O Aliança pelo Brasil foi objeto de entrevista da Bruna Torlay com o Paulo Sanchotene. A conversa acabou suscitando diversos questionamentos por quem acompanhou. Essas perguntas não apenas eram interessantes, como tratavam de pontos comuns.

A Revista Esmeril publica a partir de agora uma série com as respostas para essas questões. Para melhor respondê-las, as perguntas foram agrupadas nos seguintes temas: (I) Bolsonaro; (II) Partido de Direita; (III) Ideologia; (IV) Nova República; (V) Esquerda; (VI) Ordem e Liberdade; (VII) Brasil; e (VIII) Miscelânea.

Nesta primeira parte, fala-se sobre Bolsonaro e seu papel nesse ressurgimento da Direita brasileira e sobre os desafios do Aliança – se será o partido da Direita; ou um partido de Direita. Ambas as respostas foram escritas pelo Paulo Sanchotene.

I. Bolsonaro: Liderança e Necessidade

Houve uma reação popular contra o estado-de-coisas. O Bolsonaro foi quem conseguiu sintetizar essas indignações num discurso e por isso foi eleito. Seria o Bolsonaro essencial para a realização das mudanças? Ou poderia ele ser trocado por alguém que fosse tocar o mesmo projeto?

Bolsonaro é necessário? Boa pergunta. Não se sabe. Ao menos, eu não sei. Ele está preenchendo uma necessidade e, ainda que tenha seus defeitos (quem não os tem?), o saldo até agora é inegavelmente positivo.

Vou confessar algo que nem chega a ser segredo: eu nunca gostei do Bolsonaro. Fiz um esforço para não votar nele, mas acabei votando mesmo assim. Hoje, votaria nele com mais convicção do que à época da eleição. Bolsonaro não é perfeito, nem exigiria disso dele, mas é o que temos. Se Bolsonaro é resultado das circunstâncias, ainda assim é preciso reconhecer que esteja fazendo um bom trabalho.

Preferiria eu outro estilo de liderança e de postura? Sim. O que eu prefiro funcionaria? Talvez, mas não posso garantir que sim. Bolsonaro funciona? Até o momento, funciona. Sendo assim, só posso agradecer o Bolsonaro pelo trabalho e apoiar seu governo. Estou com ele, e não vejo contradição alguma nisso. Nesse ponto, sou muito parecido com o Guilherme Fiúza, por exemplo.

Quando acho que o governo erra, aponto e apresento minhas razões por que seria um equívoco. Contudo, faço isso em apoio ao governo. O sucesso do governo pode significar um sucesso para o Brasil, e estou contando com isso. Críticas podem ajudar tanto quanto apoio incondicional pode atrapalhar. Portanto, possíveis erros não fazem da tarefa política do Bolsonaro algo menos essencial do que realmente seja.

Se não for o Bolsonaro, alguém terá que cumprir a mesma missão. Esse alguém passará pelas mesmas provações. Não vejo alternativa. Quem pede a cabeça do Bolsonaro neste momento está colocando sua rejeição à pessoa do presidente acima do projeto político que Bolsonaro conduz. Entendo, mas não posso concordar com isso.

II. Partido de Direita: Bolsonarismo, Liberais e Conservadores

A criação do Aliança será aceita pelo TSE? Há quem afirme a Direita condensar-se na figura do nosso presidente Bolsonaro, seria verdade? É possível que o Alianca seja algo mais que “o partido do Bolsonaro”? É possível liberais e conservadores conviverem dentro de um mesmo partido? Há o risco de o partido acabar se tornando inóspito para pessoas como a Bruna Torlay e o Paulo Sanchotene? Como evitar a entrada de aproveitadores no partido?

Por mais que o Aliança não se encaixe no espírito da Nova República, o TSE não terá como recusá-lo. O partido acontecerá. Agora, o que o Aliança será, isso ainda ninguém sabe.
Bolsonaro ser o líder da Direita brasileira atualmente é um fato. O significado disso é o que varia. A frase “a Direita brasileira é o Bolsonaro” pode ser interpretada de duas maneiras bem distintas: como “Bolsonaro representa a principal coalizão de forças políticas presentes na Direita brasileira”; ou como “a Direita brasileira é aquilo que o Bolsonaro queira que seja”.

A primeira maneira afirma que a Direita seja uma união de diferentes grupos políticos liderada pelo presidente; a segunda, que a Direita seja um grupo de seguidores do presidente. Se o Aliança será um partido para toda a Direita ou restrito ao bolsonarismo dependerá do que ocorrerá de aqui por diante.

Quanto mais restrito for o entendimento que um partido tenha de si mesmo, maior é o risco de tornar-se inóspito para as pessoas. Quanto mais maduro for o partido, maior será a composição de forças dentro dele. O Aliança pode ser algo mais que “o partido do Bolsonaro”. Para tanto, o entendimento predominante dentro do partido deve ser o de representar a Direita como uma “união de diferentes grupos políticos”.

Nesse sentido, a Direita não seria uma, mas várias; e o partido estaria disposto a abrigar essa diversidade dentro de si. Com isso, o partido não ficaria restrito ao bolsonarismo ou qualquer outra força política que seja. Aliás, essa auto-compreensão ampla é exatamente o que permitiria a liberais e conservadores conviverem juntos dentro de um mesmo partido: “nem meu, nem seu; mas nosso”.

É preciso ter noção de que uma restrição na representação política do partido não impediria a entrada de aproveitadores e corruptos. Essa é uma tentação que precisa ser evitada. Infelizmente, aproveitadores e corruptos são inevitáveis. O máximo que se pode fazer é contê-los.

É possível, inclusive, que o efeito de uma restrição seja contrário ao pretendido. A busca por uma pureza, ao reduzir e simplificar os discursos e posturas aceitáveis, facilitaria o trabalho de aproveitadores e corruptos para enganar as pessoas.

1 Comments

  1. otimo artigo e otima reflexao de onde queremos chegar e os meios para chegar. como dizem quando estamos com dor de cabeça nao cortamos a cabeça para passar a dor.

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