Saúde da população brasileira ontem e hoje

A fome era um dos problemas crônicos no Brasil até meados dos anos 90. Toda aquela gente subnutrida, magra, com barriga d’água, retirantes da seca, maltrapilhas incrementavam a imagem da desgraça e pobreza brasileira.

De um lado, os positivistas e deterministas culpavam o clima pela miséria; enquanto os globalistas o atribuíam ao crescimento populacional — eles têm um fetiche louco pelo tema ‘controle de natalidade’, diga-se de passagem. Por outro lado, os humanistas e esquerdistas culpavam o imperialismo europeu e americano, o sistema capitalista, a monocultura agrícola e a ausência do Estado como causadoras da fome no Brasil e no mundo.

Um estudioso destacado do assunto, Josué de Castro, fez um importante levantamento de problemas relacionados à nutrição no país, como vemos nos mapas abaixo:

Fonte: Geografia da fome: o dilema brasileiro: pão ou aço / Josué de Castro – 10° edição (1967).

Apesar da importância do trabalho de Josué de Castro, também ali se pecava, como as demais linhas de pensamento mencionadas, em pôr o problema na conta de todos, menos do culpadoreal: o excesso de Estado. Regulamentação e imposto elevado é a fórmula da destruição.

Voltando ao presente, este cenário de caos e fome diminuiu nas últimas décadas por conta da expansão de crédito, alguma melhora na geração de renda e emprego e ampliação do assistencialismo por parte do Estado. Com essa mudança de quadro, contudo, será que os brasileiros estão bem nutridos?

Não. Parte da população aumentou a ingestão de calorias, mas não o valor nutricional, que depende da qualidade, variedade e combinações dos alimentos ingeridos. O bom e velho arroz feijão e “mistura” é um conjunto efetivo, mais insuficiente.

A ascensão da classe C incluiu parte significativa da população na rota do consumo de comida industrializada, restaurantes e fast foods, além de muitas outras porcarias que amamos; mas que, se ingeridas em excesso, nos arranca qualidade e anos de vida. Por conseguinte, os casos de obesidade aumentaram e, consequentemente, o número de doenças ligadas ao excesso de carboidratos, como a diabetes. Este mesmo fenômeno ocorreu, nos anos 60, nos EUA.

Portanto, se o problema da nutrição era antes econômico, hoje passou a ser cultural. Assim, as ações e medidas para melhorar a saúde do brasileiro poderiam se basear em campanhas de conscientização sobre a boa nutrição. As instituições de ensino, médicas e os meios de comunicação têm a importante tarefa de levar conhecimento para a população.

Aumentar impostos, taxar alimentos não saudáveis, inclusive o cigarro, e alcoólicas seria também uma solução? Jamais! Essas medidas são pura vigarice e extorsão estatal disfarçada de bom mocismo. Não resolve nada proibir propaganda de refrigerante, cerveja, cigarro, etc. Quem nunca se emocionou com as propagandas tocando Born to be Wild, no ápice da indústria do tabaco, ou se deliciou com a mulherada de fio dental nas propagandas de cerveja?

A única ação cabível ao Estado, nem invasiva, nem abusiva, seria a de criar um plano nacional de conscientização sobre a importância de se manter, na maior parte do tempo, uma dieta apta a nutrir o organismo. Com essa medida típica da medicina preventiva, talvez o governo lograsse reduzir os gastos do SUS, sua única preocupação de fato. Portanto, falta mesmo é um profissional da saúde mais criativo, com uma visão da saúde mais sistêmica e menos burocrata.

Culinária

Moqueca de camarão baiana

A receita desta edição homenageará um prato símbolo da identidade brasileira, fruto da fusão de ingredientes da culinária africana (subsaariana) e portuguesa: a moqueca baiana. Este prato acompanha arroz branco, vinagrete de tomates verdes (o que os baianos chamam de “salada”), pirão e farofa de dendê.

Ingredientes:

  • ½ kg de camarão médio limpo
  • 400 g de farinha de mandioca (crua)
  • 2 tomates verdes
  • 2 tomates maduros
  • 2 cebolas
  • 1 pimentão verde
  • 2 pimentas de cheiro ou Cambuci
  • 4 dentes de alho
  • 600 ml leite de coco
  • 4 colheres de sopa óleo de dendê
  • 2 colheres de sopa de manteiga de garrafa
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva
  • ½ maço de coentro picado
  • ½ maço de salsinha picada
  • Sal
  • Vinagre
  • Pimenta do reino
  • Bicarbonato de sódio

Modo de preparo

Vinagrete de tomate verde:
Pique em cubinhos os tomates verdes e a cebola, tempere com sal, azeite de oliva, vinagre e um pouco de coentro e/ou salsinha.

Farofa de dendê:
Refogue em fogo baixo 1 dente de alho picado na manteiga de garrafa e 1 colher de sopa de dendê. Quando o alho dourar, acrescente 300 g de farinha de mandioca, mexa por 3 minutos e pronto.

Moqueca de camarão baiana:
Tempere os camarões com sal e pimenta do reino. Jamais ponha limão antes porque acaba desidratando e deixando o camarão como se fosse uma sola de sapado velha. Sele os camarões com 1 colher de sopa de azeite de oliva por apenas 1 minuto em frigideira antiaderente. Reserve.
Em uma caçarola grande, refogue no azeite de oliva o alho com a cebola e depois acrescente o tomate e o pimentão picado. Quando tudo estiver em ponto de molho, acrescente o dendê e depois o leite de coco. Corrija o sal e a pimenta do reino, depois acrescente 2 copos de água. Para tirar o excesso de acidez, ponha meia colher de café de bicarbonato de sódio. Depois que o molho ferver, ponha os camarões e deixe por 5 minutos. Por fim, acrescente o coentro e a salsinha.

Pirão:
Feita a moqueca, você notará excesso de molho na panela. Coe 2/3 dela e use o caldo para o pirão. Ponha 100g de farinha de mandioca aos poucos no caldo, acrescentando uma colher de dendê. Corrija o sal e a pimenta do reino. Mexa em fogo baixo até engrossar. Se começar a ficar muito grosso, acrescente água. A dica de ouro para se ter um pirão fino consistente e sem pelotas é, depois, batê-lo no liquidificador ou mixer, devolvendo-o ao fogo até atingir a consistência desejada.

fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

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