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domingo, 19 setembro, 2021

Activision Blizzard está morrendo por falta de ética

Revista Mensal
Aldir Gracindo
Aldir Gracindo é professor, escritor de artigos, palestrante, ativista político, realista esperançoso, nerd orgulhoso, nacionalista e violoncelista amador.

Empresa de War of Warcraft, Overwatch e da franquia Diablo sofre processo judicial por assédios sexuais, protesto de empregados, revolta de acionistas e perda de dezenas de milhões de gamers

A Activision Blizzard, uma das maiores em games no mundo, sofre falta de ética na gestão. O problema é tão profundo que a empresa não mostra capacidade de corrigi-lo.

Como muitos já sabem, a Blizzard enfrenta processo judicial por várias denúncias de assédio moral e sexual. As acusações são corroboradas por evidências da má conduta que mostram não se tratar de fofoca, de invenção. Vários comentaristas de games do Brasil e exterior já abordaram o problema, como o youtuber Lusca Honorato.

Como Honorato aponta, o ambiente antiético dentro da empresa já era conhecido há tempos por jornalistas especializados que preferiram se omitir. A desculpa de “falta de provas sólidas”, para profissionais que publicam denúncias com muito menos evidências, é só isso mesmo: uma desculpa ruim.

Mesmo cientes das queixas dos empregados, a Blizzard ignorou o que acontecia até o processo judicial trazer os “podres” à tona para todo o público. Só as investigações, fora as denúncias e reclamações internas, feitas pelo Estado da Califórnia (EUA), acontecem desde 2018 sem que a Blizzard tenha sido transparente com seu público até hoje.

Alguns podem apontar a hipocrisia da empresa em fazer as já famosas “simulações de virtude progressistas” falando de “diversidade, inclusão e Feminismo”, com razão. Mas também há direitistas envolvidos, o que indica que o desrespeito humano aos empregados (e sim, principalmente a mulheres) vigentes na Blizzard é não apenas crônico como suprapartidário.

Como resultado da justa desmoralização, a empresa há algum tempo passa por reestruturações envolvendo demissões de equipes inteiras e, mais recentemente, do presidente da empresa e gestores.

Mesmo assim, acionistas e investidores se insurgiram publicamente contra a Blizzard, que poderá ter que responder processo por não ter informado devidamente e combatido as irregularidades propriamente, voluntariamente colocando em risco seus investidores.

Além disso, empregados da Blizzard têm organizado protestos e greve por causa do que motivou o processo judicial. E mais: Apesar do enorme crescimento durante a pandemia, a Blizzard tem perdido milhões de clientes.

Muitos na imprensa especializada atribuem as perdas da Blizzard a “sexismo e falta de inclusividade.” Mas a insatisfação dos empregados com o ambiente de trabalho e com as respostas incompetentes e desonestas dos gestores certamente é sentida no mau desempenho técnico da empresa frente aos gamers, que estão cada vez menos tolerantes à situação toda.

Dizer que tudo é questão de “inclusividade” abre espaço para mais ativismo político e a inevitável hipocrisia que, repito, não tem partido. Colocar mais mulheres, mais transgêneros, mais “progressistas” ou “direitistas” não resolve sem ética, transparência e respeito a empregados, investidores e clientes. A Blizzard, neste caso, não tem um problema ativismo de esquerda, feminismo, masculinidade ou heterossexualidade. Ela tem um problema de ética de seus gestores. Esses são os responsáveis pela sua persistente e pública implosão e derrocada.

Com informações de Lusca Honorato, Tecmundo, Tecnoblog, CharlieIntel, Globo Esportes, Voxel, Jovem Nerd, The Verge e Adrenaline


Qualquer tipo de pressa, até mesmo para o bem, traduz alguma degeneração mental

Emil Mihai Cioran

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