Destaques
O grande destaque da Semana é o lançamento da Sétimo Selo: A arte da narrativa e outros escritos, de Jacob Wassermann.
A obra mergulha em outra dimensão de Wassermann, não a do romancista, mas a do pensador da literatura. Em uma reunião de ensaios escritos ao longo da maturidade, o autor alemão articula as suas convicções mais densas sobre o ofício de narrar, a relação entre mestre e discípulo, a paciência da construção, a disciplina do trabalho diário e a transformação interior que a literatura exige de quem se propõe a fazê-la com seriedade.
Não é um manual técnico, nem uma teoria sistematizada. É a confissão de método de um dos romancistas mais densos da literatura alemã do século XX. Wassermann escreve como quem instrui, mas sem a vaidade de quem ensina. Cada texto é, ao mesmo tempo, depoimento e reflexão, e revela o que sustentava a sua prosa por dentro, antes de chegar à página impressa.
Para o leitor que conhece O Processo Maurizius, este livro é o complemento natural, a chave que mostra como o monumento literário foi erguido. Para quem se inicia em Wassermann, é uma porta de entrada rara: o leitor encontra o autor falando diretamente sobre o que importa, sem a mediação da ficção.

Destaque também para o lançamento da Kírion: Como falar, como ouvir, de Mortimer Adler.
Como Ler Livros formou leitores melhores, e este lançamento, publicado tempos depois, dá continuidade a esse trabalho, porque de nada adianta ler bem quem não sabe se expressar nem escutar.
Falar e ouvir parecem habilidades que todos dominam naturalmente e Adler passa o livro inteiro demonstrando por que esse pressuposto está errado de uma forma dinâmica e proveitosa. E quem imagina que o tema do lançamento se restringe a técnicas de oratória vai se surpreender. O livro toca fundo nas relações humanas, na estrutura do pensamento coletivo e nos fundamentos do que torna uma conversa ou palestra, de fato, proveitosa!
Uma obra que começa na arte de falar bem em público e termina na questão do que nos torna humanos.

Outros lançamentos
Pela Ecclesiae, duas novas edições diferenciadas da Bíblia Sagrada traduzida pelo Padre Matos Soares.
A primeira é a Mar Azul, em brochura. A capa traz uma imagem serena do mar com uma pomba sobrevoando as águas, que evoca o Espírito de Deus pairando sobre oas águas. Uma capa com beleza contemplativa, em um tom de azul que descansa os olhos e acolhe a leitura.

A segunda é a Ébano. Capa dura em couro, com cor preta e detalhes finos em dourado. Uma estética sóbria e refinada que quase não se encontra no mercado católico brasileiro. Tem a presença discreta de uma Bíblia que se carrega com gravidade, feita para acompanhar uma vida inteira de oração.
Duas edições para diferentes momentos de quem deseja levar a Palavra de Deus consigo.

Pela Edições Livre, La présence totale, de Louis Lavelle.
A obra é um convite ao recolhimento, à atenção e ao reencontro com aquilo que está sempre diante de nós, mas que raramente percebemos. Um livro para ler devagar, à luz de uma janela, no silêncio de um instante.
Um dos grandes nomes da filosofia francesa do espírito agora em edição no francês original, para quem deseja pensar a existência com serenidade e profundidade.

E, pela Texugo, O bolinho, de Aleksei Tolstói.
“Era uma vez um velho que pediu à velha que raspasse a caixa, esfregasse o pacote e juntasse o pouquinho de farinha que sobrou. Dali saiu um bolinho dourado na manteiga, posto na janela pra esfriar. Só que ele não esperou. Saiu rolando da janela pro banco, do banco pro chão, e ganhou a estrada cantando a mesma musiquinha pra cada bicho que cruzava seu caminho. Da Lebre ele escapou, do
Lobo ele escapou, do Urso ele escapou. Foi a Raposa, fingindo ouvir mal e pedindo a canção cada vez mais de pertinho…”
Assim começa um clássico cumulativo russo que ganhou tradução e vida nova pela Texugo. Aleksei Tolstói, parente distante de Liev Tolstói e de Turguêniev, transitou por vários gêneros, da ficção científica à literatura infantil, e foi com as histórias para os pequenos que se firmou como um dos grandes nomes das letras russas do século XX.
O Bolinho carrega exatamente o que faz uma história dessas atravessar gerações, o ritmo que se repete, o refrão que a criança aprende sozinha e o final que ensina, com leveza, que nem todo elogio quer o nosso bem.
E a edição ganha cores e vida com a ilustradora Tati Borgert, que já encantou os leitores da Texugo nos dois livros da série Ana de Pano. As páginas de O Bolinho têm essa poesia no traço, a textura que dá vontade de tocar e a expressão dos bichos que faz a criança torcer, rir e segurar a respiração até o último pulo.
