado, proferiu as seguintes palavras: “Sede minhas testemunhas de que eu morro na fé e pela fé da Igreja de Roma e morro fiel servidor de Deus e do rei, mas primeiro de Deus. Rogai a Deus a fim de que ilumine o rei e o aconselhe.”

São Thomas More foi beatificado em 1886 por Leão XIII, e canonizado em 1935 por Pio XI, que instituiu a data de 22 de junho para sua memória, junto com a de São John Fischer. Em 2000, foi declarado Padroeiro dos políticos e dos estadistas por São João Paulo II. Junto com o santo Bispo John Fischer e os demais mártires da Inglaterra, São Thomas More constitui verdadeiro modelo de homem que segue a reta consciência em sua fidelidade a Nosso Senhor e Sua Igreja.

São Thomas More, rogai por nós!

 

As últimas palavras de São Thomas More

 

Fiel à sua reta consciência,

ao fim de sua física existência,

 

bradou ao público São Thomas More:

“Eu morro por trair o rei. Melhor

 

traí-lo que abjurar o próprio Cristo,

O Qual não nego, de Quem não desisto.

 

Fui servidor leal de vosso rei,

porém mais fiel eu sou à Santa Lei.

 

Rogai para que o rei, perdido e insano,

torne a curvar-se a Cristo Soberano.”

 

Assim falou, e então, decapitado,

logo em seguida ao Céu foi transportado,

 

para servir por toda a Eternidade

à Única e Legítima Majestade.


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